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“Eu vou ficar irreconhecível”

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Depois de três meses a estudar nos EUA, RITA PEREIRA, em entrevista exclusiva à VIP, diz que está ansiosa por fazer de vilã na TVI
Deois de três meses nos Estados Unidos, onde tirou um curso de Representação no Lee Strasberg
Theatre & Film Institute, em Los Angeles, ao "sabor" do anonimato, Rita Pereira, de 27 anos, está de regresso a Portugal. Por cá, já matou saudades da família, dos amigos e do namorado Miguel Mouzinho, por quem continua apaixonada e com quem tem projectos profissionais em comum.

Dom, 20/02/2011 - 00:00

 Depois de três meses nos Estados Unidos, onde tirou um curso de Representação no Lee Strasberg Theatre & Film Institute, em Los Angeles, ao "sabor" do anonimato, Rita Pereira, de 27 anos, está de regresso a Portugal. Por cá, já matou saudades da família, dos amigos e do namorado Miguel Mouzinho, por quem continua apaixonada e com quem tem projectos profissionais em comum. Na paisagem alentejana e ao lado de cavalos lusitanos – que adora – falou em exclusivo à VIP sobre a aventura americana e sobre o novo desafio na TVI, onde vai interpretar "uma miúda louca" que a obrigará a uma "mudança drástica de visual".

VIP – Vou começar pelo fim. Há algum tempo que tinha vontade de estudar fora. Não se arrepende de ter ido para Los Angeles?
Rita Pereira – Nada. Não me arrependo nada. Há três anos já tinha estado em São Paulo e fiquei com vontade de repetir a experiência noutro país.

Como é que correram esses três meses em Los Angeles?
Foram maravilhosos. Aprendi novos métodos de trabalho, todos eles muito bons. O curso superou as minhas expectativas. Além disso, fiz amigos de todo o Mundo, desde brasileiros, suecos, finlandeses, indianos...

Eram pessoas do curso ou fez essas amizades fora do ambiente da escola?
Estudavam comigo.

Como eram os seus dias?
Passados nas aulas, de manhã à noite. Às vezes começava às nove, outros às duas da tarde, mas tinha aulas até à noite. E quando digo noite, estou a falar até às 23h. Depois disso vivia a minha vida.

Partilhou casa com alguém?
Não. Tinha a minha casa, vivia sozinha. Na primeira semana estive em casa da Leonor Seixas [actriz portuguesa], que me deu muito apoio. Mas depois encontrei casa, perto da dela, e convivi muito com a Leonor. Estávamos muitas vezes juntas.

Nunca se sentiu sozinha no outro lado do Atlântico?
Não. A verdade é que tinha muitos amigos.

Convivia com eles fora do ambiente escolar?
Sim, todas as noites, depois das aulas, íamos beber um café ou dar uma voltinha e depois é que ia para casa.

Esta experiência mudou-a enquanto pessoa?
Sim, sem dúvida. Mudei pessoalmente e profissionalmente. Enriqueceu-me bastante, fez-me "acordar" um bocadinho e perceber que há um mundo além deste e no qual eu posso viver e trabalhar, tentar conquistar outros perímetros.

E como foi estar num país onde não é conhecida? Que "sabor" teve o anonimato?
Ai (suspiro seguido de risos)... nas primeiras duas semanas confesso que foi muito estranho. Não sei... ninguém olhava para mim. Foi muito bom, porque me fez voltar a lembrar que antes de sermos figuras públicas somos pessoas e no anonimato é bom que reparem em nós como tal. A maior dificuldade foi depois, quando voltei a Portugal. Habituada a passar despercebida, às vezes esquecia-me e dava com as pessoas a olhar para mim.

Desfrutou então dessa sua individualidade anónima.
Sem dúvida alguma. Estava mesmo a precisar de viver outra vez esta Rita, a da família e dos amigos, a que ninguém conhece. Não que tivesse mudado a minha personalidade, mas a verdade é que em Portugal, por ser conhecida, não ando na rua tão tranquila e tão à vontade como andei lá. Fico sempre um bocadinho envergonhada quando estão a olhar para mim e começam aos burburinhos.

Por outro lado, acredito que quando regressou também lhe soube bem voltar a ser reconhecida e perceber que não tinha sido esquecida.
Sim, é óptimo voltar e ter o carinho das pessoas e ser abordada na rua. Lembro-me do primeiro autógrafo que dei quando voltei. Até disse à rapariga: “Olha já não dou um autógrafo há quase quatro meses e tu f0oste a primeira.” Ela ficou superfeliz. Eu senti como se fosse outra vez o primeiro autógrafo, fiquei muito entusiasmada.

Voltando a esta aventura americana, ficou a conhecer bem Los Angeles?
Como a palma da minha mão.

Ia a pé da sua casa até à escola?
Demorava cerca de 45 minutos a uma hora a pé. Era como fazia de início, mas perdia muito tempo nessas deslocações e optei por arranjar um carro. Mas conheci muito bem L.A... já sabia andar para todo o lado e há uma coisa muito boa, a sinalização é muito boa e conseguia ir para todo o lado.

Do que é que gostou mais na cidade?
Adorei Malibu, Santa Monica, Venice Beach. Vivia a 25 minutos da praia, senti-me um bocadinho em casa [a actriz mora em Carcavelos]. É um mundo de fantasia, onde toda a gente é artista. Fascinou-me bastante toda a gente estar ligada às artes e as pessoas mostrarem isso nas ruas. Os músicos estão na rua a tocar, os actores vão para a rua representar, fazer pequenas peças.

E a Rita, não se aventurou na rua?
Não. Por acaso, agora no segundo semestre, íamos ter actuações de rua, mas eu não pude ficar. É fantástico como as pessoas não são julgadas, vivem a sua vida tranquilamente. Podem gritar na rua, andar de biquíni, até nuas, que ninguém olha mais do que uma vez. É um mundo à parte.

Já sabemos que vivia sozinha. E a comida, como fazia? Conseguia fazer pratos parecidos ao que estava habituada?
A comida em L.A. não tem nada a ver com o fast food de Nova Iorque. É uma cidade onde está sempre sol e identifico-a um bocadinho com o Rio de Janeiro. As pessoas fazem deporto todos os dias, vemo-las a correr na rua e há imensos restaurantes só de saladas e batidos, com comida saudável.

E perdeu-se muito em compras?
Por acaso não. Ia com a cabeça para estudar e não em espírito de férias. Comprei alguma roupa e sapatos, mas essencialmente coisas diferentes, que não há cá.

Em termos de carreira, o curso valeu a pena?
Se melhorei ou não, não sei. Só vamos poder analisar isso no meu próximo trabalho, mas que aprendi muito e que valeu muito a pena, isso sim. E é daqueles sítios onde eu quero voltar. Teria ficado mais três meses se pudesse.

Entretanto, durante a sua estadia nos EUA ainda foi ao Canadá onde participou na série de comédia Living in Your Car. Como é que correu?
Muito bem. Foi maravilhoso ter a minha primeira experiência em acting internacional e a equipa tratou-me muito bem. Fizeram-me logo a proposta para voltar e, quem sabe, não participe na segunda temporada. Senti-me muito em casa.

Aliás, a Rita já viveu lá.
Sim, se calhar por isso ainda senti mais. Aproveitei para estar com a minha família e com amigos que lá tenho.

Mas as emoções não ficaram por aqui. Em Novembro, foi a Nova Iorque para a gala onde a novela Meu Amor recebeu um Emmy. Como viveu esse momento?
Foi muito bom. Aquela nossa euforia era mesmo genuína porque não estávamos à espera de ganhar. Sempre achámos que o Emmy ia para a Argentina e quando disseram Portugal ficámos surpreendidos. Foi a primeira vez que nestes 18 anos de TVI uma novela estava nomeada para um Emmy e ganharmos logo na primeira candidatura... foi o máximo.

Foi nessa noite, em que usava um vestido João Rôlo, que surgiram rumores de uma possível gravidez. Essas notícias aborreceram-na?
Entrou por um lado e saiu por outro dez vezes mais rápido. Limitei-me a achar graça e não me afectou.

Chegou a Portugal dia 23 de Dezembro. Tem aproveitado para descansar?
Também. Entretanto fui passar o fim de ano à Bahia, no Brasil, agora vou para Luanda, depois vou para Milão fazer um catálogo de moda... Tenho estado a aproveitar as últimas "gotas" antes de começar a gravar a nova novela da TVI, o que deverá acontecer na terceira semana de Fevereiro.

E no meio dessas últimas "gotas", matou saudades da família e do namorado, Miguel Mouzinho?
Sim, também recebi visitas em Los Angeles e o Skype foi o meu melhor amigo.

Como está a vossa relação?
Não gosto muito de falar sobre isso. Só posso dizer que estou muito bem.

E os projectos profissionais que mantêm em comum como estão a correr?
Muito bem. Somos sócios do Vila Louize, no Lx Factory, em Alcântara, onde temos o restaurante de Dim Sum, a loja de roupa, um estúdio de tatuagens e um bar.

Com tanta actividade, como consegue apoiá-lo?
Apoiamo-nos um ao outro. Enquanto não estou na novela, tenho estado lá dia sim, dia não. Ele está lá todos os dias. As pessoas adoram o espaço e tem havido um grande reconhecimento.

E há perspectivas de alargarem mais o negócio?
Não. Para já estamos bem assim.

Como já contou, prepara-se para começar as gravações da nova novela da TVI, Eclipse. Está preparada para ser vilã?
Estou ansiosa como uma criança que acabou de receber um gelado do Santini, que era uma das coisas que eu mais gostava de comer em criança. Estou mesmo muito entusiasmada. Não vou negar que estou nervosa, porque estou. Mas tenho estado a trabalhar bastante, a ter aulas de espanhol e de língua gestual.

Por que têm a ver com o personagem?
Sim, são duas dicas que avanço em primeira mão. Isso e que me vou chamar Helena, vou ser filha da Margarida Marinho. E vou ter uma mudança drástica de visual.

Drástica como?
Mesmo drástica. Vou ficar irreconhecível.

E essa mudança tão radical está a assustá-la?
Não. Fui eu que escolhi. A TVI ficou superentusiasmada com as minhas ideias. É um personagem que estou a adorar, é mesmo fascinante, é uma louca, uma miú- da que há muito tempo não se via numa novela.

Depois de ter estado a estudar fora, sente de alguma forma mais responsabilidade perante os colegas para desenvolver um bom trabalho?
Não penso muito nisso, no que os meus colegas vão pensar de mim. Eu própria estou com ansiedade para ver como vou pôr em prática este novo método que aprendi.

Texto: Ana Gomes Oliveira; Fotos: André Brito  

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