Melânia Gomes
Protagoniza monólogo encenado pelo marido

Famosos

Aos 30 anos, a atriz
dá vida a uma
septuagenária

Sex, 24/10/2014 - 00:00

Melânia Gomes entregou-se, de corpo e alma, ao maior desafio da sua carreira. Aos 30 anos, a atriz dá vida a Silvina, uma peculiar septuagenária sem papas na língua, no divertido monólogo Comunicado à População de Portugal por Silvina Godinho, que está em cena no Teatro da Trindade, em Lisboa, e que é encenado pelo seu marido, Mário Redondo.

VIP – Criou a personagem Silvina, do monólogo Comunicado à População de Portugal por Silvina Godinho, há cinco anos. Por que razão este destaque agora?
Melânia Gomes –
A fase criativa foi longa. O primeiro espetáculo foi para a Escola Superior de Teatro e Cinema, integrado no Mestrado de Encenação do Mário, em 2010, na Academia de Santo Amaro. Foram duas exibições. Em 2012, estive uma temporada na Sala-Estúdio do São Luiz. Nessas fases, nunca era assumido que era um texto e uma atriz e que era eu que o faria. A ideia era divulgar a Silvina Godinho enquanto pessoa. Fazer com que acreditassem que existia.

O que mudou?
Estando agora numa sala como a do Teatro da Trindade, o projeto mudou de objetivo e passei a ter de assumir, depois de a Silvina já ter o seu público, que era eu a representá-la. Criar a surpresa para quem acreditava que era uma mulher real e não uma personagem. E apresentá-la, e a mim, a quem não a conhecia, para chegar a mais pessoas.

Como tem sido dar vida a Silvina?
Tem sido muito bom. Maravilhoso e super libertador. Criativamente, é muito estimulante. A Silvina vê as notícias e faz a sua interpretação. É muito engraçado ter esta liberdade criativa. É bom viver verdadeiramente outra pessoa. Faço a minha vida com a Silvina. Vou à rua e às lojas assim, na pele da Silvina. Antigamente não sabiam que era eu e acreditavam que era uma senhora mais velha. Ajudavam-me e davam-me prioridade no trânsito. Era giro porque sentia que, inicialmente, as pessoas tinham uma certa repulsa, mas sentiam curiosidade.

Podia limitar-se a criar a personagem mas vive intensamente a Silvina, chegando a comer coisas que não fazem parte da sua alimentação e sim da dela...
Quisemos levar isto ao máximo, ao extremo. Quando estou em modo Silvina, estou mesmo. Fui chegando a uma fase em que é muito difícil controlar-me e comportar-me de outra forma. Ao início, era diferente porque estava a descobri-la, a encontrá-la. Agora, já não consigo ser de outra forma. É libertador. Foi uma conquista que fui tendo.

Recorre ao humor para meter o dedo na ferida em relação a muitos problemas da sociedade. As gargalhadas são a melhor forma de levar os problemas às pessoas?
Claro! Acredito nisso. Dizer que tudo está mal é aquilo que todas as pessoas fazem. Dar uma ideia com humor e com inteligência é mais interessante. As pessoas vão rir e vão ser marcadas de uma forma mais positiva do que se fosse com um simples protesto.

É um projeto familiar. Como é trabalhar com o seu marido, que é o encenador?
É muito fácil trabalhar com o Mário porque é um excelente encenador. Além disso, conhece a personagem desde o primeiro dia, tal como me conhece muito bem. Às vezes, nem é preciso falar com ele porque sabe o que estou a pensar. Há uma grande cumplicidade entre nós.

O Mário já se habitou a viver com duas mulheres?
Isso devia perguntar-lhe a ele (risos). Acho que já está habituado a viver com duas mulheres lá em casa porque isto já dura há muito tempo.

O que se segue, depois da Silvina?
Não estava a contar ter tanta recetividade e tanta procura, com várias pessoas a pedirem para que a Silvina vá ter com elas. Vou fazer uma digressão com o espetáculo Boeing Boeing mas, se calhar, também faço uma com a Silvina, e não estava a contar com isso. A vida de ator é mesmo louca. Também vai estrear o filme Virados do Avesso. No início do próximo ano vou filmar o 7 Pecados Rurais 2.

Para quando o regresso à televisão?
Está previsto para muito breve. Não quero falar muito disso agora, mas vou gravar uma telenovela.

Festejou, recentemente, os seus 30 anos. Como se sente na pele de uma trintona?
É igual (risos). Desde os 18 anos que faço personagens com 30. Agora, estou a fazer uma com 70. Por isso, está a correr tudo bem (risos). Sempre fui muito madura e responsável. Cómica, alegre e louca, mas muito séria. Os 30 não vão trazer nenhuma alteração. É engraçado e é um número giro.

Como imagina os próximos dez anos?
A minha principal meta é ser atriz. Sempre! Vejo-me sempre como atriz. Acho que vou fazer muita coisa. Vejo-me bem, com saúde, feliz e cheia de trabalho. Vejo-me com um percurso lá fora e com mais cinema no currículo. Sou uma apaixonada pelo que faço.

Texto: Bruno Seruca; Fotos: Bruno Peres; Produção: Romão Correia;
Maquilhagem e cabelos: Ana Coelho, com produtos Maybelline e L’Oréal Professionnel

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