Bárbara Feio
“Gostava de lhe dizer que o amo”

Famosos

A designer de moda é a mais velha dos quatro filhos de António Feio

Qui, 14/08/2014 - 00:00

Bárbara Gonzalez Feio é a mais velha dos quatro filhos de António Feio, falecido a 29 de julho de 2010. É designer de moda e desenvolveu a sua própria marca de roupa. Quatro anos volvidos, a saudade permanece no coração da criadora que, em conversa com a VIP, relembrou o pai.

VIP – Começou a estudar arquitetura, depois passou para a moda e hoje tem uma marca própria. Como aconteceu este percurso?
Bárbara Feio –
A moda é uma paixão que já vem de criança. Fiz três anos de arquitetura, depois pedi transferência para o curso de moda e comecei a destacar-me nos vestidos de festa que, ainda hoje, é o que mais distingue a Bmounti. Vendo exclusivamente online em barbarafeio.com e esta opção teve a ver com motivos logísticos da minha vida porque fiquei grávida na altura da doença do meu pai e senti que precisava de disponibilidade.

Dá para viver da moda?
Dá, mas estamos a falar de nichos. Embora eu ache que o gosto pelas peças Bmounti e a aceitação seja transversal a várias classes e, sobretudo, a muitas idades. Pusemos o site em inglês e temos algumas encomendas de países da Europa. É uma marca que tem sabido sobreviver e evoluir. Vamos começar a fazer showrooms uma vez por mês e está a ser pensado um ponto de venda físico.

A Barbara é designer, a sua irmã Catarina canta... Herdaram a veia artística do vosso pai?
É verdade (risos). O meu irmão está bem lançado na arte da fotografia e a Sara é ilustradora... portanto, acho que realmente há aqui um legado de muita criatividade em nós todos.

Era fã do António Feio-ator?
Ele era um ator fantástico, mas, como encenador, atrevo-me a dizer que era único. Não ia pelo facilitismo, pensava nas pessoas, no que poderia ser interessante para elas e diverti-las. Como encenador, penso que ficou um grande vazio que ainda não foi preenchido.

Era menina do papá?
Sim, totalmente menina do papá. Essa parte é complicada de gerir. Há muita saudade. Ele era cúmplice, ajudava-nos. Gostava que nós fossemos felizes. Sempre deixou a parte da educação e da rigidez mais para as nossas mães. Ele era a pessoa que nos compreendia e que nos proporcionava coisas giras. Sinto muito a falta desse lado que é de uma enorme amizade.

O Dinis, seu filho, já ouviu falar do avô?
Falo muito sobre o meu pai. Tenho fotografias dele em casa e o Dinis passa por elas e diz “o vovô”. Um dia vai perceber melhor a história do vovô porque só tem quatro anos. O meu pai tinha uma paixão enorme pelo Dinis. Quando fiquei grávida, não fazia ideia do quanto ele desejava ser avô. Foi o bebé que veio na altura certa para o meu pai poder ser avô e para me dar alento. Com uma criança nos braços, é mais fácil não nos esquecermos do importante que é viver o dia a seguir.

A relação com os seus meios-irmãos manteve- se intacta?
Continua a ser excelente, o que mudou é que nos vemos menos porque o meu pai era realmente um agregador. Estamos juntos sempre que é possível, mas às vezes não é tanto como gostávamos. Somos todos muito importantes uns para os outros.

Ter vivido rodeada de irmãos não lhe dá vontade de aumentar a família?
Adorava ter uma menina, quem sabe um dia destes... E acho que também faria muito bem ao Dinis. Confesso que, nos primeiros anos de casada, isso não me passava pela cabeça. Pelo meu marido, Ricardo, a família já era enorme e nós já tínhamos imensos filhos (risos).

Texto: Laura Ribeiro Santos; Fotos: José Manuel Marques; Produção: Zita Lopes;
Cabelo e maquilhagem: Vanda Pimentel com produtos Maybelline e L'Oréal Professionnel

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