Marta Dhanis
Jornalista da TVI escreve livro sobre Renato Seabra

Nacional

"É do interesse público dar a conhecer o lado humano desta pessoa"

Qui, 29/05/2014 - 00:00

"Estava no local certo, à hora certa.” É assim que Marta Dhanis começa por contar como “pegou” no caso de Renato Seabra, em Nova Iorque, dias depois de o jovem ter sido detido, em janeiro de 2011, acusado da morte de Carlos Castro.

Na altura a estudar em Nova Iorque, a jornalista da TVI foi a primeira profissional da área a acompanhar este caso, desde o início até ao dia do julgamento, que ditou a pena de 25 anos de prisão para o jovem de Cantanhede. Por ter acompanhado todo o caso como jornalista, Marta Dhanis sentia que lhe faltava o fundamental: entrevistar Renato Seabra. E foi para conseguir uma entrevista que decidiu escrever-lhe.

Enviou-lhe uma carta para a prisão Clinton Correctional Facility, onde Renato está a cumprir a pena. “Identifiquei-me como jornalista. Trocámos quatro cartas, durante vários meses. Foi a partir daqui que surgiu a ideia de escrever este livro”, explica.

“Considerei que é do interesse público dar a conhecer o lado humano desta pessoa. Quero deixar claro que, desde o primeiro momento, a minha intenção era conseguir uma entrevista”, acrescenta Marta Dhanis, colocando de parte as críticas de que foi alvo na última semana, por revelar na obra excertos das conversas que manteve com Renato Seabra. “Mostro apenas a parte das cartas que penso que mostram o lado pessoal”, justifica e garante que informou Seabra da intenção da publicação de um livro.

Posto isto, o jovem não voltou a responder-lhe. “Com a família dele nunca mantive contacto. Falei com a mãe nas audiências do tribunal, mas a senhora recusou sempre ser entrevistada”, acrescenta. Em O Caso Renato Seabra – Por Detrás das Cortinas, Marta Dhanis diz que é possível “perceber as posições da defesa e da acusação, bem como os seus fundamentos”, algo que a jornalista sente que poderá nunca ter ficado claro aos olhos da opinião dos portugueses. E não só. “Penso que este caso poderá ser encarado como um puzzle.

O livro ajuda a encaixar as peças, porque não se trata de uma reconstituição, mas de uma leitura precisa dos acontecimentos.” Porém, ressalva: “Ficará sempre uma versão da história por conhecer e perceber. A de Carlos Castro e essa nunca saberemos.”

Texto: MN; Fotos: Paula Alveno

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