Fátima Lopes Estilista
“Não sou solitária nem tenho feitio para isso”, diz FÁTIMA LOPES

Famosos

A estilista voltou a brilhar com mais um desfile em Paris e abriu o coração à VIP com uma conversa franca onde falou sobre o amor
Foi numa das cidades mais românticas da Europa, onde apaixonados trocam juras de amor, que Fátima Lopes, de 46 anos, abriu o coração à VIP e falou abertamente sobre o amor e a vida, sem esquecer a esfera profissional, que está cada vez mais em ascensão.

Sex, 18/03/2011 - 00:00

 

Foi numa das cidades mais românticas da Europa, onde apaixonados trocam juras de amor, que Fátima Lopes, de 46 anos, abriu o coração à VIP e falou abertamente sobre o amor e a vida, sem esquecer a esfera profissional, que está cada vez mais em ascensão. Na Cidade Luz, a estilista apresentou mais um desfile, o 25.º, desta vez com honras de abrir a Semana da Moda de Prêt-à-Porter de Paris.

 

VIP – Mais um ano em Paris a apresentar a sua colecção. A emoção é cada vez maior?

Fátima Lopes – A fasquia vai subindo e a responsabilidade é maior. Por outro lado, já não tenho as inseguranças do passado. Vim confiante e segura que a colecção é muito forte, ao contrário da primeira vez, que estava em pânico.

 

Com 25 desfiles em 12 anos em Paris, sente que ainda tem algo para provar?

Na moda estamos sempre à prova. De seis em seis meses começamos do zero. Os criadores têm de ter consciência que estão sempre à prova e é por isso que eu acredito numa cultura de mérito. Faz-me um bocado de confusão quando as pessoas falam dos direitos adquiridos. Eu não tenho direito adquiridos, tenho de estar sempre à prova.

 

Mas já conquistou alguma coisa...

É evidente que conquistei, mas essa conquista traz-me mais responsabilidade. Cada desfile tem de ser melhor do que o anterior.

 

O seu estilo de roupa também parece menos ousado e atrevido...

É uma evolução natural. Fui talvez das primeiras a fazer moda completamente ousada, mas acho que me cansei. Temos de saber acompanhar os tempos e evoluir e, sobretudo, numa colecção de Inverno em Paris é preciso ser artista. Apeteceu-me mudar.

 

Por que é que sentiu essa necessidade de mudança?

Não há necessidade, vai acontecendo.

 

Mas a Fátima disse no dia do desfile que já não era a mesma. O que mudou enquanto pessoa e profissional?

É uma evolução natural. O estar em Paris há 12 anos e meio e conseguir manter a posição no calendário oficial da moda só acontece porque eu tenho conseguido evoluir a cada colecção e a Fedération de la Couture sabe que eu vou fazer melhor para a próxima.

 

E em termos pessoais onde é que se reflectem as mudanças?

É evidente que enquanto pessoa cresci e evoluí. Sinto-me muito mais segura, adulta e mulher. Não tenho medo de fazer nada do que me apetece.

 

Mas é curioso dizer que se sente agora mais segura, porque sempre transpareceu essa imagem...

E sim, também. Quando falo em segurança não falo sequer em termos pessoais, porque nesse campo nunca fui insegura. Agora, quando falo de moda é diferente. Há 12 anos, quando fiz o primeiro desfile, não tinha segurança nenhuma, estava a chegar a Paris e era uma jovem que ninguém conhecia.

 

Mas quando diz que se sente mais mulher, a que se refere?

Cada idade é uma fase diferente da nossa vida. Eu tive a fase da infância, da adolescência, da juventude e agora adulta assumida. Acabaram-se as inseguranças e as dúvidas que todos os jovens têm. É muito bom ser jovem, mas também é muito difícil. Se houve um momento da minha vida em que me senti segura, é agora.

 

Portanto, isto é o bom da idade...

Exactamente. O que a idade nos traz é a experiência. Nunca fiz nada para agradar aos outros.

 

Nunca sentiu essa necessidade?

Não. Quando estou a fazer um desfile não quero saber de agradar a alguém, estou a fazer um espectáculo. Quando estou a criar para uma cliente, tenho de fazer um vestido que seja o meu gosto, mas que seja também o gosto daquela pessoa. Outra coisa é eu enquanto pessoa ter necessidade de agradar a toda a gente. Não tenho nem nunca tive. Gosto de mim e sempre me senti muito segura na minha pele.

 

Como é que a Fátima se definiria?

Sou uma pessoa normal. Não sou pretensiosa nem arrogante, não gosto e não tenho paciência para estrelas. Gosto de pessoas normais, de conviver com os meus amigos e com as pessoas que gostam de mim.

 

Transmite ser alguém com os pés bem assentes na terra. Acha que é isso que a tem feito vencer?

O meu percurso tem sido de trabalho. Sou antidrogas, não consumo álcool (pouquíssimo), não tenho vícios, nunca fumei um cigarro. Sou capaz de beber um copo de vinho à refeição ou champanhe numa festa, mas com moderação. Detesto extremos. Acho que nunca tive um vício a não ser o trabalho. Sou uma pessoa equilibrada com os pés na terra e tudo o que eu tenho tem sido resultado de muito trabalho ao longo destes anos todos. Não conheço outra forma de conseguir as coisas a não ser através do trabalho.

 

O percurso não tem sido fácil, mas tem vindo a ganhar cada vez mais visibilidade e está em expansão. Abriu uma loja em Angola. Como está a correr?

Faz parte de um processo de expansão, há-de haver mais. Está a correr bem, é um mercado interessante, só de Verão, porque o Inverno em Angola é curto. Dá algum trabalho, porque muitas das peças da colecção são pensadas só para Angola. Os angolanos já me conheciam e estavam habituados a comprarem roupas minhas em Lisboa.

 

Onde pensa abrir um novo espaço seu? Já teve uma loja em Paris...

Há um projecto grande de expansão que está a ser pensado e trabalhado que passa por vários pontos. Quando falo de um processo, Paris está incluído, não há criador que não tenha como sonho abrir uma loja cá.

 

Tinha também alguns negócios com o seu ex-marido [Eduardo da Bernarda].

Ele nunca foi meu sócio em nada, é meu fornecedor e continua a ser. Nunca tive nenhuma sociedade com ele em nada. A empresa dele é de produção e comercialização de porcelanas, cutelarias e cristais. Em todos esses negócios, nomeadamente com o grupo Impala, éramos parceiros. Eu desenhava, ele fabricava e vendia, portanto o parceiro com a Impala é a Siala.

 

Mantém essa parceria com ele?

Sim.

 

Sem qualquer constrangimento?

Nenhum. Nós ficámos amigos. O que havia de parceria de negócios continua. No nosso caso não houve rivalidades ou discussões, o que houve foi um casamento que acabou normalmente. Ele é meu fornecedor. Se eu tiver uma encomenda de porcelanas é a ele que eu vou comprar.

 

E como tem sido a vida de solteira?

Eu trabalhei tanto nos últimos tempos que o tempo para pensar nisso não é muito. Mas também não quero falar do lado pessoal, porque ainda não é o momento.

 

Mas já refez a sua vida sentimental?

Por isso é que estava a dizer que não ia falar sobre isso.

 

Está bem como está?

Eu estou muito bem. Não vou dizer mais nada.

 

Faz sentido uma vida sem amor?

Na vida tem de haver uma balança e a vida pessoal é fundamental. Acredito no amor, não tenho nada contra o casamento, sou positiva em relação à vida.

 

Continua a acreditar na instituição casamento, apesar de ser divorciada?

Tive dois casamentos que não resultaram e acredito no casamento e no amor.

 

Era capaz de voltar a casar?

Não lhe vou responder dessa forma, mas acredito no amor e no casamento. Fui muito feliz nos dois casamentos. Enquanto foi bom, foi maravilhoso, quando deixou de ser, deixou de fazer sentido. Quando não há amor não faz sentido, mas há várias formas de amor e cada caso é um caso. Sou daquelas pessoas que acredita realmente na felicidade e procuro-a, não vivo vidas de fachada nem fingidas. Quando as coisas deixam de fazer sentido mais vale acabar, sem ressentimentos, sem guerras e sem difamações. E continuo a acreditar no amor.

 

Quem estiver ao seu lado tem de compreender a sua vida profissional.

Exactamente. Sou muito verdadeira, muito directa, a minha vida é esta, é pública, toda a gente me conhece. Vivo o trabalho como uma paixão, adoro o que faço. Ninguém me impediria de fazer isto.

 

A realização profissional é mesmo o seu objectivo de vida.

Não só. Como eu digo, há um equilíbrio entre o lado pessoal e profissional. Sou uma pessoa muito afectiva, não sou pessoa para viver uma vida toda sozinha e passei mais tempo da minha vida acompanhada do que só. Praticamente estive a vida toda com alguém. Não sou solitária nem tenho feitio para isso. Mas não tenho problema nenhum em estar só, de vez em quando é preciso.

 

Dá-lhe prazer ter tempo para si?

Nós de vez em quando precisamos de um tempo para nós, para mim é importante.

 

E foi bom ter tido esse tempo?

Foi.

 

Como vê o seu futuro e a sua vida?

Vejo-me a fazer exactamente aquilo que eu gosto. Costumo dizer que o meu ídolo é o Manoel de Oliveira, porque com 101 anos diz que ainda quer fazer uma longa-metragem. Acho isso delicioso. Em termos profissionais a moda que é o que me realiza. Em termos pessoais, ser uma pessoa equilibrada com alguém que faça sentido. Não acredito em casamentos de fachada e das pessoas estarem juntas só por companhia.

 

Texto: Helena Magna Costa; Fotos: Marco Fonseca

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