Ricardo Pereira
“Estou a amar esta fase que estou a viver”

Famosos

O ator revela-se de bem com
a vida e nunca deixa que o sucesso tome conta de
si

Qui, 16/10/2014 - 00:00

Tem 35 anos e passou praticamente os últimos 11 a viajar entre Portugal e Brasil, onde já fez história enquanto ator. Trata-se de Ricardo Pereira, que percorre a sua vida numa entrevista à VIP. Casado com Francisca Pinto Ribeiro e com dois filhos, Vicente, de três anos, e Francisca, que faz este mês um ano, o ator revela-se de bem com a vida e nunca deixa que o sucesso tome conta de si. “Embora ser felizes”, desafia Ricardo Pereira.

VIP – Cinco anos depois da última telenovela em Portugal, está de volta para ser um dos protagonistas de Mar Salgado. Como está a correr?
Ricardo Pereira –
Sinto um prazer imenso sempre que venho cá. Quando surgiu este convite da Globo e da SIC não foi difícil convencer-me. Foi a junção de um bom projeto profissional com um bom projeto pessoal que me permite passar uns bons meses em Portugal. Não tinha como recusar.

A telenovela tem tido uma média de 1,6 milhões de telespetadores diários. Consegue fazer com que estes números não tenham influência no seu trabalho?
Não influencia nada. Não somos influenciados pelas audiências, mas não existem atores sem público. Enquanto ator, deixa-me feliz que exista produção de qualidade nos três canais e que os programas mais vistos dos três sejam de ficção. Estando na SIC, agrada-me que o programa mais visto seja o nosso. Mas não influencia o meu dia-a-dia. A minha vontade, obrigação e aquilo para que sou pago é dar o máximo em cada cena, fazendo um trabalho de qualidade.

Sente-se uma estrela? Ou olham para si desse modo e, por exemplo, os atores mais jovens têm vergonha de falar consigo?
Não me considero uma estrela. Sou mais um que aqui anda na batalha diária, com as inseguranças inerentes à profissão de ator. Mas sei que alguns atores mais novos têm alguma vergonha de falar comigo. Quando me conhecem, percebem que sou descontraído.

Que balanço faz destes 11 anos de vaivém Portugal-Brasil?
Passaram muito rápido. Tenho 35 anos vividos com experiências de vida e de mundo de uma pessoa de 60. Morei em muitos lugares, partilhei a vida com tantas pessoas, tive experiências profissionais tão diferentes... Isso proporcionou-me uma dinâmica de olhar para a minha vida, carreira e para o que sou de uma forma muito mais global, com muitas coisas vividas. Chegar aos 35 anos com a sensação de que já vivi muito é a melhor sensação do mundo. Foi intenso e prazeroso. E é assim que a vida deve ser vivida. Profissionalmente, não podia estar mais satisfeito, mas ainda falta muito caminho. Pessoalmente, não podia estar mais feliz pois tenho uma mulher que amo, uma família que adoro, uns pais que idolatro, uns filhos que são o meu gás todos os dias, que são o meu tesouro. E isto com muita bagagem. Com muitos amigos abraçados. E a vida é isto. Sabe-me bem. Tenho vivido bem. E isto não tem nada a ver com coisas materiais, mas com viver. São as emoções mais primárias, e isso é algo que aproveito bem.

É um valor seguro, cá e no Brasil. Tem tido uma presença cada vez mais forte no cinema francês. Para quando uma aposta num novo mercado, como os Estados Unidos?
Tenho feito uma incursão no cinema francês e já participei em algumas séries. É um mercado que me seduz. É já um terceiro mercado, de uma forma contínua. Já tive alguns convites para fazer participações menores nos Estados Unidos. Mas, para estar nesse mercado, é preciso estar lá. Acho que poderei passar lá um ano ou dois, daqui a um ano. Estar lá com a família. Aproveitar para fazer uma reciclagem a nível de estudos. Tenho um bom agente lá e poderei procurar um bom trabalho. Às vezes, é bom fazer um retiro para baralhar e voltar a dar. Seria importante passar um ano ou dois anos nos Estados Unidos.

Apesar da sua carreira, essa aposta significa quase começar do zero. Assusta-o?
Não. E acho que isso é importante quando existe uma mudança de vida. Esta reciclagem constante que devemos fazer na nossa vida faz-nos bem e promove-nos. A inquietação, que nos leva a querer fazer mais e melhor, numa nova cultura e com novas pessoas, também é boa. Tenho vontade de evoluir com um bom curso, experimentar a vida dos Estados Unidos com a família e, posteriormente, ver as melhores oportunidades para trabalhar num novo mercado. A possibilidade de começar do zero fascina-me bastante.

Existe a ideia de que os atores ganham fortunas. É um mito?
Acho que essa ideia tem por base a realidade dos Estados Unidos. E a nossa realidade, bem como a do Brasil, não pode ser comparada com esse mercado. A resposta mais sincera que posso dar é que sou justamente pago pela horas que trabalho e pelo trabalho que tenho. Quem me conhece sabe o quanto trabalho e a minha dedicação para que tudo corra bem. É importante que, diariamente, me caracterizem como um bom profissional e responsável.

Qual a importância da Francisca e dos vossos filhos na sua carreira?
Toda e mais alguma! Sempre fui habituado a ter uma família grande e muito presente. A vida profissional é muito importante, mas não há nada tão importante como a família. É bom ter uma família participativa, que acompanha o que fazemos, e isto não é exclusivo da vida de um ator. A família é o teu pilar. É tudo! Preciso de estar perto deles, sempre. São eles que me alimentam. Preciso de sair do trabalho, esquecer tudo e dedicar-me às brincadeiras e à inocência dos meus filhos. Aprender com eles e com a minha família. São o meu porto de abrigo. Sou um homem de família.

Gostava que o Vicente e a Francisca seguissem a sua carreira?
Vou deixar essa escolha para eles. Vou proporcionar a melhor educação que lhes possa transmitir e as bases para que descubram o mundo por eles. Depois, independentemente da escolha que fizerem, só peço que sejam felizes.

Não esconde o desejo de aumentar a família. O terceiro filho já está planeado?
De uma forma consciente, acontecerá quando tiver que acontecer. Gostamos muito de ser pais. É uma grande responsabilidade, educar dá trabalho, mas é muito, mas mesmo muito, bom.

Numa palavra, como imagina o seu futuro? Feliz! Alegre é melhor. Não sei se serei sempre ator, assim o espero. Mas, seja o que for, se eu e a minha família estivermos alegres, já será bom. E, independentemente do que venha a fazer, terei sempre o mesmo empenho e brio profissional. Isso permite-me estar aqui e é bom estar aqui.

Texto: Bruno Seruca; Fotos: Bruno Peres; Produção: Zita;
Maquilhagem e cabelos: Vanda Pimentel com Produtos Maybelline e L'Oréal Professional

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