Ana Afonso
“Faço tudo para dar o melhor aos meus filhos”

Famosos

A atriz recebeu a VIP na sua casa, em Santo Estêvão, onde posou com os filhos Alice e Diogo, um menino que tem autismo

Sex, 08/05/2015 - 00:00

Ana Afonso, de 39 anos, recebeu a VIP na sua casa em Santo Estêvão por ocasião do Dia da Mãe e abriu o coração para falar sobre como é ser mãe de Diogo, um menino autista, de quase quatro anos. A atriz e ex-modelo também deu à luz Alice, de dois anos, ambas as crianças fruto da sua atual relação com Rodrigo Brito. Beatriz Melo, de 14 anos, a sua filha mais velha, fruto da relação anterior com o cantor João Melo, não pôde juntar-se à produção por estar na escola em testes de avaliação. 

 

VIP – Que significado dá ao Dia da Mãe?

Ana Afonso – Não celebro, porque ser-se mãe é todos os dias. É como se diz do Natal, que é quando o Homem quiser.

 

Como se define enquanto mãe? 

Sou exigente e faço tudo para dar o melhor aos meus filhos, mas sei que eles não são uma extensão de mim, são seres autónomos que um dia terão as suas vidas. Com a Beatriz, ela já tem 14 anos, sempre tentei passar-lhe valores e fui exigente com ela no sentido dela se saber fazer respeitar, assim como respeitar os outros. A minha filha é bem formada. É isso que vou tentar fazer com os mais pequenos. 

 

Tem dois filhos da sua atual relação e uma filha de um relacionamento anterior. Como é que eles se dão os três?

Têm uma relação espetacular. A Beatriz, sendo a mais velha, tem uma loucura por eles, até porque esteve dez anos a pedir-me um irmão e eu dizia-lhe: “Vai pedir ao teu pai” (risos), mas ele nunca lhe deu. De repente teve dois. Ela tem uma loucura pelo irmão – é o irmão especial dela – e adora a Lili também. Ela é muito “babada” com os irmãos. 

 

Diz a sabedoria popular que o amor de uma mãe supera todos os limites e encontra forças mesmo quando pensa que não tem. Foi assim consigo quando soube que o Diogo é autista? 

(Emociona-se a falar do filho) Ainda estou a descobrir essa força, porque o choque foi grande e estou a atravessar uma fase de não saber o dia de amanhã e qual vai ser a evolução do Diogo. Ele vai fazer quatro anos em julho e nenhum médico nos diz: “O seu filho vai falar aos cinco anos ou o seu filho vai deixar as fraldas ou não.” Sei que estou a sofrer com isto tudo, agora se vou superar? Dizem que o tempo tudo resolve, mas ainda estou em sofrimento com o facto de ter um filho autista, é muito complicado e difícil. 

 

Mas hoje sente-se uma mulher mais forte?

Ainda não posso dizer isso. Tenho vindo a superar algumas coisas e a ultrapassar obstáculos.

O Diogo tinha apenas um ano e meio quando a pediatra suspeitou que ele poderia ter autismo. 

 

Entretanto, veio a confirmação...

Ela mandou uma carta para o hospital para se fazer o primeiro teste, o da surdez, e confirmou-se que o Diogo não era surdo e a partir daí, até que ele começasse a fazer terapia ocupacional, demorou um ano. Assim que a pediatra me disse, eu sabia que havia qualquer coisa, uma mãe sabe e percebe. Quando a pediatra me disse autismo eu entrei em choque, porque só me lembrava do Dustin Hoffman no filme Encontro de Irmãos. Eu não fazia ideia que o espetro era enorme e que havia várias profundidades, e eu não sabia onde é que o meu filho se encontrava no espetro, ainda hoje não sei bem, até onde vai evoluir e há ainda a possibilidade da regressão. 

 

Mas até agora ele tem evoluído, não é?

Sim, felizmente. 

 

O Diogo ainda não fala, mas que evoluções positivas se verificam?

No colégio dizem que ele já fez um som parecido com “na, na, na”, que pode indicar um não. A auxiliar que está sempre com ele na escola cada vez que lhe muda a fralda senta-o no bacio para ele se ir habituando à ideia e diz que houve uma vez que fez um bocadinho. Vejo algumas coisas diferentes que, se por um lado não são muito positivas, por outro podem ser. Antes, o Diogo estava mais apático e agora reage mais perante a frustração, começa a dar pontapés nas portas, algo que não fazia. Para mim é desconcertante, mas por outro tenho de ver o lado positivo, ele está a manifestar-se. Há é que tentar direcionar para outras coisas positivas.

 

Além do Diogo fazer hipoterapia, que outras terapias faz?

Está na piscina uma vez por semana, faz o modelo teacch com o professor de educação especial, vem uma terapeuta a casa fazer psicomotricidade e tem sempre uma assistente operacional com ele na escola. Vai de tempos a tempos ao pedopsiquiatra Pedro Caldeira para ver a evolução. 

 

Rodrigo, o pai de Diogo e de Alice, ajudou-a a enfrentar isto com outra serenidade?

Se não existisse o Rodrigo, meu Deus, não sei o que seria de mim, claro que seria muito mais difícil. Os casais existem para se ajudarem um ao outro, têm de estar lá para o bom e para o mau, para a saúde e para a doença. 

 

Depois de Diogo, a Ana foi mãe de Alice, uma criança que é saudável. 

Se a Alice tivesse nascido no género masculino provavelmente teria outro filho autista, porque há maiores probabilidades no género masculino. Se calhar ter tido uma menina não foi à toa, veio para ajudar. A presença dela pode ser importante para ele e no futuro, se ele não se conseguir adaptar à sociedade e eu e pai já não estivermos cá para ajudar, ele terá sempre uma irmã a zelar por ele. 

 

Como gere este distúrbio do Diogo em relação à sua filha Alice? Da última vez que falámos disse-

me que, às vezes, se sentia mal por ter de tirar o brinquedo à Alice para dar ao irmão para ele se acalmar. Atualmente, já não se sente culpada em relação a isso?

É sempre frustrante. A Alice ainda não compreende, mas por outro lado penso que se ela se habituar desde pequena vai perceber que irmão é especial e que existe qualquer coisa de diferente. Na escola, ela aprende a partilhar e a dividir, que uma vez é dela e outra vez é dos colegas. Aqui em casa vai ter de se habituar que há certos objetos que o irmão precisa naquele momento, senão vai ficar frustrado. Com certeza, mais dia menos dia, a Alice vai perceber, porque ela é muito esperta.

 

Vai torná-la uma criança mais tolerante...

Sim, claro, e ela vai adorar o irmão. 

 

Ana, sente-se uma mãe realizada?

Não me sinto realizada no sentido que acho sempre que poderia ter feito mais. Se calhar sou eu que sou perfeccionista, não sei, mas às vezes penso que podia ter feito mais, principalmente com o Diogo, que podia ter estimulado e brincado mais com ele. Isto faz com que não me sinta realizada neste aspeto.

 

 

 

Leia a entrevista completa na edição número 929 da VIP 

 

Texto: Helena Magna Costa; Fotos: Luís Baltazar; Produção: Manuel Medeiro; Cabelo

e maquilhagem: Vanda Pimentel com produtos Maybelline e L'Oréal Professionnel

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