Margarida Rebelo Pinto
Sobre a insuficiência cardíaca: «Tive de me adaptar»

Nacional

Margarida Rebelo foi a convidada de Fátima Lopes no programa Conta-me Como És deste sábado, dia 7 de dezembro.

Sáb, 07/12/2019 - 16:50

Margarida Rebelo Pinto foi a convidada de Fátima Lopes no programa Conta-me Como És deste sábado, dia 7 de dezembro. A escritora descobriu a paixão pela leitura quando ainda era criança e desde então nunca desistiu do seu sonho de ser escritora. 

«Sempre gostei muito de ler. Tive muita sorte porque os meus pais sempre incentivaram muito a leitura. Eu gostava tanto de livros que, uma vez, encontrei livros antigos dos anos 40, livros infantis que eram do meu pai. Estavam rasgados e eu recuperei-os, colei-os para poder ler», começou por revelar.

«Planeava tudo aquilo que iria poder fazer quando melhorasse»

Durante a entrevista, Margarida Rebelo Pinto abordou o facto de ter uma deficiência cardíaca e explicou como isso a afetou em criança. «Tive de me adaptar. Eu era criança e tinha muitas limitações, não podia fazer muitas coisas. Aprendi a viver no futuro, a viver um tempo que ainda não tinha chegado. Eu planeava aquilo que iria poder fazer quando melhorasse. Queria correr, aprender a nadar... Vivia num tempo paralelo. Queria viajar aos 16 anos, ser independente aos 18 e morar sozinha antes dos 25», contou.

Quando lançou o primeiro livro, "Sei Lá", em 1998, Margarida estava a atravessar uma fase muito complicada e confessou a Fátima Lopes que a publicação da primeira obra a ajudou a "puxar-se para cima". A escritora tinha se separado recentemente e vivia sozinha com o filho Lourenço, que tinha três anos na altura: «Ele era muito pesado, muito irrequieto e eu tinha muitas dificuldades sozinha por causa do meu problema, não podia fazer esforços.»

Apesar de todas as dificuldades e todas as restrições que teve de fazer na sua vida devido aos problemas cardíacos, Margarida Rebelo Pinto considera-se uma mulher sortuda e garante que, mesmo quando sofreu um AVC, em 2007, nunca desistiu de si nem de lutar pelas suas ambições. «Tenho que dar valor à vida porque tenho muita sorte. Tenho uma família fantástica, um filho extraordinário, vivo do meu trabalho, faço o que gosto. O meu filho é a minha estrelinha», afirmou.

 

«O amor correspondido ainda não chegou»

Após falar da separação, Fátima Lopes aproveitou para questionar a escritora sobre se esta já tinha encontrado o amor correspondido ou se ainda estava à procura. «Ainda não chegou. A vida ensinou-me que o amor não persiste a tudo, não atravessa tudo... Para mim, o amor não é uma coisa romântica. Tem de haver paixão, entrega e as duas pessoas têm de querer a mesma coisa ao mesmo tempo. Por vezes, isso é o mais difícil. Às vezes, encontramos a pessoa certa, mas no momento errado», admitiu, acrescentando para finalizar: «O cliché do "ama-te a ti próprio" não pode ser mais verdadeiro. Quando as coisa não correm bem, temos de regressar a nós, cuidar de nós, nutrir-nos e pensar em nós em primeiro lugar.»

 

 

Texto: Mafalda Mourão; Fotos: Arquivo Impala e Reprodução Redes Sociais

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