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“Sou incapaz de estar sozinha”

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SARA PRATA confessa que, para se sentir bem, tem de estar rodeada de pessoas à sua volta
Optimista, sonhadora, lutadora e apaixonada. Sara Prata mostra à VIP quem é a pessoa por trás de Susana, a personagem com que arranca sorrisos a Portugal na novela Espírito Indomável.

Dom, 06/02/2011 - 00:00

Optimista, sonhadora, lutadora e apaixonada. Sara Prata mostra à VIP quem é a pessoa por trás de Susana, a personagem com que arranca sorrisos a Portugal na novela Espírito Indomável. Numa conversa franca, que partiu do facto de ter estado em cena com o texto Subway – onde seis pessoas ficam presas no metro depois de um acidente, vindo a descobrir-se, no fim da peça, que os intervenientes estavam num reality show –, a actriz abriu o coração e explicou ser uma pessoa que não consegue estar sozinha. Apesar disso, e tendo acabado, recentemente, a relação com João Rodrigues, diz que 2011 não é um ano para voltar a apaixonar-se.    
 
VIP – Na peça Subway, a Sara interpreta uma invisual. Como foi a experiência?
Sara Prata – Foi um universo que tive de explorar. Não quis fazer a imitação de um cego. Falei com o presidente da ACAP, li-lhe a peça e trocámos experiências. Tentei entender o que era viver às escuras.
 
Ficou com vontade de fazer voluntariado?
Eu adorava saber gerir o meu dia de forma a conseguir ter tempo para fazer voluntariado. Antes de fazer os Morangos trabalhei num grupo de teatro de um centro de crianças com deficiência, em Setúbal. Foi maravilhoso. Também já fui por diversas vezes ao IPO. Aliás, se pudesse fazer voluntariado era aí que fazia. É muito doloroso ver um miúdo a fazer quimioterapia. As crianças são sempre crianças. Lembro-me de uma delas, que, na sua ingenuidade infantil, me dizia que era feliz. Os pais é que estavam tristes porque ela ia morrer e iam ter muitas saudades, mas ela não, porque, como ia morrer, não ia ter saudades dos pais.
 
Perdeu avós o ano passado. A morte é um dos seus medos?
Não quero falar sobre isso. Dói muito... Quando perdi o meu avô, foi quase a família Prata que acabou... A minha avó, só não digo que ela foi a minha mãe, porque a minha mãe existe, teve um papel muito importante na minha vida e é horrível não poder recorrer mais a nenhum deles. O pior da morte não é a morte. São as saudades que se têm de quem se ama.
 
O que sente que tem deles?
A minha mãe sempre disse que a minha teimosia é do meu avô. "Tu és mesmo Prata", diz (risos). É muito bom percebermos que temos coisas de pessoas que foram tão importantes na nossa educação.
 
De que outras coisas tem medo?
Cada vez tenho mais medo de multidões, de me sentir apertada. Tenho de dosear muito bem a minha ida a festivais e discotecas. Dez segundos e já estou caída no chão, desmaiada. Passei muito mal nos últimos Santos Populares, em Lisboa, a descer do Castelo. O que vale é que os meus amigos sabem que sou assim e ajudam-me. Eles fazem tudo para estar distraída e para não perceber que estou a ser esmagada pela multidão.
 
Apesar disso é uma pessoa optimista.
Sempre. Estou cá para ser feliz. Sei que viver é difícil, não dou nada como adquirido, sei que tenho de lutar pelos sonhos e isso faz com que acredite que vou alcançá-los.
 
A Sara sonha?
Muito. Quase que me sento a fazer a lista dos meus sonhos e depois vou, sonho a sonho, tentar realizá-los. Alguns já cumpri.
 
Como o sonho de ser actriz?
Sim, mas mesmo nesse meu sonho há outras ramificações.
 
O que lhe falta fazer?
Muita coisa. Profissionalmente, quero vincar a minha carreira, experimentar cinema em 2011 e conhecer outros países. Depois, a nível pessoal, quero ter uma casa, quero ter filhos, quero ter um cão, um gato... Fazer essas coisas todas sem nunca me esquecer de que o sonho maior é ser feliz. E já em muitos momentos da minha vida pude dizer que fui feliz.
 
Qual é a receita?
Estarmos dispostos a viver a nossa própria vida, porque, cada vez mais, a sociedade vive a dos outros e esquece-se de viver a sua própria vida. E tudo passa a correr. Por exemplo, de repente, já tenho 26 anos.
 
Tem medo de envelhecer?
Parece que sim (risos). Quando fiz 26, tive um sentimento engraçado, porque, quando somos pequenos, aos 26 julgamos já ter feito tudo, já somos casados, já temos filhos, mas não, porque realmente somos muito novos. Sinto que agora estou mais madura e que estou a criar uma "adulta boa" e feliz comigo própria.
 
Deixou Setúbal aos 14 anos e foi para Lisboa estudar representação. Sente que foi obrigada a crescer depressa?
Nenhuma criança aos 14 anos está preparada para viver sozinha, acordar sozinha, cozinhar... Já era difícil o suficiente para mim e para os meus pais, por isso, aproveitei ao máximo para mostrar que tinha feito a melhor escolha para mim.
 
Disse que, cada vez mais, se vive a vida alheia. Isso acontece com quem vê as novelas. Sente isso na rua?
Muito, com a Susana. As pessoas são incapazes de olhar para mim sem esboçar um sorriso. Todas as pessoas me tratam por "menina", que é como o Tristão trata a Susana. Eles vivem mesmo aquelas histórias e falam connosco como se fizéssemos parte da família. A identificação connosco é muito grande. Em Espírito Indomável, a parceria com o Pedro Lima foi fantástica. É isso que quero para a minha vida, fazer parcerias com todas as pessoas à minha voltam, porque, sem os outros, não consigo fazer nada. Acredito no karma: "Se faço bem, recebo coisas boas."
 
Vive do contacto com os outros. Acabou a relação com o João Rodrigues recentemente. Gosta de estar solteira?
Não falo sobre o fim da relação, mas posso responder que, por exemplo, não consigo viajar sozinha. Tenho de ter pessoas perto de mim, preciso de partilhar, de ter sempre público. Sou Leão, incapaz de estar sozinha.
 
É plano para 2011 apaixonar-se?
Não! Neste momento estou cheia de pessoas na minha vida. Tenho o coração completamente preenchido de amigos.
 
Texto: Sónia Salgueiro Silva; Fotos: Luís Baltasar; Produção: Romão Correia; Cabelos e Maquilhagem: Vanda Pimentel com produtos Maybelline e L’Oréal Professionnel 

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