No dia 12 de janeiro, Alberto João Jardim vai apresentar a demissão da Presidência do Governo Regional da Madeira. Na receção ao grupo de figuras públicas que visitou a ilha este Natal, Alberto João Jardim declarou que considera que este é o “momento certo” para a sua saída. “Tenho uma grande alegria de sair não quando os outros me impuseram, mas no momento que escolhi. [...] Entendi que era a altura. Consegui resolver o problema financeiro que era muito grave na Madeira. Durante cinco séculos e meio, o arquipélago foi sonegado dos seus bens pelo Estado português e nós éramos no 25 de Abril a região mais atrasada do País. Hoje somos a segunda do Produto Interno Bruto  e estamos ao nível da União Europeia (UE). Peguei nisto a menos de 20% do PIB per capita da UE. Hoje estamos ao nível, 99%. [...] Acho que escolhi o momento certo. Tenho 71 anos e fui presidente do Governo com 35. O que significa que mais de metade da minha vida foi sentada na cadeira do presidente”, revelou, dizendo que considera que agora o maior desafio é ficar longe das decisões políticas . “Tenho de compreender que não há duas pessoas iguais neste mundo, não posso exigir ao homem que ficar no meu lugar que seja igual a mim. O meu papel agora é não chatear. Com um grande esforço, serei capaz, se arranjar entretimentos fora da política. [...] Evidentemente que vai ser uma vida nova”. 

 

Esta foi também a altura ideal para fazer um balanço. “A Madeira de hoje não tem nada a ver com a Madeira de há 40 anos. As obras públicas estão aí todas, mas não foi isso que me encheu. O que me encheu foi a mudança cultural e social que fez com que as pessoas hoje se sintam todas iguais e me tratem por Alberto João apesar de ser o presidente do Governo”, considerou. “Penso que a razão pela qual fui sendo reeleito e com maiorias absolutas foi pelo facto de as pessoas saberem que estava ali um tipo que era igual a elas. Recebi muito amor desta gente e tentei responder ao amor que eles me deram. Eles discordaram de mim muitas vezes, eu achei muitas vezes que era o povo que não tinha razão, mas esta cumplicidade que se criou permitiu um casamento de 40 anos”.  

 

  Texto: Ricardina Batista; Foto: Ricardo Sousa Costa 

Siga a Revista VIP no Instagram