Merche Romero
Revela que já se aproximaram dela por interesse

Famosos

“Fui burlada, sofri muito”

Sex, 06/03/2015 - 00:00

Ser figura pública não tem só um lado cor­-de­-rosa e Merche Romero que o diga, pois já sentiu na pele o reverso da medalha. “Já me fizeram mal”, contou a apresentadora, revelando à VIP a história por detrás desse episódio que a fez passar por um grande momento de provação, que enfrentou com todas as forças: “Acredito que há sempre volta a dar.” Sem trabalho na televisão, neste momento, Merche Romero está mais ligada à moda e pretende “atingir o mercado espanhol”.

 

 VIP – Está mais dedicada à moda e um pouco afastada da televisão. Fale­-nos desta sua atual fase profissional?

 

Merche Romero – Estou numa fase de mudança, tenho outros objetivos. Não vou avançar muito, a não ser que quero atingir o mercado espanhol. Estou a fazer por isso. 

 

É um regresso às origens?

Quem sabe... Em Espanha sou a portuguesa e em Portugal sou a espanhola. É uma vantagem que tenho, ser bilingue...

 

Tem dupla nacionalidade?

Por acaso não, tenho só nacionalidade espanhola, mas é por uma questão burocrática. O meu filho tem, a minha mãe também, só eu é que não. Comecei a ir a Espanha para visitar o meu irmão e então comecei a olhar para um país que está aqui ao lado e que é um mundo muito maior. Estou a pensar tirar um curso lá. Mas também quero continuar a trabalhar cá, a fazer aquilo que vá surgindo e com que me identifique. Esta é a melhor fase da minha vida neste sentido: fui mãe, tenho tempo para parar, pensar e escolher. Obviamente, tentando fazer aquilo de que gosto e que sei fazer melhor, que é apresentar. Não é fácil, não tenho cunhas, mas acredito que tenho talento e vontade. 

A televisão é o seu principal objetivo para o país vizinho, ou também vai apostar na área da moda?

Tudo o que vier. Tenho essa mais-valia, que é conseguir juntar as duas coisas. Não sou mulher de ficar de braços cruzados. Aqui, neste momento, sinto que o tempo parou... Gostava de ver o País melhor, principalmente na minha área. Acho que está tudo muito monopolizado. Não tenho qualquer medo em dizer o que penso, nem de dizer que sofri e que me magoaram mais uma vez. Este é um mundo muito instável. Tudo gira à volta de alguns interesses, de um mundo que envolve muitas outras coisas. Mas, quando sentimos que não estamos bem, mudamos. E é isso que estou a fazer. Até podia pensar ir para o México, mas tenho um filho e quero­-o próximo, quero um bom futuro para ele e estou a pensar nisso tudo. Além disso, acima de tudo, estou viver, a investir em mim. Continuo a gostar muito de Portugal porque os portugueses continuam a gostar muito de mim. Portugal recebeu­-me sempre muito bem, de nada posso queixar­-me. Também sei que sou boa profissional. Por mais que, às vezes, nos pintem de outra forma, temos de defender aquilo que somos. Agora está na hora de evoluir e aqui já não tinha muito para evoluir, pelo menos por agora.  

 

Qual é a pior parte da instabilidade da sua profissão?

A pior é sentirmo­-nos frustrados, é sentir o tempo a passar e sabermos que temos mais para dar e estarmos parados. Mas acredito que há sempre volta a dar. Tudo muda num segundo, para o bom e para o mau. Não guardo rancores de nada. O meu maior objetivo é ser feliz. Na minha vida, cresci e e aprendi, aprendi a proteger­-me e a defender­-me. Não deixo de dizer o que penso. Não acho que tenhamos de ser criticados nem castigados por dizermos o que pensamos. 

 

Nota­-se que é uma mulher muito positiva ou que, pelo menos, tenta ser...

Sou, não quer dizer que também não chore muito. É esse o truque. Quando estou triste, choro, e no dia a seguir passa­-me. É uma terapia que tenho. Sou capaz de me desatar a rir ainda cheia de lágrimas. É uma característica dos espanhóis e nisso identifico­-me muito com eles. Tem­-me feito muito bem ir a Espanha. Vou lá carregar baterias.

 

Ainda tem família lá?

Sim, metade. Inclusive, o meu irmão mais novo, que foi para lá há quatro anos e está feliz, não pensa voltar. Tenho alguma pena que os jovens estejam a partir porque não conseguem vingar nem trabalhar na profissão que escolheram. Em relação a mim em concreto, como disse, não fico de braços cruzados, vou até onde posso ir e as coisas vão acontecer de certeza, porque mereço.

 

Ainda tem a marca de roupa My Rule? 

Neste momento, está a ser feita a nova coleção para o verão, mas será uma coleção flash. Estou a concentrar­-me no futuro, mas sem dúvida que a marca vai continuar. Tenho de estudar a hipótese de trabalhar com algumas fábricas novas. 

 

Recuando ao início da sua carreira, já está neste mundo há muitos anos... 

Comecei em 2002. Não gosto de fazer muitas contas. Gosto de viver. Já fiz tanta coisas, mas sem dúvida que o meu início foi o Portugal no Coração.  

 

Formou­-se em Turismo e foi hospedeira de bordo. Como é que se deu a mudança de área?

Quando tirei o curso de Turismo já estava inscrita numa agência de modelos. Comecei a trabalhar muito nova, com 15 anos, fazia as feiras na FIL porque sabia falar espanhol. Aos 19 anos fui trabalhar como assistente de bordo, mas ao mesmo tempo trabalhava como manequim. Quando as duas coisas deixaram de ser compatíveis, saí dos aviões, onde já era efetiva e chefe de cabine, e acontece a televisão. Sou convidada para ir a um programa falar sobre Ibiza e alguém gostou de mim. Convidam­-me para fazer um programa que se chamava O Metro à Superfície, da NTV. Depois, o Castro Ribeiro, que é a pessoa que mais guardo no meu coração, foi buscar­-me para o Portugal no Coração, da RTP. Aprendi com a prática. O [José Carlos] Malato também foi uma grande ajuda, um grande professor e colega. Depois, acontece o Portugal em Festa, onde fiquei um ano. Neste momento, não tenho qualquer vínculo com a SIC, quero deixar isso claro, apesar de não estar chateada. Se me quiserem convidar para alguma coisa, cá estarei para negociá­-la. 

 

As tatuagens são uma das suas imagens de marca. Como começou este gosto?

Fiz a primeira durante uma viagem com amigos a Ibiza. Tinha 18 anos. Já na altura tinha a perfeita noção que tinha uma estrelinha e que sou abençoada. Então, fiz uma estrela-do-mar nas costas. Gosto dessa arte, por isso decidi marcar no meu corpo todas as fases simbólicas da minha vida. Todas as minhas tatuagens têm um significado, mas nem todas revelo porque é muito pessoal. 

 

Acredito que o marco mais importante da sua vida tenha sido o nascimento do seu filho?

Que também já cá está tatuado. Além de ter saído da minha barriga, está na minha barriga. Mais filhos tivesse, mais filhos tatuava.

 

Ter mais filhos ainda continua a ser um objetivo?

Não é o momento certo, mas como a vida é que nos indica o que tem de acontecer... let her go, deixa rolar. Agora, preciso de estabilidade, pelo meu filho. Quando não temos filhos, podemos voar de outra forma; com um filho é diferente.

 

Tem mais preocupações...

Ele é um pedaço de mim, nem consigo fazer ou pensar a minha vida sem ele. Se tiver de fazer esforços por ele, farei. Todos. Agora, viver sem ele, nunca na vida. Se há uns anos atrás pensasse em ir embora, pegava um avião e ia. Sou uma aventureira. Sou capaz de ser feliz em qualquer parte do mundo, adapto­-me bem. Iria com uma mala às costas. Com um filho não, penso primeiro nele. 

 

O António Salvador tem três anos. Em que fase está?

Na melhor. Digo sempre isso, mas acho que todas as mães dizem. O meu filho é inacreditável. Quando digo que sou abençoada é verdade. Ele tinha que nascer... Quando olho para ele e vejo aquele pequenino que me lê tão bem, que sabe quando estou bem ou não... É inacreditável a sensibilidade que o meu filho tem e é isso que quero que ele não perca, porque as pessoas tornam­-se insensíveis com o tempo e acho isso terrível... Sou uma mulher muito sensitiva e o meu filho também é, assim como o Tó [António Pereira], o pai dele. O Tó tem uma sensibilidade interior fantástica e eu tenho uma sensibilidade que exteriorizo muito. O meu filho herdou esta característica dos dois. São tantas as vezes em que vemos coisas do nosso filho, olhamos um para o outro e desatamos a rir! 

 

O António Pereira apoia­-a bastante?

Falo sempre nele. Ele é o pai do meu filho. Vamos ter uma relação para o resto da vida.

Está em boa forma física. Sente muito a pressão da sociedade para estar sempre bem?

Eu é que sou muito exigente comigo própria e mais ainda à medida que os anos passam. Treino todos os dias, faço uma alimentação equilibrada. Não quer dizer que ao fim de semana não cometa as minhas loucuras, mas também é ao fim de semana que tenho mais trabalho, por isso, é quando gasto mais energia. Eu, inclusive sem querer, eduquei assim o meu filho. Ele é capaz de pedir: “Mãe, hoje quero peixinho.” Curiosamente, eu aprendi não por ser manequim. Estive doente, há uns anos atrás, apanhei hepatite A em Cabo Verde através da comida. A hepatite A ensina­-nos a comer porque ficamos doentes do fígado e, então, passamos a ter uma alimentação equilibrada, caso contrário, não se cura. Nunca mais me esqueço, ainda era hospedeira. Mas quando deixar de ser manequim, vou continuar a ter cuidado, porque sou vaidosa e gosto de cuidar de mim.

 

Foi a vaidade que a levou a fazer algumas intervenções estéticas?

É público que já recorri a intervenções estéticas, sou a imagem da Clínica Luso Espanhola. Se nós não gostamos de algo no nosso corpo, porque não mudar, se a cirurgia avançou tanto? Por que razão se critica os que fazem? Acho que quem critica é quem gostava de fazer e não tem coragem. É obvio que há pessoas que caem no exagero e ficam bonecas... Lembro­-me perfeitamente que não tinha peito e quando começaram a surgir as modelos com peito, eu, que fazia todos os catálogos de biquíni, de repente deixei de fazer. Se não fosse por trabalho não o tinha feito, mas hoje em dia agradeço, porque dá autoestima. 

 

Tem algum sonho por concretizar?

Acho que tenho tantos sonhos... Quem deixa de sonhar, deixa de viver. Acho que viver é sonhar constantemente, é querer, fazer planos, imaginar. O meu sonho é ser feliz ao máximo e fazer feliz. Não somos felizes sozinhos. 

 

Já algum dia sentiu que alguém se aproximou de si por interesse?

Isso acontece, sendo figura pública ou não. No momento em que uma pessoa tem contacto, passa a interessar. Hoje em dia é assim, mas temos de nos proteger. Já me fizeram mal, isso é outra coisa. Já fui burlada, sofri muito financeiramente. Só quero dizer isso, não vou entrar em pormenores. Sofri pessoalmente porque acreditava, porque achava que tinha amigos e, quando dei conta, o telefone não tocava. 

 

Vou insistir. Está a dizer que já foi enganada? 

Já. Já fui burlada, o que ainda é pior. Foi uma coisa muito grave que já tem alguns anos, mas que demorou muito tempo para terminar. 

 

Já está resolvido?

Espero que sim. Sabemos como funciona a Justiça em Portugal, infelizmente. Entristece­-me que seja tão tardia e que me tenha obrigado a fazer determinadas coisas com que não concordo nada, como ir para tribunal, etc. Detesto injustiça, é uma coisa que me tira do sério. É a injustiça e a maldade. Fizeram­-me mal porque acreditei, porque parto do princípio que as pessoas não têm maldade. Avisaram­-me, mas eu não fui a única a passar por isto. Acho que toda a gente tem uma história destas para contar. Há sempre uma altura da nossa vida em que nós somos enganados economicamente e eu levei uma chapada muito grande. E ainda me estou a levantar dela. Mas, como digo, eu levanto­-me e continuo a andar em frente.

 

Pode revelar quem a enganou?

Não. Foi um comum mortal, não é uma pessoa conhecida, portanto, não tenho que o expor. Ele sabe o mal que me fez. Quero que sirva de alerta para todos, um conselho que deixo a quem não lê as letras pequeninas: cuidado com o que assinam, cuidado com quem têm ao lado, com quem têm dinheiro, principalmente. Ao virar da esquina há quem queira roubar sem ter de tirar a carteira. Um alerta muito grande para as pessoas que se aproximam de nós como amigos... na altura, até foi, eu acreditei e pronto. O meu irmão passou por uma coisa do género, por uma pessoa que não imaginava, um advogado conhecidíssimo que o roubou e fugiu para o Brasil. Podia dizer o nome porque ele é conhecido, mas não vou dizer. Eles sabem e se lerem isto, melhor ainda. Não vou presa por dizer a verdade, quem diz a verdade não merece castigo e eu já sofri o que tinha a sofrer. 

 

Em que situação é que foi burlada? Quanto dinheiro lhe roubaram?

Foi mais um episódio na minha vida, mais um obstáculo, não importa quanto nem quem, pois tudo isso está na Justiça. Todos temos episódios destes na nossa vida, infelizmente. Este foi só mais um, como lhe disse. Tudo me torna mais forte. 

 

Texto: Ricardina Batista; Fotos: Zito Colaço

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