A ideia partiu de Manuela Pereira, da empresa A Minha Vida Dava Um Livro, que permite a qualquer pessoa pedir que seja escrita uma biografia. Pela primeira vez, a escritora decidiu escrever a biografia de uma figura pública. A escolha recaiu sobre a Lídia Franco. “As biografias que tinha vindo a escrever eram de pessoas sem exposição social e comecei a sentir a necessidade de ter um projeto literário mais exigente e ambicioso. A Lídia surgiu pela figura forte que representa no mundo da representação. Uma mulher que lembro desde sempre, já desde a altura que eu, menina, a via em O Tal Canal. Há pessoas que nos acompanham e nos entram casa adentro por gerações. Admiro-a como profissional, pessoa, mulher e ser”, diz a autora. 

 

Já a atriz ficou lisonjeada e gostou do processo de escrita. “Achei graça, há meses que nos encontramos regularmente, vou-lhe mostrando algumas fotografias e tem sido muito agradável. Nunca tinha pensado nisso e foi ótimo porque me fez relembrar partes da minha vida, algumas estavam já arrumadas”, diz, realçando: “Vivi numa época tão diferente da atual... Lembro-me de coisas, sei que aconteceram comigo, mas parecem de outra era. Ser despedida do ballet da Gulbenkian porque queria viver sozinha é inacreditável. As coisas agora não acontecem da mesma maneira. A traição continua a acontecer, e com certeza haverá jovens que têm a ingenuidade que eu tinha, mas eu não sabia, na minha ingenuidade, que as pessoas próximas mentiam. Acho que, hoje em dia, os jovens de 18 anos sabem que até os mais próximos podem mentir.” 

 

Do resultado final destaca os depoimentos de Maria João Serrão, Carlos Fragateiro e Márcia Haufrecht, e o prefácio de Herman José. “Sobretudo, os depoimentos de pessoas que me conhecem do trabalho. Eu li os depoimentos deles e, com toda a franqueza, não me reconheço. Não sabia que eles me viam assim, tocou-me bastante, portanto, talvez os depoimentos sejam o que me tocou mais. É um pouco estranho vermo-nos assim de fora. Como costuma dizer-se, primeiro estranha-se, depois entranha-se. Mas acho que quem ler o livro fica a conhecer-me muito melhor.”

 

Lídia Franco estudou dança, foi bailarina e depois de vários anos atribulados descobriu a sua vocação de atriz. Estreou-se no Teatro Estúdio de Lisboa, com uma peça de John Osborn, trabalhou com grande parte dos atores e realizadores portugueses e teve também uma carreira internacional, que não foi mais longe porque quis sempre dedicar-se ao único filho, Miguel. Agora, é o neto, Alfredo, de um ano, o centro das suas atenções. “Sinto que ainda tenho muito pela frente. Felizmente, a média de esperança de vida já está bastante aumentada. Eu não olho para trás. Se calhar, como na minha vida muitas coisas aconteceram um bocadinho tarde, é por isso que ainda me sinto muito a meio da vida e estou a viver uma nova juventude como avó. Isto é uma maravilha, não há palavras que descrevam o que sinto em relação ao meu neto”, realça a atriz. 

 

Leia a pré­-publicação do livro na edição número 919 das VIP. 

Texto: Elizabete Agostinho; Fotos: Impala

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