Ricardo Raposo
Confessa quais foram as últimas palavras de Maria João Abreu

Nacional

Ricardo Raposo recordou um dos momentos mais difíceis da sua vida, com a morte da mãe, Maria João Abreu, que faleceu em maio de 2021, vítima de um aneurisma cerebral

Sáb, 15/01/2022 - 19:08

Ricardo Raposo foi o convidado do último “Alta Definição”, conduzido por Daniel Oliveira. O ator, de 29 anos, recordou um dos momentos mais difíceis da sua vida, com a morte da mãe, Maria João Abreu, que faleceu em maio de 2021, vítima de um aneurisma cerebral.

O ator confessa que, durante as duas semanas em que a atriz da SIC esteve internada, esteve todos os dias no hospital. Depois da segunda operação, Ricardo relembra que Maria João Abreu, ainda consciente, pediu aos médicos para os filhos entrarem no quarto onde estava internada. Sem saber, estas foram as últimas palavras dela para os filhos, Ricardo e Miguel Raposo.

“Ela teve o derrame do aneurisma, foi operada duas vezes, porque a primeira não correu bem. A segunda correu bem. A seguir à segunda, eu estava lá com o Miguel e o João e ela pediu para entrarem os filhos”, começa por dizer.

“Fomos lá e ela estava muito sedada. Conseguiu tirar a máscara e só dizer-nos: Amo-vos muito, beijinhos. E pôs a máscara outra vez. Foi isso, foram as palavras finais”, relembra.

Ricardo assume a Daniel Oliveira que sente que teve uma vida ao lado da mãe “concretizadíssima” e que, por isso, guarda apenas boas memórias. Tanto ele, como o companheiro de Maria João, João Soares, e o resto da família não arredaram pé do hospital durante o internamento da artista.

“Sinto que estive com ela. Li-lhe um livro nestas duas semanas no hospital na íntegra. Foi “No Teu Deserto”, de Miguel Sousa Tavares. Cantámos-lhe canções, dissemos-lhe muita poesia, nós estávamos lá. Estes momentos foram muito plenos, apesar da dor”, afirma.

“Deixas de ouvir a respiração com os aparelhos”

O filho da falecida atriz revela que, no dia da morte (13 de maio), cantou-lhe uma das suas músicas preferidas, juntamente com João Soares: “Quando no último dia eu e o João cantámos uma música, a “Black” dos Pearl Jam, quando no último acorde de repente tu deixas de ouvir a respiração com os aparelhos, foi qualquer coisa inexplicável”.

“Parece mesmo que ela esteve a escutar a musica até ao fim e que depois foi em paz. E nós ficámos em paz também. Não acredito em transcendências do universo, mas ela escolheu assim. Em última instancia. Por isso, ficámos em paz com isso, apesar da dor”, diz, referindo que não fazia ideia de que seria a última música.

Ricardo Raposo assume que fizeram de tudo para que Maria João estivesse no seu “melhor conforto”: “Estivesse onde estivesse, no fundo ela estava viva. Apesar do coma, ela estava ali a respirar e era só o que nos interessava, que ela estivesse bem , onde quer que estivesse”.

“O pior é lembrar-me de que ela não está viva”

“A esperança é que ela esteja bem, acima de tudo (…) Nós sabíamos que o que ela queria mesmo era estar bem, mesmo que isso implicasse partir para outra dimensão”, acrescenta. Apesar de encarar o que aconteceu com um pensamento positivo, Ricardo não esconde a dor e prefere aceitá-la como algo natural.

“Choro praticamente todos os dias. Às vezes nem à Rita quero mostrar os meus momentos de mágoa, mas devemos assumir isso, que o choro é igual ao riso, no que toca à espontaneidade das pessoas”. O ator conta que, por vezes, não se lembra de que a mãe morreu: “O pior é lembrar-me de que ela não está viva”.

“Quando eu não me lembro que ela não está viva, parece que está. Essa é magia da vida”, remata.

Texto: Inês Borges; Fotos: Reprodução Instagram

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