Sara Norte recorda morte da mãe
Atriz revela última frase que ouviu de Carla Lupi

Nacional

Sara Norte abre o coração a Fátima Lopes em conversa intensa: «Não pude estar presente naquilo que me competia enquanto filha».

Qui, 17/01/2019 - 16:00

Sara Norte abriu o coração a Fátima Lopes esta quarta-feira, dia 16 de janeiro, no programa A Tarde É Sua, da TVI. 

A atriz, de 33 anos, abordou vários temas, entre os quais a doença/morte da mãe, Carla Lupi, e a fase em que esteve presa. 

A filha de Vítor Norte contou que ficou a saber da notícia do cancro da progenitora, num dia em que a mãe a convidou, juntamente com o irmão Diogo, para irem jantar a sua casa.

«Lembro-me que a minha mãe me deu a notícia num jantar. Convidou-me a mim e ao meu irmão Diogo para jantarmos lá em casa e disse-nos que teria qualquer coisa no pulmão. Ainda não teria a certeza», começa por contar.

O pior estava para vir. Pouco tempo depois, a atriz foi detida em Espanha, no centro penitenciário Buetafogo, em Algeciras, acabando por ficar longe da família nesta altura mais difícil. 

«Passados uns meses eu fui presa, portanto eu não acompanhei a quimioterapia. Não pude estar presente naquilo que me competia enquanto filha. Mas vivi a doença da minha mãe à distância e via-a em cada visita que ela se ia debilitando. A minha mãe para me ir visitar levava duas transfusões de sangue porque eram muitos quilómetros e ela não conseguia aguentar», afirma.

Sara revela que foi muito complicado viver tudo aquilo à distância, uma vez que se sentiu impotente por não só conseguir ajudar a mãe, como também por não estar ao lado dos irmãos e do avô. 

Uma das últimas frases que Sara ouviu da mãe  

«Uma semana antes de falecer a minha mãe disse-me: ‘Eu vou-te visitar, vou ser capaz de me levantar desta cama de hospital e vou-te visitar’. A minha mãe era uma mulher muito forte, mais forte do que eu, sem dúvida, e é muito complicado vermos as pessoas assim enfraquecerem e a ficarem sem força, sem vontade de viver», revela.

O momento mais difícil chegou, com a morte da atriz. «A morte dela foi o que mais me custou. A minha mãe mesmo na doença sempre foi muito forte. Agora não saber como é que os meus irmãos e o meu avô estavam a lidar com isso e a impotência. Nós quando estamos fechados não temos mais nada para fazer e então estamos sempre a pensar e uma pequena coisa como receber uma carta, é uma festa. Ali vive-se tudo no limite. Quando a minha mãe morreu foi muito difícil», confessa.

Quando soube da morte de Carla Lupi, Sara estava a fazer exercício. Segundo a própria, foram uma psicóloga e uma assistente social que lhe contaram o que tinha acontecido e a jovem não conseguia acreditar.

«Pensei que era mentira porque tentei ligar para o telemóvel da minha mãe e ele ainda tocava. Depois disseram-me que era verdade», revela.

Sara Norte está mais dedicada que nunca ao trabalho e prova disso são as consequentes homenagens que a atriz faz à mãe. A mais recente foi no filme Fátima, que terá estreia marcada para breve, no qual Sara interpretou uma personagem com o nome de Carla, nome esse que foi escolhido pela própria como forma de homenagear a mãe.

No entanto, este não é o único momento no filme em que Sara recorda a mãe. Numa cena, passada durante a procissão das velas, em Fátima, Sara pediu ao realizador que a deixasse colocar uma vela, uma vez que é algo que faz sempre que passa por uma igreja.

«A minha personagem foi uma homenagem a ela, portanto, o filme acaba com a procissão das velas e eu a meio das gravações disse ao João: ‘Não, João, eu preciso mesmo de ir pôr a velinha para a minha mãe, que eu ponho sempre que passo numa igreja’ e ele autorizou, claro, e lá fui eu para a procissão das velas, foi emocionante», desvenda.

A filha de um dos atores mais conceituados do nosso País afirma ainda que todas as suas vitórias são para Carla Lupi, uma vez que sabe que a mãe vai ficar orgulhosa do trabalho que tem vindo a desenvolver.

«As minhas vitórias são todas para a minha mãe porque sei que ela vai estar orgulhosa disso e era a pessoa que mais se orgulhava, o meu pai também se orgulha, mas a minha mãe era mais de demonstrar».

Vida de Sara Norte precisava de um «travão»

A artista considera que os 16 meses em que esteve presa foram uma questão de «sorte», uma vez que considera que a sua vida precisava de «um travão». No entanto, tem pena que a detenção tenha ocorrido na altura em que a mãe mais precisava dela. 

 

 

Já no que diz respeito ao apoio que recebeu enquanto esteve presa e após a morte da mãe, Sara conta que teve junto a si cerca de 100 ou 120 reclusas das mais variadas etnias.

«Tive quase 100 ou 120 mulheres do meu lado. Eram de várias etnias. Estava com ciganas, árabes, espanholas, portanto toda a gente se juntou a mim. Todas foram realmente incríveis», assume.

Ainda assim, após ter saído da prisão, Sara viveu momentos muito complicados porque voltou a locais onde já tinha sido feliz ao lado da mãe, e isso foi algo que lhe custou bastante.

«Mas quando saí voltei a sentir a morte da minha mãe, parecia que não tinha assimilado. O voltar aos sítios onde tinha estado com ela, o estar com os meus irmãos, com o meu avô... acabei por reviver tudo. Acho que fiz dois lutos e acho que ainda não ultrapassei, nem sei se alguma vez se ultrapassa. Pode-se aprender a viver melhor com isso mas eu acho que vou sempre sentir falta da minha mãe, sempre».

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Texto: Redação WIN – Conteúdos Digitais; Fotos: Impala e Reprodução Instagram

 

 

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