Wanda Stuart
Confessa sofrimento às mãos do pai: “Sabia que ia apanhar”

Nacional

Wanda Stuart falou sobre a relação difícil com o progenitor. “O meu pai era militar e tinha uma relação um bocadinho mais distante com os filhos”

Qui, 19/08/2021 - 20:44

Wanda Stuart foi vítima de violência doméstica. Esta revelação foi feita agora pela cantora, que recordou a infância difícil e a agressividade do pai consigo, com os irmãos e com a mãe. “Levei algumas tareias”, confessou.

Numa entrevista a um site, Wanda Stuart falou sobre a relação difícil com o progenitor. “O meu pai era militar e tinha uma relação um bocadinho mais distante com os filhos. Era uma pessoas mais austera, impunha muita disciplina, não era uma pessoa de afetos, não sabia exprimir afetos. Acredito que ele gostava dos filhos, mas não o dizia e, portanto, era um bocadinho mais complicado”, começou por contar.

“Quando ele descobriu que a filha mais nova ia ser artista, houve um choque muito grande. E, depois, eu sempre fui um bocadinho politizada e ele também. O meu pai era muito pela autoridade e eu era mais pelo contrário, então, tínhamos grandes discussões, chegávamos a confrontarmos-nos bastante um ao outro. Nos últimos tempos que vivi na casa dos meus pais, eu e o meu pai não nos falávamos. Para ele foi uma afronta ter uma filha cantora. Na geração dele, as cantoras eram vistas de outra forma. Há 50 anos, ser cantora era sinónimo de ser prostituta, na cabeça das pessoas”, contou.

Wanda Stuart saiu de casa por causa do pai

A cantora, que na altura tinha 15 anos, lembra-se bem do que a família viveu às mãos do pai: “Ele era uma pessoa que transmitia alguma agressividade. Tive a sorte de ser a mais nova e já o apanhei com uma idade mais avançada, mais calmo, mas os meus irmãos levavam muita pancada e a minha mãe também. Agora, já se fala em vítimas de violência doméstica, mas, na altura, não se falava. Era o ‘entre marido e mulher, não se mete a colher’. Cresci a assistir a isso e ainda tinha mais raiva ao meu pai. Levei algumas tareias. Muitas vezes, quando saía para cantar, sabia que, quando chegasse a casa, ia apanhar, mas ia na mesma”.

Wanda Stuart incompatibilizou-se com o pai e saiu de casa. A seguir, participou na peça “Maldita Cocaína”, de Filipe La Feria, e, tal como contou ao site Selfie, esse momento marcou também a sua reaproximação do progenitor. “Fazia de prostituta e de dealer de cocaína, portanto, era do melhor para um pai ir assistir [risos]. Estava em pânico, nesse dia, porque não sabia o que ele iria pensar. A minha sorte foi que o Ruy de Carvalho, a Manuela Maria, a Simone, o Curado Ribeiro, o Varela Silva – que eram pessoas que ele respeitava e que já tinham uma grande carreira – foram-lhe dizer: ‘Deixe lá a sua filha seguir esta vida, a miúda tem jeito e gosta disto, e, como vê, não é de mal’. Foi a primeira vez em que o meu pai chamou ‘trabalho’ àquilo que eu fazia, e isso marcou-me. Ele foi ao meu camarim, deu-me os parabéns e disse: ‘Gostei muito de te ver no teu trabalho.’ E disse para eu voltar para casa.”

Até a forma como Wanda Stuart olhava para o pai mudou nesse dia, conforme explicou: “Passei a vê-lo com outros olhos, comecei a respeitá-lo mais. Também já tinha 20 e alguns anos e comecei a compreender que ele era fruto da educação que teve. Mas, com 15 anos, é difícil tu veres os teus irmãos e a tua mãe a apanharem pancada e não ganhares ódio à pessoa. Cheguei a desejar a morte do meu pai. Custa-me imenso dizê-lo, acho que é a primeira vez que estou a dizer isto. Eu, também, sempre fui rebelde, e nessa idade, há um choque de gerações. Mas, passados uns anos, acho que compreendi e perdoei.”

Texto: Patrícia Correia Branco; Fotos: Impala

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