Conan Osíris e o pesadelo do bullying
«Desde me tirarem as calças e as cuecas no corredor da escola, na cafetaria…»

Nacional

Conan Osíris é um dos nomes do momento. O cantor abre o coração a Cristina Ferreira sobre o bullying que sofreu enquanto jovem: «Ou estou super relaxado ou vou para um estado que ninguém quer ver. Um estado de pegar em facas.»

Sex, 05/04/2019 - 18:30

Conan Osíris é um dos nomes do momento. Trata-se do cantor que irá representar Portugal no Festival Eurovisão da Canção deste ano, com o tema Telemóveis. 

O artista revela, em entrevista a Cristina Ferreira, que, já na adolescência, gostava de ter uma imagem diferente, o que lhe trouxe alguns dissabores.

«Vestia aquelas roupas muito largas, usava já o cabelo comprido. Tinha assim um toquezinho já diferente e, às vezes, eles [professores] implicavam um bocadinho. Não gostavam que eu me penteasse nas aulas, o que às vezes acontecia», relata.

No entanto, não eram os professores o principal motivo de tensão mas sim os colegas de escola que não aceitavam a sua forma de ser. «Sempre tive a necessidade de me entreter a mim próprio, para não me deixar cair tanto nessas vivências mais graves. Nessas porradas que eu levava, que agora chamam bullying», explica.

Tiago Miranda perdeu o pai aos oito anos. O progenitor do intérprete de Telemóveis era toxicodependente e a vida sempre foi passada com a mãe e com as avós. Na escola, essa diferença de postura e de imagem valeram a Conan Osíris momentos de violência e humilhação públicas.

«Óbvio que eu era tudo e mais alguma coisa»

«Imagina, tens 15 anos ou 16 anos e apareces com o cabelo comprido? Óbvio que eu era tudo e mais alguma coisa. E que me faziam tudo», recorda, relatando episódios específicos. «Desde me tirarem as calças e as cuecas no corredor da escola, na cafetaria… faziam-me trinta por uma linha. Não fazia Educação Física porque a convivência no balneário era uma coisa nada pacífica», conta.

Questionado sobre como respondia a estes ataques, Tiago Miranda explica que as agressões o deixavam em estados extremos. «Como em quase tudo, eu não tenho um meio-termo. Ou estou super relaxado ou vou para um estado que ninguém quer ver. Um estado de pegar em facas. Um estado de quase morte. De quase querer provocar a morte».

Conan Osíris é o representante de Portugal na Eurovisão 2019. O cantor atua na primeira semifinal do certame, a 14 de maio. Telemóveis será a 15ª das 17 músicas a serem ouvidas no palco da Expo Tel Aviv, em Israel.

Texto: Raquel Costa; Fotos: Arquivo Impala e Vera Marmelo 

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