Depois de interpretar a vilã Laura, em Sol de Inverno, a atriz volta ao pequeno ecrã com Poderosas, a nova novela da SIC. Maria João Luís dá vida a Jacinta, uma mulher humilde que no passado se apaixonou por José Maria (Rogério Samora). Maria João Luís recebeu a VIP em sua casa.

VIP – Como é que alguém que gosta tanto de mar vem parar ao Alentejo?
Maria João Luís – Gosto da vida, da Natureza. Somos uns privilegiados. O mar diz-me umas coisas, o campo outras, mas o que eu gosto, sobretudo, é de estar viva e de viver em comunhão.

Gosta do mar, da cidade e do campo. Gosta de tudo, portanto...
Gosto muito de viver, de aprender... Tenho a sensação que estou sempre à frente do tempo em que estou, que é uma coisa explicável por psiquiatras.

Este Mundo não a entende?
Entende. Há uma simplicidade em mim e ao mesmo tempo uma procura de seriedade naquilo em que falo e em que vivo e que procuro. Às vezes, é necessário procurar essa seriedade das coisas. Às vezes, é um trabalho que tem de ser feito para nos libertarmos das pressões. Devemos fazer um trabalho de procura dentro de nós próprios. Os modelos que são criados para as pessoas seguirem levam a soluções erradas. Quando a ambição é pesar-se 40 quilos e medir-se 1,80 m e aparecer-se nas capas das revistas, quer se seja ator ou não, quando o protótipo é
vingar-se numa carreira política ou numa carreira que tenha visibilidade, alguma coisa está errada aqui porque nós somos milhões.

Somos pessoas de modas?
O ser humano parece progredir erraticamente e de uma forma que se está a esgotar.

Sente-se impotente para travar isso?
Completamente. Não é uma coisa tratável, é uma coisa que vai rebentar. A dada altura vai haver um boom. Há realidades várias e nós somos 11 milhões. Em África há, por exemplo, mais não sei quantos milhões com realidades distintas. Todo este Mundo está muito maluco. Depois, absorvem tudo aquilo que a sociedade ocidental, a Europa e a América, tem para lhes dar.

Há forma de “meter um travão” nisto?
Não sei... Acredito que a arte tem muito a fazer. Normalmente, sempre que há momentos de grande crise, as pessoas voltam-se para a arte.

Li uma entrevista em que dizia que quando tinha dez anos viu as pessoas na rua a abraçarem-se, a sentirem-se verdadeiramente livres. De alguma forma, sente que continuamos a ser livres ou que, passado este tempo, voltámos a não ter liberdade?
A sensação que tenho é que este povo é gente muito séria e, de certa forma, ingénua.

Passado este tempo, como nos vê?
Já passaram 41 anos desde o 25 de Abril. Somos muito novos e muito manipuláveis. Apesar de todas as pessoas que lutaram pela liberdade serem completamente esquecidas. O 25 de Abril é uma coisa que não é dada na escola. O 25 de Abril, historicamente, é uma coisa que não existe. Como é que é possível que um país que tenha tido centenas de pessoas presas por defenderem a liberdade deste povo e esquece-se completamente das centenas de pessoas que lutaram por ele. É uma coisa muito estranha.
Voltámos a ser pouco livres?
Sem nos apercebermos. As coisas evoluíram de uma forma que não é possível travar. A política é feita de muitos falhanços, de erros e de conquistas, mas, no caso do povo português, de muitos erros e de muitos falhanços e de menos conquistas.

Na representação sente-se mais livre do que na vida real?
Hoje, vejo-me com quase 52 anos e a sentir que o palco é o sítio onde quero estar, mais do que outro sítio qualquer. Ao ponto de achar que vivo quando estou no palco e de achar que quando não estou no palco não estou tão viva. Quando represento estou mais viva, sou mais eu.

Leia a entrevista completa na edição número 931 da VIP

Texto: Humberto Simões; Fotos: Liliana Silva; Produção: Nucha; Maquilhagem e cabelos: Ana Coelho com produtos Maybelline e L´Oréal Professionel

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