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Família CYRNE recebe a VIP na sua casa de Lamego

Famosos

“Esta quadra tem outro sentido com filhos”
António Maria e José Pedro enchem de vida a casa dos Cyrne. Estamos em Lamego.

Dom, 05/12/2010 - 00:00

António Maria e José Pedro enchem de vida a casa dos Cyrne. Estamos em Lamego. Entre salas com quadros a óleo, móveis antigos e pequenas preciosidades há uma outra vida que enche de alegria Maria Manuel Cyrne: a vivacidade dos filhos gémeos, que completam nove anos no início do mês de Dezembro.
 
Lá fora o frio faz sentir-se. As mantas de xadrez aquecem a família momentos antes dos cavalos lusitanos chegarem até à fonte brasonada que fica de frente para a porta de entrada. É ali, ao som da água a correr, que se fazem as primeiras fotografias. Já cheira a Natal. Uma enorme grinalda de abeto com mil luzes decora a pesada porta de madeira verde. Os Cyrne, que detêm o título de condes da Feira, são uma família aristocrática portuguesa, com fortes ligações ao Douro. É aqui que Maria Manuel Cyrne cresceu e viveu até vir estudar para a faculdade, em Lisboa. Foi nesta casa que começou a namorar com o primo direito e foi, passados muitos anos, que a casa, que a família havia perdido, voltou a ser sua. Com o nascimento dos filhos gémeos, em 2001, os Cyrne decidem ir viver para Lamego e tornar a quinta num hotel de charme, um dos mais visitados por turistas nacionais e de todo o Mundo, que ficam encantados não só com a vista e com a decoração da casa, mas também com a simpatia de quem os recebe.
 
Perfeccionista, a anfitriã do Hotel Rural Casa Viscondes da Várzea passou horas a fio a decorar a casa para receber a VIP. "O  pinheiro tem de ser grande, porque a sala também o é e na casa de jantar, desta vez, optei por decorar a mesa com frutos naturais de cor quente, como os morangos, as romãs, as uvas, as groselhas e até usei malaguetas."
 
O marido, José Pedro Cyrne, e os filhos estão prontos para mais uma sessão de fotografias. Seguiram-se momentos de cumplicidade entre pais e filhos. Na hora da conversa, foi Maria Manuel Cyrne quem fez questão de fazer o balanço dos últimos nove anos.
 
VIP – Desde 2001 que a sua vida mudou. Há um "antes" e um "depois" desde o nascimento do António Maria e do José Pedro, o que também se reflecte nesta altura do ano, em que a família tem um peso muito importante, não?
Maria Manuel Cyrne – Sim, embora fosse sempre muito sensível ao Natal, dentro de mim a tristeza de não ter filhos limitava-me nesta quadra. Agora é diferente, porque a alegria e a participação das crianças contagiam toda a gente. Esta quadra tem outro sentido com filhos.
 
O António Maria e o José Pedro vão fazer, em Dezembro, nove anos. Agora eles têm uma melhor percepção do Natal. Gostam desta quadra?
Gostam muito, porque eu e o pai sempre considerámos essencial envolvê­los em todos os preparativos para o Natal, desde as decorações festivas à escolha e confecção dos doces tradicionais. Só assim o António e o Pedro podem perceber que a quadra natalícia é, de facto, mais do que a noite da consoada. É importante deixar nas crianças boas memórias da infância e, por isso, o meu marido e eu fazemos tudo para que possam recordar, ano após ano, o verdadeiro espírito do Natal.
 
Eles ainda acreditam no Pai Natal?
Acreditam no espírito do Natal, mas sabem que é a família que dá os brinquedos e que é Deus que dá saúde aos pais para trabalharem e poderem comprar os presentes. Como todas as crianças, eles também gostam do Pai Natal, porque pensam que, se ele não existisse, não teriam brinquedos. É difícil, em Portugal, aliar os presentes desta quadra aos Reis Magos.
 
Como mãe, acredito que goste de mimar os seus filhos. Nesta quadra, os pais costumam dar muitos presentes às crianças. O que se passa na sua casa?
Eles têm muitos presentes, porque a nossa família é muito numerosa. Eu e o pai só damos um presente a cada um, e eles têm de o merecer através do seu comportamento.
 
Suponho que devem ter um monte de brinquedos que já não usam. Sendo que eles estudam num colégio católico, estão sensibilizados para partilhar?
Partilham todos os brinquedos com os colegas e escolhem brinquedos, livros e jogos para dar a crianças que têm menos recursos.
 
Recorde­-me os seus Natais de menina. Foram passados aqui em Lamego?
Todos os Natais da minha vida foram passados em Lamego. Pertenço a uma família católica e com grandes tradições. A época do Natal foi sempre vivida com bastante intensidade. Somos uma família sempre muito unida.
 
Passava esta quadra com o seu primo, hoje seu marido?
O Zé Pedro, hoje meu marido, desde a adolescência que também passava connosco esta quadra, da qual guardo a melhor das recordações.
 
O ambiente em que cresceu foi importante para gostar do Natal? Contou­me que a sua mãe e as tias preparavam esta quadra com muito gosto…
Sim, elas tinham muito bom-gosto e faziam questão de ter a casa impecável. Foi aqui em casa que, desde pequena, comecei a gostar de decoração.
 
Nota­-se pela decoração que o Natal tem, para si, uma magia especial.
Pois tem! Adoro fazer as decorações de Natal. Gosto de enfeitar o pinheiro, colocar grinaldas nas lareiras, fazer o presépio. Hoje, com as crianças, gosto ainda mais de deixar a casa plena de magia.
 
Conte-me como a família Cyrne vive esta quadra? Nos dias antes, como passam a véspera e o Dia de Natal?
O aspecto mais importante e que prevalece ao longo dos anos é o da festa da família, oportunidade para pôr as divergências de lado, voltar ao local de origem e comemorar com os pais, avós e outros familiares o Natal. Um dos aspectos mais importantes da véspera de Natal é a consoada, preparada, geralmente, durante todo o dia. Na noite de 24 de Dezembro é servida uma ceia especial, que é preparada geralmente durante todo o dia. Dela faz parte o tradicional bacalhau, o peru, os doces tradicionais e o bolo-rei, acompanhados com os nossos vinhos e os frutos secos cá da Quinta, que se colhem no Outono.
 
E como é a troca dos presentes?
Antes da meia-noite ouvem-se lá fora guizos e o trotear dos cavalos. Todos correm para a porta, porque o Pai Natal está a chegar. Os mais destemidos saltam para a charrete e começam a tirar os presentes porque o Pai Natal vem sempre apressado, pois tem muitas casas ainda para visitar... Os mais pequenos têm algum medo e agarram-se ao pescoço dos pais. São momentos únicos que ficam na nossa memória para sempre. Depois o reboliço do rasgar dos papéis coloridos dos embrulhos. Brincam, riem, saltam até que o cansaço os vença.
 
E vão à Missa do Galo?
Não costumamos ir à Missa do Galo. A celebração religiosa do Natal é feita em família na missa do dia 25, e ensinamos às crianças que o objectivo é celebrar o nascimento de Jesus Cristo, que a Igreja Católica atribui a este dia. O Dia de Natal também encerra algumas tradições. A família passa este dia reunida e partilha as refeições especiais.
 
Além da missa, o que costumam fazer no dia 25?
Ficamos em casa à lareira a conversar e a conviver em família. É um dia também muito bonito. Reina a paz e a harmonia, o que me deixa muito feliz. O almoço ou o jantar de Natal, consoante as preferências de cada familiar, é tradicionalmente cabrito no forno ou peru assado. Os doces voltam a ter um papel de destaque nesta refeição.
 
Quantas pessoas junta à mesa na ceia de Natal?
Somos cerca de 30 pessoas, com muitas crianças.
 
Cantam alguma música ou fazem teatro?
Algumas vezes as crianças preparam um pequeno teatro, cânticos de Natal e outros lêem um conto.
 
Agora os seus filhos vão entrar de férias. Como é que são como alunos?
São alunos médios. Temos de os acompanhar em casa.
 
Continuam a gostar de viver no campo, ou já dizem que também gostam de estar na casa de Lisboa?
Os gémeos continuam a adorar viver no campo e gostam muito do colégio e dos amiguinhos. De vez em quando têm saudades da casa de Lisboa e pedem, sobretudo na época do Natal, para ir ao circo, de preferência duas e três vezes seguidas. Nunca se cansam! Mas adoram viver aqui em Lamego. O Pedro e o António adoram todas as actividades relacionadas com a quinta, sendo difícil convenc­-los a viajar, mesmo que o destino seja paradisíaco.
 
Num mundo em crise económica e de valores, com vários flagelos sociais, qual o papel dos pais na actual sociedade?
Vivemos um paradigma do qual não conseguimos desenvencilhar-nos: aprendemos que a Natureza se incumbe da formação dos nossos filhos! Não é assim que ocorre; a Natureza faz o desenvolvimento físico básico, inclusive o cérebro, mas são as vivências que formam a mente, e aí está a importância fundamental dos pais.
 
A sua gravidez foi notícia em todo o lado, porque lutou mais de 20 anos para engravidar. Hoje, além da gestão da quinta e das lojas em Lisboa, uma das áreas a que é sensível é a ajuda às crianças necessitadas. Porquê este envolvimento?
Só depois dos meus filhos nascerem tive noção de que há muita coisa, desde brinquedos, livros, jogos, roupa, sapatos, que já não lhes servem, porque as crianças estão sempre a crescer, mas que dão para outras, porque há crianças com muito pouco ou mesmo nada.
 
Há uns anos afirmou que não punha de parte a ideia de adoptar uma criança? E hoje?
O ser mãe, aliado a já ter exercido como professora, faz com que considere que  todas as crianças são fantásticas. Espero poder continuar a dedicar tempo a este objectivo, principalmente neste momento de crise, e a ideia de adoptar uma criança nunca foi posta de lado...
 
Como vai passar o fim de ano?
Este fim de­ano, por acaso, vai ser passado a trabalhar; felizmente o hotel estará cheio, o que é muito bom.
 
O que pede para 2011?
Nestes tempos difíceis, espero que o amor, o respeito e a compreensão, que são a base da união da nossa família, prevaleçam para além da crise mundial que se vive.
 
Por falar nisso, como corre o negócio?
A crise faz sentir-se em todo o lado, mas tenho muito trabalho para o final do ano, o que é muito bom. Aqui, com o meu trabalho e com a minha família, sou feliz.
 
Texto: Alberto Madeira Miranda; Fotos: Luís Baltazar 

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