Bárbara Norton De Matos
"Não tive anorexia na adolescência"

Nacional

A atriz da novela Mar Salgado fala sobre os complexos que teve,
mas aprendeu a aceitar-se como é

Sex, 15/05/2015 - 00:00

"Hoje aceito-me como sou”, diz Bárbara Nórton de Matos, que reconhece à VIP que nem sempre foi assim. A atriz de Mar Salgado, da SIC, fala sobre os complexos que teve na adolescência e como comunicar com a filha Luz, de nove anos, pode ser fundamental para que a menina não venha a passar pelo mesmo. Em julho, Bárbara completa 36 anos e diz que gostava de ter mais filhos e de casar. Atualmente, vive uma relação com o personal trainer Ricardo Areias.

Após um ano e meio fora dos ecrãs, regressou às novelas e ao teatro com Boeing, Boeing. Como é mudar de uma rotina mais livre para um dia-a-dia mais absorvente?
Foi bom estar parada um ano para poder refletir sobre a minha vida e organizar-me com tempo e calma. Acima da minha vida profissional está a minha família, por isso aproveitei ao máximo esse ano para me dedicar a ela a 100%. Com a personagem de Mar Salgado consegui ter tempo para conciliar com o teatro. Eu amo representar, por isso estar a trabalhar intensivamente é um privilégio.

A sua filha Luz já diz que tem saudades de ter a mãe só para ela?
A Luz não chega a ter saudades, porque consigo gerir a minha vida de forma a ser uma mãe presente todos os dias e fazer parte das rotinas dela. A Luz tem orgulho no meu trabalho e sempre que pode acompanha-me tanto nas gravações como nos ensaios das peças.

Teve contrato de exclusividade na TVI durante nove anos e agora vive uma nova realidade, pois não tem exclusividade com a SP Televisão ou com a SIC. Isto preocupa-a face aos tempos que correm e tendo uma filha?
Ao princípio assustei-me porque deixei de ter a estabilidade, a garantia de trabalho e o ordenado fixo. Fez-me bem, foi um abanão que me obrigou a reagir e a procurar mais coisas para fazer na área. Não estou preocupada por não ter contrato de exclusividade. Tenho de ter calma e ir à luta. Quem sabe escrevo o meu terceiro romance.

Já deu provas que é uma mulher que não tem medo de arriscar. Mas é um risco maior continuar a ser atriz – devido à instabilidade da profissão – ou mudar de vida?
Tive dois restaurantes, escrevi dois romances, fiz uma exposição de artes manuais… Tento arranjar soluções para não depender só da representação, mas tenho de confessar que a minha paixão é representar. Enquanto for possível trabalhar como atriz vou continuar, mas se isso não acontecer irei arranjar outro trabalho.

Ainda sobre a novela, interpreta uma empreendedora frutícola e fornecedora de pêssegos e alperces para uma conhecida marca. Esta também poderia ser uma alternativa real?
Claro que sim. A Compal apoia muitos empreendedores frutícolas através do Centro de Frutologia. Inclusive todos os anos dá formação e atribui três bolsas de 20 mil euros para apoiar os projetos destes empreendedores.

A ficção passou para a realidade ao surgir no mercado um sumo de alperce. Sente-se orgulhosa?
Claro que me sinto orgulhosa por ser a cara do Compal Alperce do Pomar da Ribeira de Baixo, até porque esta é uma marca portuguesa de prestígio. Lembro-me de ser pequena e de ir tomar o pequeno-almoço com o meu pai e pedir sempre um néctar da Compal. Estava longe de imaginar que um dia a minha cara iria estar numa garrafa. Ainda bem que passou da ficção para a realidade para os portugueses poderem provar um néctar com o sabor único, feito com fruta portuguesa. O néctar é muito bom, agora tenho sempre um no meu frigorífico.

Foi publicado que teve anorexia na adolescência, mas já veio dizer que foi mal interpretada. Teve ou não anorexia na adolescência?
Não tive anorexia na adolescência. Isso foi uma invenção que se escreveu. O que eu disse foi que na adolescência tive alguns complexos, como quase todas as adolescentes têm, e que fiz algumas dietas descabidas, mas nada de grave. Com 13 anos já tinha o corpo que tenho hoje e naquela altura não queria ter formas de mulher. Hoje em dia aceito-me como sou. Para ser magra tinha de ser escrava das dietas e não quero, porque gosto de comer e de me sentir realizada. Tenho cuidado e faço desporto, mas não sou magra. Tenho formas e assumo-as.

Este é um assunto que está na ordem do dia, muito pela Jessica Athayde que revelou a sua história e publicou um livro. De que maneira acha que revelar estes problemas podem ajudar outras miúdas?
Foi exatamente assim que me fizeram a pergunta e eu disse que é de uma enorme coragem a Jessica assumir que teve anorexia. Tenho a certeza que o livro dela vai ajudar muitas adolescentes, como me poderia ter ajudado na altura.

A sua filha tem nove anos, mas fala com ela sobre estes assuntos? Tem medo que ela possa vir a ter complexos semelhantes?
Tenho cuidado com a alimentação da Luz e ela está habituada a comer de forma saudável. Ela tem o corpo igual ao meu com a idade dela. Comunicar com ela, cultivar a autoestima e a segurança nela própria é fundamental para que não tenha complexos no futuro e isso vai sendo construído.

Como descreve a sua relação com Luz?
A minha relação com a Luz é de cumplicidade e amor incondicional. Ela é uma excelente companhia, educada, boazinha, gosta de ajudar, de partilhar e adora mimos. Passamos muitos momentos de qualidade juntas e isso é a maior riqueza que tenho. Sinto-me completa desde que fui mãe. Ela dá-me muita força, tem uma personalidade forte e está lá para mim assim como eu para ela. A Luz sabe e sente que é o amor da minha vida e faço questão de dizer que a amo todos os dias.

Ela é parecida consigo no feitio? Em quê?
Tem coisas parecidas, mas tem mais confiança nela do que eu na idade dela. Acho que é muito parecida comigo nas expressões quando fala, fisicamente e temos as duas uma sensibilidade muito apurada. E adoramos mimos e abraços.

Separou-se do pai da sua filha (Gonçalo Pina e Melo) quando a sua filha tinha apenas um ano. É difícil ser mãe solteira?
Já foi difícil ser mãe solteira, mas neste momento não é. Fez-me uma mulher muito mais forte e preparada para enfrentar as adversidades.

Atualmente, vive uma relação com o Ricardo Areias, o seu personal trainer. Já foram vistos juntos em mais do que uma ocasião, mas não assume que vivem uma relação, porquê?
A minha vida amorosa só me diz respeito a mim, à minha família e amigos. Nunca escondi, mas também não tenho obrigação nem necessidade de a expor.

Acha que ter falado no passado sobre as suas relações anteriores prejudicou essas mesmas relações? Em que medida?
Acho que as relações acabaram porque tinham de acabar, não por falar ou deixar de falar. O que não gosto é que o foco seja a minha vida amorosa.

Em julho completa 36 anos. Não seria uma boa altura para pensar dar um irmão à sua filha?
É verdade, já vou fazer 36 anos… Gostava de ter mais filhos, talvez um dia.

O casamento é um desejo que gostava de poder realizar um dia?
Um dia gostava de me casar.

Texto: Helena Magna Costa; Fotos: Bruno Peres; Produção: Manuel Medeiro; Maquilhagem e cabelos: Vanda Pimentel com produtos Maybelline e L'Oréal Professionnel

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