Há quem a conheça devido ao seu percurso enquanto jornalista, que se estende da Imprensa escrita até à televisão, passando ainda pela rádio. Muito conhecem a sua paixão pela arte e o talento para o desenho, algo que já lhe valeu cinco exposições. É mãe e casada com João Gil. Porém, o que algumas pessoas não devem saber é que Ana Mesquita está a ter aulas de canto. Em conversa com a VIP, confessa que seria uma burrice não aceitar um convite do marido para uma parceria musical, mas deixa bem claro que João Gil nada tem a ver com esta incursão no mundo das cantorias, que sempre foi seu. 

 

VIP – É uma mulher de mil ofícios. Qual a melhor forma de a definir?

Ana Mesquita – Gosto de participar ativamente do Mundo, de ter voz como cidadã e um olhar criativo, critico e artístico no que faço. Gosto de contribuir para mudar ou melhorar a vida à minha volta. Há uma constante inquietude e uma insatisfação no modo como encaro tudo. Mas há também uma esperança no futuro e alguma coragem, um saudável atrevimento que me estimula para não deixar de fazer, escrever ou de dizer aquilo que penso.

 

Algo do que faz hoje é um sonho que vem de criança? Ou quando era mais nova sonhava com algo completamente diferente?

O que sou hoje foi sendo sonhado ao longo destes 48 anos. Desde criança. Nós não somos o que ambicionamos ser. Somos aquilo em que acreditamos. Sempre acreditei na arte como o espelho daquilo em que acredito. Costumo dizer que a arte aproxima as pessoas entre si e o riso cria intimidade. Por isso, gosto tanto de quem consegue fazer-me rir. Mas, em relação à arte, sempre soube que quanto mais eu escrevesse, quanto mais desenhasse, melhor seria capaz de partilhar o que vejo, de contar as minhas histórias. E agora, se conseguir cantar, como espero, tenho de cantar bastante até que a emoção passe para quem ouve. No fundo, o objetivo de tudo o que fazemos resume-se à emoção que conseguimos provocar e ao efeito de mudança, de progresso, que as nossas ações obtêm.     

 

Mencionou a música. Como surgiu a vontade de cantar?

Sempre cantei. O João, quando me conheceu, disse: “Tu vives dentro das canções!” E é verdade. A música, sobretudo a poesia e as metáforas, a subtileza dos subentendidos, foram sendo uma espécie de manual de instruções para me responder às questões da vida. De tanto ouvir certas frases das letras das canções, elas acabavam por se tornar mantras que me explicavam coisas e me obrigavam a pensar. O Sting tem uma canção que é um verdadeiro comício à escala mundial. Chama-se Russians, foi escrita no tempo da Guerra Fria. Na estrofe principal diz: “Espero que os Russos também gostem dos filhos deles.” A frase ainda hoje é atual. E uma das grandes potencialidades da música é essa: as grandes canções têm a capacidade de vincar mensagens.   

 

Está a ter aulas de canto. Qual o seu objetivo neste meio artístico?

Estou a ter aulas de canto na Escola Musicentro dos Salesianos, no Estoril, com o professor e excelente cantor Paulo Ramos. A escola tem instalações novas e um conjunto de professores que são músicos ativos: têm bandas e tocam regularmente. Gente muito habilitada, a começar pelo mentor da escola, o Paulo Muiños, professor de guitarra baixo e saxofonista. Num país onde as escolas de música fecham por falta de pagamento aos professores e, no caso do Conservatório, por falta de condições do edifico, que ameaça ruir, há que reconhecer que é uma bênção que os Salesianos percebam a enorme importância que tem a música na formação intelectual dos seus alunos e zelem pelo bom funcionamento da Musicentro. O meu objetivo, neste momento, é ficar a saber cantar e perceber a lógica da composição musical, conhecer o meu aparelho vocal e usá-lo melhor. Há toda uma descoberta, muito curiosa, do “eu” no processo de desinibição do canto. Depois, logo se verá.

 

Podemos esperar por um álbum e concertos a curto ou médio prazo?

De forma alguma!

 

É casada com um dos mais influentes músicos portugueses. Por isso, é impossível não perguntar se o João tem alguma influência nesta incursão artística?

Sim, o João é um grande compositor, mas não tem rigorosamente nada a ver com esta minha decisão, com a ida para a Musicentro. O João nem sequer conhece o Paulo Muiños, diretor da escola, que é casado com a minha adorável professora de pilates, a Sofia Pedro. Foi através dela que cheguei à escola. Nasci no seio de uma família que me incentivou para as artes. Estudei Design. 

 

Tinha uma avó pintora e poetisa, um bisavô maestro e uma mãe melómana. É esse caldo cultural e educacional que me entusiasma para o canto e, quiçá, um dia destes, até para a representação… 

É importante ter a aprovação musical do seu marido?

O que seria se não gostássemos, eu da música que ele compõe e ele do que eu desenho ou escrevo? “Não se ama alguém que não ouve a mesma canção”, Rui Veloso/Carlos Tê (risos). 

 

Gostava de ter um projeto musical em conjunto com ele?

Se for convidada, não terei como não aceitar. Seria uma burrice. Mas está longe de ser o meu objetivo.

 

Leia a entrevista completa na edição número 920. 

 

Texto: Bruno Seruca; Fotos: Bruno Peres; Produção: Zita Lopes; Maquilhagem: Vanda Pimentel com produtos Maybelline e L’Oréal Professionnel; Cabelos: Vanity Ulisses

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