Manuel Luís Goucha
Expressa revolta pelas mortes nas urgências hospitalares

Nacional

“Estamos longe de viver num país civilizado”

Qui, 29/01/2015 - 00:00

Foi através do seu blogue, Cabaré do Goucha, que Manuel Luís Goucha expressou a sua revolta perante o estado do Serviço Nacional de Saúde (SNS), na sequência das nove mortes de idosos ocorridas nas urgências dos hospitais desde o Natal. O apresentador do Você na TV!, da TVI, admitiu sentir uma grande revolta. “Crua a notícia que dá conta de mais uma morte nas urgências sem a devida assistência. Mais uma a juntar às várias que nas últimas semanas deviam fazer-nos corar de vergonha. Todas elas de velhos largados à sua (pouca ou nenhuma) sorte num corredor de um hospital”, escreveu.

 

Recorde-se que este é um tema caro ao rosto do quarto canal, que recentemente viu a mãe, Maria de Lurdes, de 91 anos, ser obrigada a um internamento no Hospital da Universidade de Coimbra, depois de ter sido encontrada em casa com ferimentos graves no pescoço. Mas não só. “É que já me faltou mais para ser velho (aqueles que os maltratam e ignoram, também, um dia, o serão) e viver com dignidade até ao último dos instantes é um direito que deveria assistir a qualquer um. Estamos longe de ser um país civilizado. E, pelos vistos, os piores exemplos vêm de cima. É tempo de pegarmos por Abril, para que o país não soçobre em raiva e estrume”, lê-se.

 

Para Manuel Luís Goucha é claro que tem de se fazer alguma coisa perante este drama. “Este Serviço Nacional de Saúde, acredito que seja inviável tal como se encontra, mas não me parece que o corte cego de verbas e profissionais a que temos assistido seja a solução. Estamos a falar de vidas humanas e de sectores da população há muito penalizados e fragilizados. Onde está a humanização da Saúde(...)? Será que um velho, que toda uma vida contribuiu com o seu trabalho e impostos para o Estado, já não merece o mínimo cuidado? É desperdício? Que país somos nós ao desprezarmos quem mais devíamos honrar e celebrar?”, questiona, incentivando à mobilização nacional: “Não é normal não ver mobilização alguma face à desumanização crescente da nossa sociedade, onde mortes nas urgências sem assistência são desprezível exemplo”. Por isso, usando do protagonismo que lhe é devido por ser uma das caras mais reconhecidas da televisão, Goucha deixa a promessa: “Não me calo, protestarei seja onde for. Regressarei a este assunto sempre que um dos nossos velhos (já sabem como gosto da palavra velho) for maltratado ou negligenciado”.  

 

Texto: Sónia Salgueiro Silva; Fotos: Impala

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