Margarida Rebelo Pinto
“O meu filho é a pessoa mais importante da minha vida”

Famosos

Escritora dedica o seu décimo romance, O Amor é Outra Coisa, ao filho, Lourenço, de 17 anos, e diz que queria ter tido mais filhos

Sex, 21/12/2012 - 0:00

 O décimo romance nasce uma fábula. O Amor É Outra Coisa é o novo livro de Margarida Rebelo Pinto que considera ser uma escritora mais densa do que antigamente. Numa conversa sobre as relações, a autora diz estar feliz, realizada e apaixonada pelo filho, Lourenço, de 17 anos, a quem dedica a obra.

VIP – Como é que surge este livro?
Margarida Rebelo Pinto – Eu já escrevi dois livros infantis e queria escrever uma fábula. Acabei por escrever a história de amor impossível entre um urso e uma cegonha. Como com a fábula estava muito distante do mundo real e daquilo que as pessoas estão habituadas a ler nos meus livros – que é a vida como ela é – resolvi construir uma história à volta da fábula. Foi um caminho totalmente novo e foi uma estrutura literária nova. De certa maneira é uma carta de amor; é uma mulher que escreve à irmã que morreu recentemente.

Na fábula a Cegonha e o Urso refletem dois tipos de pessoas. Qual delas é a Margarida?
Eu sou a cegonha, claro. A minha cegonha é destemida, aventureira, virada para o mundo, gosta de viajar e não tem medo das relações. O urso é preguiçoso, fechado no seu bosque, com dúvidas, desarrumado. Neste livro o importante não é se se acaba ou não sozinho. O final feliz tem a ver com se conseguir ultrapassar as tristezas, os medos e andar para a frente.

Mesmo que isso implique terminar uma relação e estar um tempo sozinho?
Claro. Mais vale só do que mal acompanhado.

Continua a acreditar no amor?
Claro que sim. Eu sou uma pessoa muito feliz nas minhas relações. Sou é muito exigente porque dou muito e portanto espero receber muito.

Como vai de amores?
Agora estou ótima. E não vou falar mais sobre isso. A minha vida sentimental é privada e vai manter-se privada.

Afinal, o amor é outra coisa. O quê?
O amor é uma construção. Tem de ser levado com espírito de missão. Não consegue ser um romance todos os dias, mas é entendimento, confiança, cumplicidade.

Já escreveu dez romances. Continua a ser fácil escrever sobre o amor?
Continua, porque a visão sobre o amor, sobre as relações e sobre a vida vai sempre evoluindo e portanto acho que os livros também refletem a minha evolução.

É uma escritora muito diferente daquela que era no início da carreira?
As pessoas vão sempre evoluindo. Sou muito mais densa. Para já sou muito mais feliz. Porque na altura tinha o sonho de ser uma escritora de sucesso e agora já o realizei. Depois quando comecei a escrever tinha-me separado, tinha um filho pequeno, vivia com muito stress e com as dificuldades inerentes a uma mulher de 30 anos que tem grandes ambições profissionais e que tem de criar sozinha um filho.

Sente que ele alguma vez saiu a perder?
Nunca deixou de ter a atenção necessária. Sempre me desdobrei para conseguir ser a profissional e a mãe que desejava. Talvez porque também tive uma mãe muito boa e que me serviu de exemplo. Nunca deleguei a educação do meu filho a ninguém.

O que tornou tudo muito mais complicado…
Mais difícil de gerir, mas eu também gosto muito de desafios. Costumo dizer que a minha vida só é simples quando tem coisas complicadas. A minha mãe é uma mulher com uma carreira absolutamente brilhante e sempre foi uma ótima mãe. Portanto, se ela consegue eu também consigo.
A minha irmã também é assim.

A Margarida está sempre a dizer que Portugal é feito de mulheres fortes.
A avaliar pela minha família não há uma que não seja forte, determinada, com objetivos e despachada.

Disse que tinha alcançado o sonho de ser escritora. Agora que sonhos faltam cumprir?
Gostava de ver em palco duas peças de teatro que já tenho escritas. Gostava de conseguir ter uma adaptação do livro Inês de Castro para o cinema internacional. Gostava de publicar no mercado anglo-saxónico porque publico na Europa toda e na América Latina, mas ainda não estou no mercado anglo-saxónico.

A nível pessoal?
Gostava de viajar mais. Agora que o Lourenço já está mais crescido vai ser mais fácil e ele até pode vir comigo, porque é muito companheiro.

Ele percebe a ausência da mãe quando está a escrever?
Sim, porque eu escrevo das 9 horas às 17 horas. Tenho horário para escrever. Não escrevo ao fim de semana, nem ao fim da tarde, nem à noite. Por isso ele está habituado desde pequenino a não me interromper. Depois percebe o que é que eu faço. Ele tem um markeeter dentro dele e é um ótimo comunicador como eu. Tem os meus genes. Durante os primeiros anos não o conseguia ir buscar à escola, mas depois consegui. Era importante para nós esta rotina. Mas eu respeito muito o espaço dele. Não sou nada invasiva. Sou a chamada mãe supervisora. Espero sempre o melhor dele e confio nele.

No entanto, critica bastante os homens portugueses nos seus romances.
O típico português acha que as mulheres têm de fazer tudo por ele. E não têm. Têm os dois de dar. Eu cresci num ambiente assim. O meu pai e a minha mãe tinham uma relação muito próxima e ajudavam-se muito um ao outro e apoiavam-se. Mas as mulheres portuguesas são muito permissivas e maternais e aceitam as atitudes masculinas.

Como por exemplo?
A falta de atenção, a falta de interesse, a falta de mimo, a falta de dinamismo, a falta de estima. Eu estou num pub em Londres, digo que tenho sede e levantam-se cinco cavalheiros para irem buscar-me o que eu quero. Cá, estou numa esplanada com cinco amigos, digo que tenho sede e não há um único que se levante para me ir buscar nem um copo com água. Levantam-se as minhas amigas. Não pode ser!

Parte da educação?
Sim! Porque as mãezinhas protegem muito os filhos e depois eles ficam a achar que as mulheres são todas como a mãezinha e estão cá para os servir.

O Lourenço sabe que as mulheres são para ser mimadas?
Claro, ele cresceu com isso. Ele cresceu a respeitar toda a gente. Depois ele é de um trato muito fácil, acho que ele é um miúdo feliz.

Dedicou-lhe o livro?
Todos os livros são dedicados a ele, é a pessoa mais importante da minha vida. Este livro dediquei também à Teresinha. Como não tive mais filhos pedi aquela emprestada ao meu irmão.

Tem pena de não ter tido mais filhos?
Tenho. Não tive na altura porque o meu namorado hesitou e depois passou a oportunidade. Eu acho que a dúvida e a indecisão minam as relações. Assim como a prepotência, a falta de confiança.

Ser mãe é o papel da sua vida?
Sim. Mas eu não sou só mãe. Sou escritora, sou irmã, filha, amiga, tia. Eu só sou feliz a dar. E à minha família e a quem eu gosto dou tudo. Sou uma pessoa muito afetiva, muito organizada e tenho sempre tempo para tudo.

Tem saudades do Lourenço pequenino?
Tenho, muitas saudades. Ele sempre foi um miúdo adorável. Tenho fotografias dele quando era pequenino à mesa de cabeceira. Mas os filhos crescem e ainda bem.

Este livro podia ser um ótima prenda de Natal, mas dado que não o pode receber o que gostava de ter no sapatinho esta consoada?
Uma viagem a qualquer sítio quentinho para poder ir namorar sem interferências. E para descansar porque estou cansada.

Como vai ser o seu Natal?
Em família, vai ser muito divertido. Somos uns 30 em casa da minha mãe ou da minha irmã. Há sempre um teatro escrito e encenado pela minha mãe. É uma sátira às coisas mais importantes do ano. Os Natais são sempre inesquecíveis!

É muito diferente dos Natais da sua infância?
Não, é completamente igual. A diferença é que antes entrava nos teatros e agora fico só a assistir.

Qual é a sua especialidade natalícia?
Sou muito preguiçosa. A minha irmã é que organiza sempre tudo. Eu levo trouxas de ovos, compradas.

O que é que não pode faltar à vossa mesa?
O peru e as várias sobremesas ótimas que a minha irmã faz.

Nesta altura não há dietas?
Eu nunca faço dietas, só se for para engordar. Faço muito desporto e tenho uma genética magra, portanto não me preocupo nada com o que como. Tenho muita sorte.

Texto: Sónia Salgueiro Silva; Fotos: Paulo Lopes; Produção: Zita Lopes; Cabelo e Maquilhagem: Vanda Pimentel com produtos Maybelline e L’Oréal Professionnel

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