Nonô
A guerreira partiu, mas a luta continua

Nacional

Depois da morte de Leonor, Os Aprendizes de
Nonô não desistem de apoiar crianças com cancro

Sex, 19/09/2014 - 00:00

Foi graças à Nonô que a página de Facebook “Os Aprendizes de Nonô” e a Associação Princesa Leonor – Aceita e Sorri (APLAS) ganharam forma. Apesar da sua triste morte, aos cinco anos, a menina deixou um legado de coragem e força e é por isso que todos os envolvidos querem continuar esta caminhada e apoiar os que mais precisam.

Vanessa Afonso, a mãe da menina, criou a página na rede social logo após ter sido diagnosticado um tumor de Wilms bilateral à filha, no sentido de angariar fundos e divulgar ações para ajudar a suportar os custos dos tratamentos médicos. A página alcançou milhares de seguidores, mas Vanessa ficou com vontade de fazer mais e melhor. Por isso, em dezembro do ano passado, juntamente com a irmã, Lara Afonso, fundou a APLAS. Hoje fazem parte deste bonito projeto 46 pessoas. São 46 “aprendizes “que, sem recompensa monetária, se esforçam para tornar mais felizes os meninos que, tal como a Princesa Guerreira, vivem na dor.

O que faz a APLAS?
A missão da Associação Princesa Leonor – Aceita e Sorri é ajudar as crianças e jovens e as suas famílias a superar da melhor forma os diversos problemas que se colocam a partir do momento em que é diagnosticado o cancro.

Tal como Tânia Henriques, empresária e coordenadora de projetos da APLAS, explicou à VIP, os projetos desenvolvidos “vão desde a ajuda financeira para pagar bens essenciais até à realização de sonhos e momentos de relaxamento para os familiares (pais, irmãos), que na maioria das vezes vivem o seu dia-a-dia mergulhados na doença, renegando- se totalmente para o segundo plano. Ajuda às famílias em termos de planeamento e gestão familiar e até mesmo ajuda na preparação para uma bolsa de emprego”. Apesar de algumas dificuldades e da falta de recursos, o Bem vai triunfando e várias famílias, de norte a sul do País, já foram auxiliadas.

Filipa Cassinda, mãe de Renato, prestes a completar dois anos, é um desses exemplos. “Se não fosse a Vanessa não sei o que teria sido. A associação ajuda-me muito com a alimentação, forneceram- me comida que vai dar para uns bons meses. Isso aliviou-me mesmo muito”, confessa Filipa à nossa revista, emocionada. Esta mãe, que “vive” para o seu filho, a quem foi diagnosticada cardiopatia congénita, uma grave síndrome no coração, enfrenta bastantes dificuldades pois não pode trabalhar e o menino necessita de muitos tratamentos e de medicação. Mas Filipa sabe que pode contar com a Associação Princesa Leonor. À semelhança de Nonô e de outros meninos, Renato também tem uma página de Facebook, intitulada “Renato o Valentão”, através da qual é possível ajudar esta família.

E a generosidade de Os Aprendizes de Nonô toca a todos, não fecha portas a ninguém. Gaspar Teixeira, de cinco anos, tem um grave atraso motor e cognitivo, mas é uma criança sem diagnóstico. No entanto, os tratamentos e a fisioterapia obrigam a largos orçamentos que, por vezes são difíceis de suportar. Paula, a mãe do menino, conta que, apesar de o seu filho não ter uma doença oncológica, Os Aprendizes da Nonô a auxiliaram. “No concerto solidário da associação, também foi disponibilizado um montante para o meu filho. Foi uma grande ajuda, que aumentou e nos permitiu prolongar os rendimentos, porque os custos nunca param”, confessa. O sentimento de gratidão é grande e Paula sentiu necessidade de retribuir o bem que lhe fizeram: “Fiquei tão ligada que também contribui e ajudei algumas crianças e famílias no Norte”. “Vamos ajudar o Gaspar” é a sua página na rede social.

Também Rute Cantigas e a pequena Maria Luísa, que sofre de um neuroblastoma, precisaram de apoio e a associação correspondeu. A mãe de Nonô ofereceu ainda um ombro amigo e palavras de alento. “A Vanessa, que conheci no IPO, deu-me algumas informações sobre tratamentos alternativos e disse-me que tinha criado a associação e que uma das valências era ajudar a suportar os custos desses tratamentos. E isso foi uma mais-valia para a Maria Luísa, que faz a quimioterapia em paralelo com Medicina Quântica e a Homeopatia e está como se uma criança normal fosse”, confidencia Rute. “A Vanessa é excecional, de uma generosidade incrível. Só tenho a lhe agradecer e a toda a equipa da associação”, remata.

“Manteremos a nossa máxima: Aceita e Sorri”
A APLAS irá continuar. O legado e a onda de amor que se gerou à volta da nossa pequena grande Guerreira não irá terminar com a sua partida. A Mãe Vanessa e a Tia Lara, conjuntamente com os Aprendizes, vão continuar a apoiar as crianças/jovens com doença oncológica! Manteremos a nossa máxima: Aceita e Sorri. Pretendemos ser um apoio incondicional não s ó em termos financeiros, como também emocional… A Nonô e a Mãe Vanessa conseguiram juntar, com o seu exemplo de força, determinação e generosidade, um País… e um enorme e excelente grupo de aprendizes de diferentes áreas e valências que tudo farão para tornar esta luta desigual, mais equilibrada e acompanhada. Todos juntos já somos uma família, porque foi isso que a Nonô nos ensinou a ser!”, contou Tânia Henriques, a coordenadora de projetos da APLAS.

Para um futuro próximo, a associação está a trabalhar no lançamento do novo livro infantil, da autoria de Paula Teixeira – cujos lucros irão reverter para a APLAS – e ainda na criação de uma loja online, na página “Os Aprendizes da Nonô”, com bens e serviços doados por marcas e entidades, que serão vendidos a um preço mais baixo do que o preço de mercado.

A Leonor não resistiu ao cancro, mas esta menina criou uma verdadeira corrente de solidariedade. Através da sua história e do seu sorriso, estes projetos tornaram-se reais. E há muitas crianças com cancro que precisam de ajuda...

Texto: Laura Ribeiro Santos; Fotos: Isabel Oliveira, Impala e DR

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