Tem 21 anos e chama-se Melanie Vicente. A jovem portuguesa que ficou em 16.º lugar na eleição da Miss Mundo, o que representa a melhor representação nacional dos últimos 40 anos, estuda Medicina Nuclear e é a prova de que as misses são muito mais do que um corpo e rosto bonitos.

VIP – O que a levou a interessar-se pelo mundo da moda e a participar no primeiro concurso?
Melanie Vicente – A história da minha vida nos últimos cinco anos passa um pouco pelos trabalhos de moda e os estudos. Em grande parte devido às questões financeiras que o País tem atravessado, que me levaram a começar a trabalhar ainda com 17 anos de forma a realizar um dos meus maiores sonhos: entrar para a universidade. Pelo meio foram surgindo oportunidades de participar em concursos internacionais, algo que me motivou nesta área.

A sua mãe tinha o sonho de vê-la trabalhar no mundo da moda e da beleza. Isso condicionou a sua escolha? Sentiu uma obrigação?
Ela só me “obrigou” a participar num concurso uma vez, em 2007. Agora, agradeço­-
-lhe imenso, pois comecei ganhar algum interesse na área da moda e hoje é algo que faz parte da minha vida e de que gosto bastante.

Que recordações guarda do primeiro concurso internacional em que participou?
Representei o Miss República Portuguesa no Miss America Latina of the World 2011. Foi uma experiência incrível em que durante duas semanas convivi com cerca de 31 candidatas em representação de vários países, o que me deixou imensas recordações.

Alguma em especial?
Uma das melhores recordações desse concurso foi sem dúvida o momento em que chamaram o nome de Portugal para o top 12. Foi uma sensação enorme de orgulho que tive naquele instante.

Foi eleita Miss República Portuguesa, seguindo-se a Miss Mundo este ano. Como lidou com isto?
Houve um processo de seleção que contou com entrevistas pessoais em vários domínios com o objetivo de identificar qual das candidatas tinha o perfil para o Miss Mundo 2012. Fui a escolhida, mas no início não foi nada fácil, porque estava a estudar. Conciliar as duas coisas nem sempre é fácil, mas tudo se endireitou ao final de umas semanas.

Ficou num magnífico top 30, que corresponde à melhor classificação nacional dos últimos 40 anos. O que representa para si?
Para mim representa muito porque, para além de estar bem preparada, fui muito natural. Fui o que sou na minha vida quotidiana e diverti-me imenso pelo que, se cheguei onde cheguei, foi porque gostaram da minha personalidade e da minha maneira de ser. Demonstrei que a honestidade e a humildade são um ponto a favor nestes concursos.

Qual é a sensação de estar entre as 30 mulheres mais belas do mundo?
Não me considero uma das 30 mulheres mais bonita, pois todas as mulheres o são, mas cada uma à sua maneira

Ficou triste por pensar que podia ter ficado ainda melhor classificada?
Sei que estava perto do top 15 uma vez que as pontuações no top 30 tiveram diferenças mínimas, mas sei que dei o meu melhor, por isso só tenho de estar feliz e de consciência de “missão cumprida”. Ainda para mais, Portugal não ficava no top 30 desde 1971.

Como são os bastidores de um evento destes? Há muita inveja ou existe espaço para amizades verdadeiras?
No dia da final não senti grande pressão por parte das candidatas, antes pelo contrário, divertimo-nos imenso e estávamos todas felizes, não só por se aproximar o momento por que tanto ansiávamos ao fim de um mês, mas também porque mais uns dias e estávamos de novo no nosso país a matar todas as saudades dos nossos familiares e amigos.

Existe o preconceito de que as misses são burras. É a prova do contrário, pois frequenta o curso de Medicina Nuclear...
Este tipo de concursos são por vezes associados às coisas fúteis e superficiais, mas a verdade é que são concursos muito completos. Temos imensas atividades ao longo do concurso para provar exatamente o contrário e, como podem imaginar, é um aspecto muito importante para a eleição da vencedora.

É um curso pouco comum. Onde nasceu a sua paixão pela área?
A Medicina Nuclear foi uma área que descobri através da Internet e que me deixou bastante curiosa por incidir mais na área de que eu gosto: oncologia.

Que gostava de fazer no futuro, quando terminar o curso?
Para além de querer explorar mais o mundo da moda gostava de trabalhar num hospital oncológico.

Tem receio de ser vista apenas como um corpo?
Não tenho receio porque quando se tem cabeça para mandar nesse mesmo corpo, não há razões para ter medo.

Até quando pretende conciliar a moda e os estudos e carreira?
Confesso que não é fácil conciliar tudo, desde moda, aulas e família, mas sinto-me praticamente realizada, pois já estou no último ano sem nunca ter reprovado nenhum. Estou disposta a explorar a área da moda assim que acabar o curso e consoante as propostas, escolher entre continuar ou dedicar-me em pleno à Medicina Nuclear.

Além dos estudos e moda, ainda tem tempo para namorar?
Mesmo sendo difícil conciliar estudos e moda, quando se quer consegue-se sempre um tempinho que seja para estar com quem mais gostamos quer seja família, amigos ou namorado.

Casar e ter filhos faz parte dos seus planos?
Tal como a natureza nos tem ensinado, a mulher foi criada para dar ao mundo a criança, que dá seguimento à espécie humana. Serei uma seguidora das leis da natureza, sem dúvida, mas para já quero dedicar-me a outras coisas para que mais tarde não venha a arrepender-me de não ter feito. Como diz a minha avó “aproveita a vida que és nova”!

Texto: Bruno Seruca; Fotos: Paulo Lopes; Produção: Nucha; Maquilhagem e cabelos: Ana Coelho com produtos Maybelline e L´Oréal Professionnel;

Siga a Revista VIP no Instagram