Rita Guerra
“As feridas: Umas sararam, outras deixaram cicatrizes”

Nacional

Revela, pela primeira vez, que foi vítima de violência doméstica

Qui, 05/03/2015 - 00:00

"Estou certa de que o livro vai tocar muita gente. Vão conhecer-me melhor”, conta Rita Guerra à VIP, sobre o livro autobiográfico No Meu Canto – Todos Temos o Direito de Ser Felizes, que vai lançar, em Lisboa, no dia 12 de março. Na obra, a cantora expõe pela primeira vez os episódios mais marcantes da sua vida. Entre eles, o casamento aos 16 anos com o pai do seu filho mais velho, Nuno, de 30 anos, em que foi vítima de violência doméstica. Um tema sensível e duro, mas com o qual aprendeu a lidar. “Curiosamente, passei a munir-me de uma frieza que me permite falar de tudo na minha vida, sem que sinta dor. Acho que foi um processo natural de defesa. Apenas as perdas são exceção”, revela. Porém, as mágoas são inevitáveis e o sofrimento, por vezes, é tão profundo que marca para sempre. No seu caso, diz: “As feridas: umas sararam, outras deixaram cicatrizes. É a vida.” Cantora de grande sucesso em Portugal, o destino pregou-lhe algumas partidas no campo sentimental e, ao fim de quatro casamentos, em nenhum foi plenamente feliz, como conta no livro. Agora, está pela primeira vez sozinha e confessa-se mais “tranquila”.

 

Num livro dedicado “a todas as mulheres”, acredita que a força interior é a melhor arma para travar as batalhas e não foram os seus 47 anos de vida, nem os 30 de carreira que a levaram a eternizar o seu percurso, mas sim a vontade de partilhar histórias e uma mensagem: “Neste momento, considero que tenho um leque grande de acontecimentos importantes na minha vida que justificam perfeitamente que sejam registados e dados a ler a quem me admira e respeita. E porque não sou exceção à regra, sou uma mulher que sente, que luta, que tem sonhos, que sofre, que ri e chora, que não é insensível ao mundo e ao próximo e cá estou, firme, em paz, feliz, realizada. E é essa mensagem que quero passar: há sempre soluções.” 

 

Esta obra marca a estreia de Rita Guerra no mundo literário, mas é a cantar que se sente “em casa” e, atualmente, vive uma fase muito positiva no que à profissão diz respeito. “A música é o que me move, é para o que vivo e é nela que devo focar-me. Estou no início do auge da minha carreira. Tenho tido, no último ano, a felicidade de ter esgotado praticamente todas as salas onde toco. Sei que tenho o meu público e sei que o meu público compra bilhetes para me ver ao vivo, isso é o que qualquer artista ambiciona”, explica, orgulhosa. Rita Guerra está com uma agenda plena de concertos e, nos próximos meses, vai atuar em diversas salas do País.  

 

  Texto: Laura Ribeiro Santos; Fotos: Impala e DR 

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