Sara Salgado
Fala sobre a carreira, a maternidade e a sensualidade

Famosos

“Para ser sexy não é preciso mostrar o corpo”

Sex, 30/01/2015 - 00:00

Sara Salgado, de 25 anos, procura superar-se a cada desafio profissional que abraça. “Como atores temos de abrir novas portas e desafiar-nos todos os dias.” E ao longo destes nove anos como atriz tem mostrado provas disso mesmo. Atualmente, podemos vê-la em Bem-Vindos a Beirais, da RTP, projeto que vai até junho. Em termos sentimentais, vive uma relação serena com Carlos Salgado Pingo. 

 

VIP – Quando começou na representação, aos 16 anos, os seus colegas chamavam-lhe carinhosamente de “salgadinho”. Ainda é tratada assim? 

Sara Salgado – (Risos) Isso era na altura dos Morangos com Açúcar, cada um tinha a sua alcunha. Eu era a que tinha mais: ou era salgadinho, a chinesa ou japonesa, princesa da China, mas não era nada depreciativo. Achava graça. Nós éramos miúdos na altura, por isso também é normal arranjarmos essas alcunhas. Eu era adolescente. Então foi a piada do sobrenome Salgado que originou salgadinho. Já ninguém me chama isso hoje em dia (risos). É uma recordação que ficou dos Morangos. 

 

De onde vêm os seus traços exóticos?

Não são asiáticos. Eu tenho família de Angola. O meu bisavó era um bocadinho moreno, o meu pai era moreno e a minha mãe é loira de olhos verdes e tem os olhos um bocadinho rasgados. Eu acho que só pode ser daí. São os dois portugueses e ninguém com influências asiáticas. Toda a gente me pergunta isso. Eu acho que foi mesmo a conjugação de um moreno com uma loira de olhos verdes rasgados (risos).

 

Já são nove anos de profissão. Ainda conserva a timidez e a vontade de trilhar caminho?

Sim, mas hoje sou um bocadinho menos tímida, porque com as vivências aprendemos a soltar-nos mais. Tenho os meus objetivos traçados e, sobretudo, quero continuar a trabalhar e a superar-me todos os dias como atriz. Trilhar caminho é um percurso que cada um tem de fazer consigo próprio e como atores temos de abrir novas portas e desafiar-nos todos os dias.

 

E qual é o caminho que gostava de trilhar?

É difícil dizer. Quero fazer tanta coisa... Quero fazer mais cinema, mais séries de época, gostei muito de fazer o Equador e o Depois do Adeus. Quero experimentar fazer teatro cá, porque só fiz no Rio de Janeiro. Também gostava de experimentar teatro musical, mas sobretudo fazer o que me faz mais feliz, que é trabalhar nesta área.

 

Numa entrevista à VIP chegou a dizer: “Já me vejo como uma mulher.” Acha que por ter um ar doce foi difícil descolar-se da imagem de menina?

Eu acho que sim. Eu acho que ainda hoje isso acontece um bocadinho. Claro que as pessoas vão crescendo, mas o sorriso tímido e essas características mantêm-se e acho que se vão manter sempre. Mas tenho mais ideia daquilo que quero, sinto-me mais madura e isso reflete-se em tudo. Quando fui viver para o Rio de Janeiro senti a experiência de morar sozinha pela primeira vez, sair um bocadinho da “asa” da família, isso também me ajudou a crescer um bocadinho como pessoa. Tirei um curso superior. Vamos crescendo com as pessoas que vão aparecendo na nossa vida.

 

Apesar de hoje ter uma maturidade diferente, ainda gosta de pedir opinião à família nas tomadas de decisões mais importantes?

Sim, principalmente à minha mãe, mas nas decisões mais importantes, não é em tudo. Gosto de ouvir a opinião também da minha avó. Quando ganhei o casting dos Morangos não sabia o que fazer e perguntei à família inteira para saber os prós e os contras. A opinião deles importa.

 

Tem uma relação bastante umbilical com a sua mãe, não é?

É verdade. Nós moramos só as duas já há algum tempo, os meus pais separaram-se quando eu tinha 11 anos por isso criou-se uma relação muito próxima.

 

A Sara é vista como uma das mais talentosas atrizes da sua geração. Ser vista desta forma é um peso sobre os ombros?

Eu acho que isso é subjetivo, mas claro que é gratificante ouvir isso. Ao mesmo tempo como vão aparecendo tantas caras novas é desafiante também, porque há tanta gente com talento que temos de tentar ser melhores dia para dia.

 

Isso fá-la desafiar-se a si mesma?

Exatamente. Não digo que seja competitiva, mas vendo o trabalho dos outros vejo que também posso fazer melhor. É uma necessidade de me superar, de aprender mais. Sempre fui assim.

 

Mas não tem aquele sentimento de “se têm essa expectativa em relação a mim não quero desapontar quem me vê”?

Não penso muito nisso. Claro que gosto que as pessoas gostem de me ver e admirem o meu trabalho, isso é o mais importante, mas quando estou a trabalhar não penso muito o que é que os outros vão achar. Eu vejo-me e tento corrigir-me.

 

É autocrítica?

Sim, muito.

 

E sofre com isso?

Bastante. Sou muito autocrítica mesmo. Mas é por mim, não é pelos outros. É o perfeccionismo, a vontade de me superar. No início não conseguia ver-me, odiava, nem ouvir a minha voz conseguia. 

 

Ao contrário de outros atores tem conseguido ter sempre trabalho com regularidade. Sente-se uma privilegiada?

Sim, nisso sinto-me uma privilegiada, porque há muitos atores sem trabalho, com famílias formadas e com filhos. Eu ainda moro com a minha mãe, mas um dia hei de sair. Sei que hoje posso ter trabalho, mas amanhã posso não ter.

 

A instabilidade da profissão preocupa-a? Foi também por essa razão que decidiu tirar uma licenciatura numa área diferente, Marketing e Publicidade?

Exatamente. Se bem que é uma área que eu gosto, principalmente a publicidade. O meu primeiro trabalho foi em publicidade e agora estudei a parte por detrás da conceção dos anúncios.  Mas o que gosto mesmo de fazer é ser atriz, mas temos de ser versáteis e por isso tirei este curso.

 

E concluiu com sucesso... 

Sim, em junho, com uma média de 15 valores. Foi um ano e meio a conciliar com as gravações de Bem-Vindos a Beirais, não foi fácil, tive de mudar para pós-laboral e saía das gravações direta para o curso, e aos fins de semana tinha de estudar os textos e para os exames, foi complicado. 

 

Ficou com vontade de experimentar trabalhar na área?

Também, mas queria fazer um estágio primeiro numa agência, mas é impossível neste momento com as gravações. Gostava de fazer tanta coisa: de tirar um mestrado, trabalhar noutras áreas, fazer o estágio em publicidade, couch managing ou planeamento estratégico. Também gostava de tentar fazer rádio.

 

Leia a entrevista completa na edição número 915 da VIP 

 

Texto: Helena Magna Costa; Fotos: Bruno Peres; Produção: Romão Correia; Cabelo e maquilhagem: Ana Coelho com produtos Maybelline e L'Oréal Professionnel

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