Ana Guedes Rodrigues
“Dizer que tinha medo do namorado do Goucha acabou por ser bom para mim”

Famosos

Diretora de Informação do Porto Canal recorda o episódio com o apresentador da TVI e conta alguns dos segredos do seu percurso profissional e pessoal

Sex, 30/01/2015 - 00:00

Saltou para a ribalta depois de, numa conversa em tom de brincadeira, ter dito a Manuel Luís Goucha, em direto, que tinha medo do namorado do apresentador. Na altura, já era a cara do Jornal da Uma da TVI e uma das mais promissoras jornalistas nacionais. Atualmente, é diretora de Informação do Porto Canal e, apesar dos seus 32 anos, já tem um percurso muito interessante. Para além disso, Ana Guedes Rodrigues é mãe de gémeos e tem um amor ao Norte fora do normal, o que já a fez cometer algumas “loucuras”.

 

VIP – Tem falado com Manuel Luís Goucha?

Ana Guedes Rodrigues – Nunca mais falei com o Manuel Luís desde que saí da TVI. Não éramos amigos, mas dávamo-nos bem, enquanto colegas de trabalho. 

 

“Ana Guedes faz corar Goucha TVI 2010” tem 921 724 visualizações no YouTube. Alguma vez esperou um impacto tão grande?

Não, nunca. Foi muito espontâneo. Eu e o Goucha tomávamos o pequeno-almoço no mesmo bar e ele achava piada à minha espontaneidade, por ser uma mulher do Norte e por ele ter vivido também alguns anos no Porto. Metia-se muito comigo e eu respondia: “Ai, Manuel Luís, um dia destes foge-me a boca para a verdade e ainda digo algo que não devo.” E naquele espaço, entre o programa dele e o Jornal da Uma, metia-se comigo, picava-me, e eu sempre consegui controlar-me. Mas naquele dia saiu. Dizer que tinha medo do namorado era a coisa mais natural do Mundo e achei que para ele também era. E não era ainda. Na altura, não era completamente natural, nem transparente. E teve aquele impacto porque não tinha ainda assumido publicamente que vivia com o companheiro. Acabou por chocar o público. Mas ele, superquerido, até brincou com a situação e disse: “Para a próxima, não digas namorado, diz antes companheiro porque a relação é mais séria.”

 

Teve medo de represálias na TVI? 

Sim, quando percebi a reação no estúdio e o Manuel Luís disse que íamos parar ao YouTube é que pensei que devia ter dito algo de errado e alguém iria fazer-me uma chamada de atenção. Mas toda a gente na TVI viu aquilo com naturalidade. Os portugueses é que não estavam tão preparados quanto eu pensava.

 

De alguma forma, não achou injusto só ter ficado mais conhecida do público por esse episódio, quando na verdade já apresentava o Jornal da Uma há uns tempos?

Fiquei mais conhecida sobretudo para o público mais jovem. O Jornal da Uma é mais visto por reformados ou desempregados e, esse momento, como fez furor nas redes sociais, levou a que chegasse a um público que não era o meu. Era engraçado estar num centro comercial e um jovem meter conversa a dizer que adorou aquilo que tinha dito ao Goucha. E até me tratavam por tu, o que não é normal com jornalistas, pois as pessoas têm uma relação mais distante. Sentiam uma certa proximidade. E isso acabou por ser bom para mim e julgo que para o Manuel Luís também.

 

Quero agora voltar ao início. Nasceu há 32 anos, começaram por chamar-lhe Náná na família e Ana Isabel na escola. O que é que hoje ainda mantém dessas duas?

Da Ana Isabel tenho muito pouco, nem me identifico. Provavelmente, se me chamarem, nem olho. Só a mãe de uma amiga de infância me chama Ana Isabel. Com o Náná identifico-me completamente e ainda há muito de Náná em mim, pois continuo a ser Náná para toda a família, incluindo o marido. É um nome de carinho e afeto.

 

É uma menina do campo muito por culpa dos avôs. Assume-se muito tímida mas, pelos vistos, agora é muito barulhenta nas redações. Tem a ver com a maturidade?

Se calhar. Em miúda era tímida, mas sociável. Nunca fui o bichinho do buraco, mas não era expansiva. Não era a delegada de turma.

 

Não era a miúda popular da escola? 

Não, essa popularidade veio com o tempo, com a passagem de um colégio de freiras, onde eram só meninas, onde estive 11 anos, para o sistema público, misto, no colégio dos Carvalhos. Aí, com 14, 15 anos, deu-se um pouco a minha emancipação e libertei-me muito. A partir daí, comecei a ser uma miúda popular, ia de mota para a escola, o que não era normal, depois achavam-me a miúda gira da escola e isso deu-me confiança e assumi-me mais como a Ana. É a minha personalidade e sim, sou barulhenta na redação. Sou bem-disposta, gosto de me rir e fazer rir. 

 

E o que mudou com a promoção a diretora de Informação do Porto Canal?

Não mudou. Estou no lugar onde sempre estive, todos me tratam por tu e a relação com as pessoas é a mesma. Parto do princípio que saberão respeitar o cargo e os seus limites. Bebemos café, almoçamos e se tivermos de ir para os copos todos juntos, vamos. 

Rasgou a folha de candidatura onde tinha Direito como primeira opção e retificou para Jornalismo. 

 

Hoje, dá graças a Deus?

Completamente. Nunca na vida teria sido uma boa advogada. Era um tiro ao lado. Nem sei porque me passou aquilo pela cabeça. Talvez influenciada pelos pais, que achavam que Direito era uma carreira com mais sucesso e futuro. Além disso, gostava de comunicar, escrever e tinha boas notas nas disciplinas de Direito, mas nunca na vida teria sido a escolha acertada. 

 

Gostava de Imprensa escrita, mas os professores encaminharam-na para a televisão. Tinha talento ou era por ser a miúda bonita?

Agora, que olho para trás, admito que já tinha talento. A minha escrita é de televisão. Os meus professores tiveram essa perspicácia. Por outro lado, enquanto os meus colegas ficavam nervosos quando as luzes das câmaras se acendiam ou pediam para simular um direto, eu sentia-me como peixe na água. 

 

Estagia aos 21 anos na TVI do Porto, pela mão de Júlio Magalhães. Depois, encontram-se na TVI e agora voltam a cruzar-se no Porto Canal. Ainda não o trata por tu, nem por Juca?

Não (risos). É estranhíssimo. E agora, ele como diretor-geral e eu como diretora de Informação, a nossa relação está mais próxima, temos imensas reuniões e assuntos para tratar, almoçamos muitas vezes e já não é a relação de chefe e estagiária. Fui-me aproximando hierarquicamente, mas não o consigo tratar por tu. São muitos anos e, no início, eu era mesmo uma miúda à beira dele, uma figura muito carismática e querida pelos portugueses. Os meus pais tinham imenso respeito por ele e era impensável tratá-lo por tu. E ficou assim. 

 

Depois desse estágio, esteve quase um ano na TVI do Algarve, mas todos os fins de semana ia ao Porto, no seu Peugeot Comercial cinzento. O que a prendia ao Norte?

Era o meu carro de guerra. Fui feliz em todas as cidades por onde passei, integrei-me, mas tenho sempre saudades do Porto. Adapto-me mas como turista e é quase como se fosse tropa e ao fim de semana fosse à terra. O Porto, apesar de ser uma cidade fria, para mim é a mais calorosa do Mundo. 

É aqui que me sinto mesmo bem, é a minha casa. 

 

Tanto que deixa o Algarve para trabalhar numa companhia de seguros, durante quase um ano. Podia estar a fazer televisão e, por este “amor a casa”, estava ali.

As pessoas é que me diziam isso. A TVI metia imagens minhas no ar e perguntavam-me se não tinha saudades. E que, estando numa companhia de seguros, ninguém sabia quem eu era. Mas nunca senti isso. Quero é ser feliz. A profissão é importante, mas não é lá que vou buscar tudo. Na lista das minhas prioridades nunca esteve no topo. 

 

Como surge a oportunidade de ir para a TVI? Pelo bom trabalho no Porto Canal?

Eu procurei a TVI. Estava há três anos no Porto Canal e senti necessidade de crescer. Enviei o currículo para o Júlio Magalhães, entro na TVI Porto, faço um direto e acho que a Manuela Moura Guedes estava a ver e perguntou quem era a miúda que se tinha safado bem. Disse que precisava de um pivot para substituir o José Carlos Araújo no Diário da Manhã e perguntou se me safava. O Júlio disse que estava farto de apresentar jornais, enviou o portfólio e ela gostou. Chamou-me logo.

 

Depois de 15 dias na TVI Porto, leva o carro da empresa para Lisboa, fica a viver num hotel, tem de comprar roupa interior e escova de dentes. E passados dois dias está a apresentar o telejornal às 4 da manhã. 

Foi um rebuliço. Tive de fazer uma adaptação ao horário, mas correu lindamente, adorei e tenho imensas saudades do formato da manhã. De todos, é o que mais se identifica comigo, é o que dá mais gozo: três horas em direto, com muita dinâmica e ritmo. É um horário um bocado antissocial, mas dá muito gozo.

 

E, nessa altura, vivia um sonho ou os olhos continuavam no Porto?

Continuavam no Porto, até porque continuava a vir todos os fins de semana. Fui para Lisboa sem perder o Norte. Continuava de olhos no Porto, mas imaginava-me em Lisboa o resto da vida. Não tinha namorado e o normal seria conhecer alguém, apaixonar-me, casar, ter filhos e viver em Lisboa. Mas não vale a pena fazer planos porque a vida troca-nos as voltas em três tempos.

 

Manuela Moura Guedes faz falta na informação em Portugal?

Faz. É uma ótima jornalista, com um estilo muito próprio, que pode ser consensual ou não. O estilo incisivo e agressivo faz falta. Desperta consciências, investiga, vai atrás, é curiosa e tinha uma equipa fantástica. 

 

E José Eduardo Moniz?

Não deve haver muitos líderes com tanto carisma. É um ótimo exemplo do que é um líder na área do audiovisual. Arrasta multidões e é muito difícil dizer-lhe que não. Uma pessoa pode dizer que não à empresa, mas diz sim ao Zé Eduardo.

 

Ele faria com que voltasse?

Não penso nisso e não faço grandes planos. Tenho uma característica: não tenho grande poder de iniciativa. Por isso, dificilmente serei eu a propor alguma coisa. Sou pouco ambiciosa. As oportunidades foram-me aparecendo e os desafios sendo propostos. E eu não consigo dizer que não a um desafio. A este que o Júlio me lançou agora estive mesmo para dizer que não. Nunca quis cargos de chefia porque sabia que iria fazer menos jornalismo. Mas gosto de me pôr à prova.

 

Leia a entrevista completa na edição número 915 da VIP 

 

 

Texto: Humberto Simões; Fotos: Alexandre Almeida; Produção: Romão Correia; Maquilhagem e cabelos: Atelier Paula Lage

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