Nicolau Breyner
“Não me sinto preparado para me reformar”

Famosos

Aos 71 anos, o ator realiza novo filme e garante que ainda tem muitos projetos

Qui, 12/04/2012 - 23:00

 Depois de 50 anos de carreira, Nicolau Breyner parece ter encontrado um novo caminho para dar asas à criatividade. No dia em que gravava o último Nico à Noite, falou à VIP da segunda experiência como realizador. A Teia de Gelo é um thriller, assumidamente comercial, que pretende levar os espectadores a ver cinema português e, por isso, foi gravado em português e em inglês. O resultado enche de orgulho aquele que é considerado o “pai” das novelas nacionais. Mais calmo, casou com Mafalda Bessa há seis anos. Havia antes sido casado duas vezes e foi pai de duas raparigas, Mariana e Constança, de 20 e 19 anos, da sua relação com Cláudia Ramos. Aos 71 anos, não pensa na reforma e garante que energia não lhe falta, apesar de dormir quatro horas por noite.

VIP – Depois de Contrato, como tem corrido esta segunda experiência como realizador?
Nicolau Breyner – Foram 26 dias de uma loucura saudável, rodeado de gente espantosa. Foi um elenco de ouro, não só pelo talento, mas também pela disponibilidade e generosidade com quem encararam isto.

Tenta sempre não fazer cinema tipicamente português?
Eu tenho muito respeito pelo cinema português, temos realizadores ótimos de cinema de autor, mas também temos ótimos realizadores de mainstream e temos muito bons atores. Precisamos de apoio e às vezes não é de dinheiro; depois temos de incentivar as pessoas a ver cinema português.

Tem isso em mente quando escolhe os atores?
Sim e o resultado está ali. Eles foram maravilhosos, não podia ter escolhido melhor.

Depois de tantos anos de carreira, a realização era um caminho necessário?
Não tenho a certeza, mas olho para trás e começo a pensar se quando comecei a ser ator não foi um caminho para chegar a isto… Já tenho outro argumento escrito e vou tentar fazê-lo.

Não se imagina a parar para descansar, reformar-se?
De todo. Agora só durmo quatro, quatro horas e meia por noite, ou seja tenho muito tempo e cada vez quero fazer mais coisas. Não me sinto preparado para me reformar, nem por sombras. Não sei como vai ser o futuro, agora sei que ainda há muita coisa que eu quero fazer. Mais filmes, mais televisão, mais Alentejo, mais “montes” de coisas.

A sua família, os seus filhos e a sua mulher, não pedem “mais Nicolau”?
Eu quero estar com eles e estou o tempo que posso. Mas tenho de trabalhar, tenho de ganhar dinheiro, porque tenho uma grande família e gosto de trabalhar.

Pensa muito no orçamento familiar, no dinheiro para precaver o futuro?
Todos pensamos nisso. Não há dinheiro para precaver o futuro, há dinheiro para viver confortavelmente, é isso que tento fazer.

Voltou a casar depois dos 60, ainda acredita no matrimónio?
Eu acredito sempre no matrimónio. Acho que é uma coisa que funciona. Não significa que funcione sempre, mas pode funcionar.

É um marido diferente aos 70 daquele que foi aos 30?
Aos 30 era insuportável. Aos 50 era completamente insuportável, agora já não sou tão insuportável. Acho que tenho mais tranquilidade, mais sossego, menos ânsia de viver muitas coisas ao mesmo tempo.

Imagina-se no papel de avô?
Completamente, com certeza que iria adorar ter netos. Não sei se iria ser um avô exemplar, mas gostava de os ver.

Texto: Elizabete Agostinho; Fotos: Marco Fonseca

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