Três casos recentes, em Espanha, Brasil e Portugal, fazem-nos pensar nos pequenos passos que em todo o mundo se dão para termos uma sociedade mais inclusiva, com iguais oportunidades, tanto de vida como profissionais, para outros seres humanos diferentes, nomeadamente os portadores da síndrome de Down.

 

Outro caso recente – e, por assim dizer, “dentro de portas” – é o de Madalena, uma das filhas de Bibá Pitta, portadora de síndrome de Down, que, aos 16 anos, protagonizou mais uma campanha de moda, desta feita como uma das estrelas do catálogo da Chouette Walking Lifestyle, fotografado por Paxi Canto Moniz. Para a babada mãe, esta foi uma produção diferente das que a sua filha fez anteriormente, por se revestir de um caráter profissional. “A Madalena é uma pessoa completamente transparente e genuína, que gosta mesmo de moda, e foi ela que decidiu fazer este trabalho. Foi um trabalho completamente profissional. Fui levá-la ao início da tarde, deixei-a com a equipa toda e só a fui buscar às 19 horas. Só soube o resultado da sessão quando a fui buscar”.

 

Bibá Pitta acredita que a sociedade portuguesa ainda lida mal com o preconceito, daí a difícil inclusão de pessoas portadoras de deficiência no mercado de trabalho. “O preconceito existe e existirá sempre, não vai desaparecer”, afirma. “O que todos nós, educadores, pais e pessoas interessadas vamos fazendo, passo a passo, é ajudando a que a diferença seja cada vez menos diferente. E digo isto desde que tive a Madalena: diferença não é sinónimo de exclusão ou sinónimo de não se ser capaz; pelo contrário, a Madalena é muito capaz e está aí a prova. E desenganem-se aqueles que pensam que isto foi uma cunha da mãe... foi um convite profissional!”.

 

E Madalena não se fica por aqui, em matéria de conquistas pessoais. A partir de 25 de julho de 2015, será uma das quatro atletas portuguesas que vai participar na próxima edição dos jogos Special Olympics, em Los Angeles, na modalidade de equitação. Bibá, quase emocionada, revela: “Ela começou por praticar equitação de forma terapêutica na Academia Equestre João Cardiga, em Leceia, depois passou para o Team Cardiga e, neste momento, já está na classe de Competição. E o que é espantoso é que ainda faz voluntariado, duas vezes por semana, ajudando a professora a ajudar quem precisa!”.

 

Para Bibá Pitta, que assiste já à saída de alguns dos cinco filhos do ninho materno (a filha mais velha, Maria, é hospedeira e voa sozinha), o aproximar da vida adulta de Madalena não é nenhum bicho de sete cabeças. “A verdade é que, sendo uma filha diferente, sê-lo-á toda a vida e precisa de mais ajuda. Mas... O que é mais importante para mim é sentir a concretização de mãe, que a educou uma vida inteira e quer que os filhos voem. Não me faz impressão nenhuma que os meus filhos voem, trabalhem, vão para fora. Foi para isso que os preparei toda a vida. E, vê-los do outro lado, a trabalharem e a serem independentes, para mim, é um sossego. Assim como vai ser com a Madalena, apesar de com ela ser diferente: vai ter sempre a minha asa sobre a vida dela!”.

 

Texto: Luís Peniche; Fotos: Paxi Canto Moniz e DR

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