Maternidade
10 razões para não deixar o seu bebé a chorar até adormecer

Estilo de Vida

Não deixe o seu filho chorar até adormecerem... Pode ter consequências incontornáveis no futuro da criança

Seg, 29/06/2020 - 14:00

Os bebés podem ser desgastantes, especialmente os bebés que são considerados «bebés difíceis» que têm uma elevada necessidade de conforto durante horários pouco «higiénicos», tipo três ou cinco da manhã.

Devido a isso, os pais foram aconselhados a usar técnicas como as do «choro controlado» (CIO) para adormecer os seus pequeninos.

Todos os pais têm uma necessidade de sono e, por isso, é completamente normal que se tentem todos os métodos, para acalmar o bebé e conseguir dormir.

Dito isto, deixar os bebés a chorar para adormecer, por um sem número de razões não é a melhor decisão! Aqui estão dez delas.

1- O principal argumento desta abordagem é o de que os bebés precisam de aprender a «acalmar-se» sozinhos e, em consequência disso, conseguirem adormecer sem a ajuda da mãe ou do pai. E que isto se consegue se deixar o bebé a chorar e não responder de imediato ao seu choro (as suas necessidades) ele eventualmente irá aprender a confortar-se e a adormecer sozinho. Na realidade a mensagem que está a passar ao seu bebé é a de que deve «desistir de esperar que se importe com ele»! Que mensagem dura, para um bebé tão pequenino!!!

2- O sentimento angústia infantil interfere com o desenvolvimento do cérebro dos bebés. A pesquisa científica tem demonstrado que o stress liberta cortisol adicional nos bebés e destrói conexões nervosas no cérebro. Algumas áreas do cérebro afetadas pelo stress severo são o sistema límbico, o hemisfério esquerdo e o corpo caloso. Outras áreas que podem ser afetadas são o hipocampo e o córtex orbitofrontal. Bebés que sofrem situações de «negligência precoce» também têm cérebros menores que os outros bebés, em consequência desse stress vivenciado.

3- Os bebés choram para exprimir as necessidades e se não somos capazes de lhes responder, claramente não os estamos a atender. Um bebé pode chorar porque tem uma infeção no ouvido, tem fome, tem dores de dentes, está a sentir-se só ou está com medo, entre outras razões igualmente válidas. Quando não aparece ninguém para o alimentar, confortar, tranquilizar ou simplesmente aconchegar, o bebé pode desistir de chorar, mas ainda assim, irá continuar com fome, triste, com medo ou com dor. A única coisa que «melhora» é o facto de que o bebé deixa de chorar e assim os pais começam a dormir a noite toda!

4- A mensagem fundamental dos métodos que envolvem o choro é a de que as necessidades e desejos dos pais são mais importantes do que o bebé.

5- As pesquisas têm concluído que, durante o método «choro controlado» (CIO), os bebés passam por fases previsíveis. A primeira fase, chamada de «protesto», consiste num choro alto e agitação extrema. A segunda fase, identificada como «desespero», consiste num choro monótono, acompanhado de inatividade e retirada emocional. A terceira fase, chamada de «desapego», consiste num renovado interesse, embora se trate de um interesse remoto e distante. Concluindo que, deixar os bebés a chorar pode levar à eventual dissipação desses gritos, devido ao desenvolvimento gradual de apatia na criança.

6- Outros estudos demonstram que os bebés que foram criados com métodos de «choro controlado» (CIO) têm uma probabilidade 10 vezes superior de vir a desenvolver hiperatividade e déficit de atenção, mais tarde.

7- O método «choro controlado» (CIO) dessensibiliza os pais em relação ao choro dos seus bebés. Em termos de sobrevivência da espécie, o choro do bebé está desenhado para ser difícil e quase insuportável de ouvir, por uma razão muito concreta: para que os pais vão depressa «acudir» os bebés e às suas necessidades. Quando os pais são orientados a não responderem quando ouvem os gritos/choro do seu bebé, no quarto ao lado, geralmente isso implica que tenham que «desligar» a sua resposta empática natural e automática de resposta aos sons de angústia dos seus filhos. Não existe um botão para ligar/desligar este instinto, ou para poder reconstruir a conexão natural durante o dia ou em horários mais convenientes.

8- Outro estudo concluiu que o facto dos bebés eventualmente pararem de chorar e adormecerem não é tão inócuo assim. O que acontece é que o bebé deixa de chorar, os pais deixam de o ouvir e os níveis de cortisol (hormona do stress) dos pais desce, porque deixam de estar preocupados com o choro do bebé. No entanto, os níveis de cortisol elevados do bebé, aquando o choro, mantêm-se elevados durante os três ou quatro dias subsequentes, embora já não expressem o seu stress e angústia através do choro. Com todos os danos para as redes neuronais, do excesso de cortisol.

9- Um outro estudo concluiu que os bebés que tinham sido deixados a chorar excessivamente (e que não exibiam sintomas de cólica) em média obtêm classificações mais baixas em testes de QI e apresentaram também atrasos ao nível da motricidade fina.

10- Outros pesquisadores descobriram que bebés com choro excessivo durante os primeiros meses de vida, mostraram mais dificuldade em controlar as suas emoções, tornando-se bebés ainda mais exigentes em termos de consolo aos 10 meses. Uma pesquisa mostrou ainda que esses bebés têm uma qualidade mais irritante no seu choro, são mais dependentes durante o dia e demoram mais tempo a tornarem-se independentes enquanto crianças.

Texto: Psicóloga pediátrica Clementina Almeida, mentora do projeto ForBabies Especialistas em Bebés; Foto: D.R.

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