Sónia Araújo E Luís Baila
Descobriram a Verdade do Vinho

Nacional

O jornalista e a apresentadora misturam informação e entretenimento
num programa sobre o vinho

Qui, 09/10/2014 - 00:00

"Quando entrei no projeto, a equipa já estava praticamente formada. Foi uma surpresa e um desafio muito bom. Fiquei muito contente com o convite e, quando me inteirei do programa, achei muito interessante e disse logo que sim. Passado uma semana já estava a gravar”, diz Sónia Araújo sobre o programa Verdade do Vinho, que estreou na RTP2 no dia 30 de setembro.

O programa pretende, naturalmente, contar “estórias” à volta do mundo dos vinhos e, ao lado do jornalista de desporto Luís Baila, Sónia Araújo já gravou 13 episódios, em várias regiões demarcadas. À mistura, bom humor, gargalhadas e algumas aventuras. Na Companhia das Lezírias, por exemplo, montaram um puro-sangue lusitano.“Tínhamos ali puros-sangues lusitanos, portanto, proporcionava- se. Éramos sempre desafiados e ‘metemos a mão na massa’. Há uma competição saudável entre nós os dois”, diz a apresentadora, que apesar de não saber montar decidiu arriscar e está bastante orgulhosa com a prestação. “Cada episódio é referente a uma região vinícola. Deslocámo-nos aos locais, fomos conhecer as casas, os rostos e as histórias dos produtores. Acho que, acima de tudo, é um programa muito útil. É bom para quem não conhece e é bom para quem é apreciador porque vai descobrir o que está por trás de cada vinho, o que é uma forma de divulgar o nosso País. Claro que acabamos também por falar de gastronomia e de enoturismo”, acrescenta.

A verdade do vinho
A ideia, quando foi apresentada ao jornalista Luís Baila, foi imediatamente bem recebida. “Surgiu de forma muito simples. O nosso diretor falou-nos do programa que a RTP queria pôr em marcha e eu disse imediatamente que sim, porque o vinho é uma coisa que me interessa e pela qual tenho uma grande paixão. E achei que dar asas a essa paixão era também uma boa oportunidade do ponto de vista profissional. Depois, soube que a Sónia Araújo também se juntava ao projeto, o que foi ótimo porque, afinal, uma viagem destas, por paixão, é melhor ainda se tivermos uma boa companhia”.

Ambos são amantes de vinho, mas de forma diferente. Sónia, por razões óbvias, tem uma predileção pela região demarcada do Douro; Luís Baila gosta de todas... pelo mesmo motivo. “Vou dar uma resposta politicamente correta, o que nem é muito um hábito meu, mas do que eu gosto, verdadeiramente, é de Portugal. É um país pequenino, comparado com outros países vinícolas como Espanha, França ou Itália, mas tem uma diversidade vinícola impressionante. No mesmo dia, conseguirmos arrancar de Trás-os-Montes, que tem vinhos fantásticos e chegar ao Algarve, que tem outro vinhos fantásticos, passando pelo Douro, pelo Dão, pela Bairrada e por Setúbal, e todas essas regiões produzem vinhos muito diferentes. Isto é que é extraordinário e não é possível noutros países do mundo”, diz o jornalista.

A expressão latina in vino veritas diz que a verdade está no vinho, mas Luís Baila não está tão certo disso: “O vinho é um mundo muito interessante e muito complexo e, com certeza, não tem uma só verdade. Nós brincamos um bocadinho com isso, andámos à procura dessa verdade, mas não existe a verdade do vinho, existem muitas verdades. O vinho é mais do que uma simples bebida: é cultura, é história, é paixão, pode provocar discussão, pode acompanhar uma conversa, e, do ponto de vista cultural, para nós, portugueses, faz parte da mesa”. Naquilo em que ambos concordam é que o programa foi um ótimo desafio. “É um registo que nos permitiu, a mim e ao Luís, dar um bocadinho azo ao nosso lado mais criativo, o que, em alguns casos, implicava quase uma vertente de interpretação. Foi uma experiência muito boa”, diz Sónia, enquanto o jornalista pensa que “há pano para manga” para mais temporadas. “A vida é feita de desafios e isto foi mais um desafio, do ponto de vista profissional. Eu sou jornalista, quero morrer jornalista, mas sem perder as regras que determinam o facto de ser jornalista. Gostava de ir experimentando desafios novos, pois estou preparado. Ficaram muitas histórias para contar. Em 13 episódios não tivemos oportunidade de contar todas as histórias que podem contar-se sobre o vinho”, diz o jornalista, que gostou de provar o sabor do entretenimento.

“O que se tratou, ali, foi de fazer entretenimento em televisão. A Sónia Araújo é uma ótima profissional, e, quando trabalhamos com uma pessoa assim, estão reunidas as condições para que tudo corra bem. E correu, de facto. Isto é como no futebol: dizem que jogar com o Cristiano Ronaldo é bom e é fácil. É como trabalhar com a Sónia Araújo. Foi bom e foi fácil”.

A nova vida da apresentadora
Desde que deixou de apresentar A Praça da Alegria, o programa das manhãs da RTP1, com Jorge Gabriel, a vida de Sónia Araújo alterou-se, nomeadamente em termos de horários, mas a família reorganizou a sua vida e já todos se adaptaram. Para além do Aqui Portugal, ao sábado, vai tendo outros projetos na RTP e fora dela. “Foi preciso uma reorganização diferente. Eu tenho sempre tempo para os meus filhos, mas a minha profissão é muito absorvente e, às vezes, tenho de me ausentar de casa um dia, ou vários dias, ou até uma semana. Claro que os sábados e domingos costumavam ser para a família e, agora, é só o domingo. Mas tento gerir melhor o meu tempo durante a semana”, diz a apresentadora, que acaba de lançar o DVD As Dicas da Sónia, o segundo trabalho com músicas sobre hábitos saudáveis para as crianças.

“É uma área que faz sentido dar continuidade porque há sempre histórias para contar. É uma forma lúdica de as crianças aprenderem coisas importantes”, diz, admitindo que os três filhos, Carolina, de 11 anos, e os gémeos Francisco e Tomás, de cinco, são o seu melhor público. “São um ótimo teste. Se eles pedirem uma ou outra música mais vezes, fico a saber quais serão os temas favoritos do público”, diz, realçando que o apoio da família tem sido fundamental nesta nova fase. “Os avós, de ambos os lados, estão todos por perto e não há nada que pague isso. Sinto-me abençoada não só por isso, mas também porque têm um pai presente, o que é muito bom”, conclui.

Texto: Elizabete Agostinho; Fotos: Paula Alveno

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