O estilista Pedro Victor foi convidado para representar Portugal no Vancouver Fashion Week, depois de ter visto o seu nome recusado no Portugal Fashion.
A “nega” não desmotivou o criador, que foi padeiro durante quase duas décadas. Agora, só falta angariar a verba de que necessita para ir ao Canadá e mostrar o que a moda portuguesa tem de melhor.

VIP – Apesar de ser pouco conhecido no nosso país, foi convidado para representar Portugal num grande certame de moda internacional…

Pedro Victor – Vesti durante quase um ano o Cláudio Ramos, e também o João Manzarra, por pouco tempo. Trabalhei como estilista com grandes marcas nacionais, mas esta vida é incerta. Desenhamos umas temporadas e “deitam-nos fora” para renovar a marca. Depois, decidi registar a minha marca. Com muita dificuldade, faço peças que vou vendendo a amigos e conhecidos.

Pouco antes de surgir o convite para o Vancouver Fashion Week foi recusado pelo Portugal Fashion. Como geriu esse “não”?

Estou, neste momento, a concorrer a várias semanas da moda. Do Portugal Fashion responderam-me com um “não”. Disseram que tinha de esperar pela minha vez, porque estão a ficar superiores à ModaLisboa. Não entendi muito bem...

Ficou magoado?

Fiquei, muito. Sou apaixonado pelo que faço. Sem a moda, a minha vida não tem sentido. Fiquei muito triste quando recebi o “não” do Portugal Fashion, mas não desisto. Vou continuar até chegar a minha vez.

Como surgiu o convite para o Vancouver Fashion Week?

O evento é diferente do que se faz em Portugal. Aqui é para criadores nacionais. No Canadá selecionam um criador de cada país. Este convite surgiu dois dias depois do “não”. Fui ao correio e vi a carta. Não estava à espera e até achei que fosse engano. Enviei um email a perguntar se era mesmo para mim (risos). Disseram que sim e que me tinham selecionado para representar a moda portuguesa. Fiquei radiante! Tinham-me fechado uma porta em Portugal e este evento, que é de importância superior e que vai ter lugar entre 16 e 21 de setembro, selecionou-me…

Já tem a mala feita e a coleção pronta para levar para o Canadá?

Tenho tudo desenhado e algumas peças já feitas, mas, para poder ir, ainda tenho de angariar dinheiro… São 12 mil dólares, cerca de 8500 euros, e ainda só consegui cerca de 600 euros. Estou a pedir patrocínios quase há dois meses e a data do evento está quase a chegar… Espero que algum empresário acredite no meu trabalho.

A sua vida tem sido sempre uma luta?

Só quem me conhece, sabe o que já passei. Já passei fome por causa da minha marca, porque todo o dinheiro que tinha, canalizava para as minhas criações. Não me arrependo.

Como iniciou o seu percurso na moda?

Estudei até ao nono ano e decidi que queria trabalhar e ganhar o meu próprio dinheiro. Fui trabalhar para uma padaria e lá fiquei durante 18 anos. Fui padeiro até aos 31, mas tinha o “bichinho” da moda desde miúdo. Nessa altura, desenhava os vestidos para os bailes de finalistas das minhas amigas e foram elas que me pressionaram, mais tarde, a tirar o curso. Durante os três anos de curso continuei como padeiro, em Aveiro. Entrava ao serviço às 21 horas e saía às 6h30 da manhã para apanhar o comboio para o Porto. Foram anos muito duros, mas tinha de fazer esse sacrifício. Com um mês e meio de aulas, participei no meu primeiro concurso e fiquei em segundo lugar. A partir daí, ganhei sempre os concursos em que entrei.

Alguma vez pensou em desistir?

Nunca. Fiz muitos sacrifícios, mas nunca me passou pela cabeça desistir. A minha vida era mais difícil quando era padeiro, pois era infeliz.

Acredita que a sua vida pode mudar com a presença no Vancouver Fashion Week?

Acredito, pois vou mostrar o meu trabalho ao Mundo. Há entrevistas marcadas para diversos canais de televisão e a garantia de publicar o meu trabalho em revistas especializadas. Só espero conseguir os oito mil euros de que preciso para poder ir mostrar a minha coleção.

Texto: Cynthia Valente; Fotos: Luís Baltazar; Produção: Manuel Medeiro; Maquilhagem e cabelo: Atelier Paula Lage – Braga

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