Ana Cristina Oliveira
“Os sins destacam-se de milhões de nãos que ouvi”

Famosos

Confessa que o sucesso que alcançou na moda e no cinema a fez parar, mas agora vai voltar

Qui, 19/02/2015 - 00:00

A moda surgiu na sua vida por acaso, mas aos 17 anos já estava a trabalhar no Japão. Deixou a sua marca em todos os locais do mundo onde a moda é notícia e trabalhou para os grandes nomes da indústria. Fez também anúncios internacionais e tornou-se atriz, tendo trabalhado com diversas estrelas de Hollywood em projetos de grande sucesso. Falamos de Ana Cristina de Oliveira, que divide a sua vida entre Lisboa e Los Angeles. Depois de alguns anos dedicados aos estudos chegou o momento de voltar a apostar na representação. 

 

VIP – Como é que a moda surge na sua vida?

Ana Cristina de Oliveira – Foi um acaso. Estavam a fazer um casting para uma marca de cosméticos que nem sei se ainda existe em Portugal. Disseram-me para fazer o casting e acabei por fazer o trabalho sem nunca pensar que seria a minha profissão.

 

E com 17 anos muda-se para o Japão…

Exato.

 

Como foi essa experiência para uma adolescente que é filha única?

Hoje em dia as coisas são muito diferentes. Não se pode comparar sair de Portugal com 17 anos, em 1991, ou uma adolescente com essa idade agora, em 2015. Em 1991 não havia um restaurante de sushi em Portugal. Nem sequer um McDonald´s. Cheguei a Tóquio e a realidade era diferente. Sendo filha única nunca tive de repartir um quarto e tive de o fazer com a Emily, a minha primeira colega de quarto.

 

A única opção foi crescer depressa?

Claro! Sobreviver ou “morrer” (risos). Era um pouco assim. Se ainda hoje se diz que temos um mercado pequeno no que à moda diz respeito e também televisão, como era em 1991? Ainda hoje se diz que não nos podemos comparar com outros mercados. Quanto mais naquela altura. Cheguei a fazer três trabalhos no mesmo dia. 

 

Esse ritmo impediu que existissem quebras em que se fosse abaixo e em que pensasse regressar a Portugal?

Nunca tive um momento assim. Sinto saudades. Ainda hoje tenho saudades da minha mãe e dos amigos quando estou fora. Também me dão saudades certas comidas.

 

Por falar em comida, viveu um episódio caricato na sua primeira estadia no Japão…

No Dia de Portugal estava desesperada para comer qualquer coisa portuguesa. Como podia fazer isso em Tóquio? Então tive a lata de ligar para a Embaixada de Portugal para saber se ia ser feita alguma festa (risos). Realmente houve festa e fiz-me de convidada. Disse que era menor e que tinha muitas saudades de Portugal. E acabei por ser convidada. Lembro-me de que existiam cozinheiros portugueses e que o prato principal era feijoada. 

 

Este episódio revela a sua maneira de ser. É assim que lida com as coisas?

Acho que sempre tive um pouco de lata. Se perguntar e se não tiver sorte, não morro por causa disso. Mas se conseguir valeu a pena. 

 

Depois nunca mais parou e deixou a sua marca nos principais palcos da moda mundial. Qual o local que guarda com mais encanto?

Adorei o Japão. Los Angeles é especial. Paris foi a cidade que menos me encantou.

 

E a nível de criadores e marcas. Quem a marcou mais?

Adorei o Calvin Klein. Era muito porreiro.

 

Até que surge um anúncio internacional...

Tinha feito o casting para a Levi’s em Los Angeles e depois fui para a Austrália. Quando lá estava disseram-me para regressar. 

 

Ganhou o casting. Tinha noção da dimensão do trabalho?

Não! Era um casting como outro qualquer. E isto aplica-se a qualquer casting que tenha feito. Nunca se tem a ideia. 

 

O anúncio é internacional e um grande sucesso. Ainda se recorda do que sentiu? 

Adorei fazer esse trabalho, mas consigo abstrair-me. Tenho quase vergonha de ver aquilo que faço. “Aquela sou eu?”, pergunto. Não no sentido de me achar muito boa, mas é estranho ver-me.

 

É com esse trabalho que nasce o desejo de representar?

Estava a viver em Los Angeles e lá tudo gira à volta do cinema. E foi isso que me deu um certo empurrão para ir para uma academia de atores.

 

É justo dizer que existe um antes e um depois desse anúncio?

Foi um marco na minha carreira, ajudou-me com outros trabalhos, mas nunca senti que tivesse mudado a minha vida.

 

Existe a ideia de que as manequins vivem para o glamour. No seu caso é assim?

A minha realidade é outra quando não estou a trabalhar. Existem anos em que não tenho paciência para comprar roupa. E se realmente preciso de algo, entro num sítio, escolho o número, vejo em frente ao espelho e vou-me embora. Maquilhagem não tenho por hábito usar. E também não tenho o hábito de fazer manicure.

 

Existe também a ideia de que os bastidores da moda são marcados por excessos de álcool, drogas e sexo. É um mito ou uma realidade?

Fala-se disso porque é um mundo com muita exposição. Com uma imagem forte, com manequins em poses sexy, o que leva à fantasia de que aquilo deve ser um bordel cheio de excessos. E as pessoas de outras profissões não consomem droga? Não recorrem a prostitutas de luxo?

 

É uma ideia que se cria tal como acontece com o rock e mesmo com o cinema?

Claro. Sou amiga do Bryan Adams desde que fizemos o videoclip. Ele está no rock há décadas, é vegetariano, não bebe nem fuma. E é uma estrela rock. Conheço manequins que não fumam e que treinam muito. Trabalhei com manequins virgens que eram muito ligadas à religião. Não é uma realidade exclusiva destes mundos. 

 

Falou de Bryan Adams. Como surgiu a hipótese de fazer o vídeo? Foi mais um casting?

É tudo através de casting (risos). Só quando se atinge um determinado patamar é que os trabalhos são oferecidos. 

 

Fez trabalhos com muitas outras estrelas. É um mundo onde é fácil fazer amizades?

Com uns é fácil e com outros é mais difícil. Tal como com uns nos damos bem durante os trabalhos, mas depois as pessoas acabam por se perder. Adorei os dias em que trabalhei com o Harrison Ford, que é muito divertido e que me chamava Miss Portugal.

 

E teve trabalhos com Brad Pitt e Benicio Del Toro. Tem também uma cena em Miami Vice onde existe alguma sedução da parte de Colin Farrell. São símbolos masculinos de Hollywood. Como eram essas cenas? As suas amigas metiam-se consigo para saber como eles eram?

Perguntam sempre. Mesmo os agentes perguntam. Nunca tive nenhuma má experiência. Não posso dizer que algum desses atores é horrível. 

 

Leia a entrevista completa na edição número 918 

 

Texto: Bruno Seruca; Fotos: Bruno Peres; Produção: Manuel Medeiro; Maquilhagem e cabelos: Vanda Pimentel com produtos Maybelline e L´Oréal Professionnel

Siga a Revista VIP no Instagram