Beatriz Frazão
«Não há nada que me faça mais feliz do que representar»

Nacional

Beatriz Frazão é já um caso sério no teatro e televisão do nosso País

Sex, 08/03/2019 - 6:00

Tem 15 anos, mas já dá cartas na representação e os portugueses já a reconhecem ao primeiro vislumbre. Representar é o que lhe dá mais prazer e é por esta via que a jovem atriz pretende levar a sua vida profissional. Depois de se tornar presença assídua no horário nobre da programação da SIC, com a telenovela Vidas Opostas, andou em digressão pelo País, com Alice no País das Maravilhas, onde contracena com Maria João Luís. Estudar no estrangeiro não está fora de questão e a carreira sem sombra de dúvida que tem de passar pela representação, seja em que meio for.

VIP – Aos 15 anos, já começa a ter um outro estatuto de atriz, com papéis muito diferenciados, quer em televisão, como nos palcos, com Alice no País das Maravilhas. Como começou a sua carreira?
Beatriz Frazão – Até mais ou menos aos oito anos fiz alguns trabalhos fotográficos e passagens de modelos para marcas e revistas de moda, mas foi aos dez, quando fui chamada para a telenovela da TVI Jardins Proibidos, que as coisas se tornaram mais a sério. Depois fiz o Amor Maior e Vidas Opostas, para a SIC. Tive a sorte de fazer três personagens completamente diferentes: a Gabi, que era alegre e vivia na praia, pois era filha de pescadores; a Daniela, que era mesmo muito sofredora e passava a vida a chorar; e a Lucinha, uma ginasta superconfiante, mas cheia de fragilidades que tenta esconder. Em teatro comecei aos 12 anos, no grupo de teatro infantil Animarte, e a minha primeira peça foi A Princesinha no Centro Cultural da Malaposta. Ainda no Animarte tive a sorte e o privilégio de participar em muitas outras peças, como Heidi, Annie, Fame ou o Feiticeiro de Oz. Depois fui convidada pela Palco 13 a participar na peça Sonho de Uma Noite de Verão e agora, mais recentemente, faço parte do elenco de Alice no País das Maravilhas, que estreou no Teatro Nacional D. Maria II e fez uma digressão pelo País, até terminar no Teatro Nacional de São João, no Porto. Foi uma experiência única!

Qual o tipo de interpretação de que gosta mais: em telenovela ou nos palcos?
Essa é uma escolha difícil. Gosto muito do desafio que é uma novela, pois são muitas cenas para preparar, muitas roupas, muitas emoções, muitos atores diferentes para contracenar, e nunca sabemos como vai acabar, mas o palco faz sentir uma adrenalina no corpo que a televisão não consegue. Por isso não sei… não consigo escolher o que mais gosto.

O gosto pela representação nasceu espontaneamente consigo, ou houve algum “empurrãozinho” de alguém?
Em pequena era mesmo muito tímida e tinha muita vergonha de falar com as pessoas, até com os amigos com quem brincava, e os meus pais começaram a levar-me a castings de anúncios para ver se eu me começava a soltar mais, e descobriram que a minha timidez passava quando tinha que representar. Portanto, houve um empurrãozinho, mas não foi intencional.

Por que caminhos gostaria que fluísse a sua carreira: televisão, teatro ou cinema? Ou um bocadinho de tudo?
Cinema ainda não experimentei, mas gostava de continuar a conseguir fazer um bocadinho de tudo, até porque se tivesse de escolher, não saberia mesmo o que decidir. 

Como estão a decorrer os estudos? É fácil conciliar horários de gravações com a escola?
Os estudos estão a correr bem, mas não é muito fácil, porque a escola é muito exigente e o sistema de ensino não está preparado para permitir conciliar com outras coisas. Passo a vida a estudar: entre guiões para decorar e matéria para os testes, não sobra tempo para mais nada. Durante a digressão da Alice no País das Maravilhas, tinha de aproveitar todos os minutos em que estava sozinha, no hotel ou durante as viagens de camioneta e comboio, para estudar.

E como é que consegue conciliar as duas coisas quando vai em digressão, como, por exemplo, com a Alice no País das Maravilhas?
Durante a digressão tive de faltar alguns dias à escola, mas para isso acontecer precisei de uma autorização da Comissão de Proteção de Menores, foi preciso falar com os professores para aceitarem a justificação das faltas e para alterarem algumas datas de testes, e tive de combinar com colegas para me passarem a matéria que tinha de estudar. É um pouco cansativo, mas como representar é o que mais amo fazer, até podia ser muito mais difícil, que não me importava.

Os seus pais e irmãos sempre a apoiaram nesta sua escolha profissional? E foram um grande incentivo?
Sim, sempre tive o apoio da minha família. Aliás, não conseguiria fazer nada disto sem o apoio deles, são muitas deslocações e todos os dias há um horário diferente a cumprir. Normalmente, o meu pai leva-me aos sítios e ajuda-me a lidar com os diferentes tipos de pessoas, a minha mãe ajuda-me com os estudos e a organizar-me, a minha irmã ajuda-me a decorar as falas dos guiões e o meu irmão obriga-me a brincar com ele, o que, às vezes, é bom para descontrair.

Está neste momento na altura correta da sua vida para escolher um rumo profissional, tendo de fazer opções académicas para tal; por onde pretende levar os seus estudos? Pela área da representação ou tem outros sonhos académicos?
Pela área da representação! Não há nada que me faça mais feliz d representar. Os meus pais insistem para que eu tenha um plano B, porque a vida de ator é muito incerta, mas é difícil encontrar algo de que eu goste; talvez psicologia, pois é uma área que me fascina.

Já fez um curso de representação em Londres; gostaria de internacionalizar mais a sua carreira, tanto em termos de estudo e participação em cursos e workshops, quer participando em produções estrangeiras? Em que tipo de produções?
Sim, gostava muito de estudar fora, pois alarga horizontes e tenho acesso a outras culturas e outras formas de pensar. Quando estive em Londres, havia alunos de todo o Mundo e foi mesmo muito interessante. Adorava participar em produções estrangeiras, mas não sei se estou à altura e nem sei como chegar a elas. Qualquer tipo de produção me agrada, mas gostava de experimentar um musical. Quando era pequena adorava uma série chamada Glee e sonhava em participar num projeto desses.

Com uma carreira que engloba já a participação em quatro produções televisivas e diversas peças de teatro, com tão pouca idade, já ganhou diversos prémios; estes são importantes para um ator? Ou enchem apenas o ego?
São importantes, pois representam um reconhecimento do meu trabalho, e como sou muito insegura, estes prémios ajudam-me a acreditar mais em mim, mas, ao mesmo tempo, aumentam muito o medo que tenho em desiludir aqueles que apostam em mim.

Com 15 anos apenas e uma carreira já tão preenchida, quais são as outras paixões da jovem Beatriz Frazão? Como gosta de passar os seus tempos livres?
Tenho tido poucos tempos livres, mas gosto muito de dançar e de estar sozinha com a Natureza. O sítio onde gosto mais de estar são os bosques de Sintra.

Quais são, na sua opinião, as qualidades que um ator deve possuir?
Acho que ainda sou pequena para saber responder bem a essa pergunta, pois ainda não tenho mentalidade suficiente, mas as qualidades que eu mais aprecio nos atores são a humildade, a generosidade, a dedicação e o respeito pelos outros.

Quais são os seus atores preferidos, tanto nacionais como estrangeiros?
A primeira novela que acompanhei foi o Dancin’ Days e, a partir daí, a Joana Santos tornou-se a minha atriz preferida. Mais recentemente, quem me tem fascinado diariamente é a Maria João Luís; ela tem uma visão incrível sobre as coisas e uma energia a representar que eu adoro. Estrangeiros, adoro a Natalie Portman e o Noah Schnapp.

E… como vai isso de amores? Há alguém que já tenha capturado o seu coração, ou ainda espera pela flecha do Cupido?
Ando sempre tão ocupada que o Cupido não me consegue encontrar. Tenho feito projetos muito interessantes que ocupam todo o meu pensamento e não sobra espaço para amores… pelo menos por enquanto. 

Texto: Luís Peniche; Fotos: José Manuel Marques; Produção: Elisabete Guerreiro; Cabelo e maquilhagem: All About Makeup 

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