Rui Sinel de Cordes mostrou a sua indignação no Facebook. O humorista escreveu um texto no qual afirma que tentou dar um espetáculo solidário na Madeira, para ajudar as vítimas dos incêndios, mas que não conseguiu. O humorista não conseguiu uma resposta positiva dos agentes e entidades culturais.

Foi em agosto que os fogos florestais queimaram 22% do concelho do Funchal, deixando centenas de pessoas desalojadas. A tragédia tirou a vida a três pessoas. 

“Olá amigos.
Como sabem, no dia 12 de Agosto publiquei um vídeo a manifestar a minha vontade, e do Hugo Sousa, em fazer um espectáculo de solidariedade para com as vítimas dos incêndios da Madeira. No dia seguinte, a minha produção e do Hugo iniciaram contactos com responsáveis por várias salas na Madeira – Casino, Teatro Baltazar Dias, Câmara do Funchal, Grupo Pestana, Criamar, etc. 
Dias a enviar mails, telefonemas, sms´s, pombos correio - sem efeito. 
As respostas chegaram com dificuldade, tarde, sem entusiasmo ou eficiência. 
“Poucas datas disponíveis para os próximos meses” – desconhecia que a Madeira se tinha transformado em Las Vegas.
“Fale com y, x, z” – falávamos e voltava tudo ao início do Carrossel.
“As pessoas da Madeira não têm dinheiro para espectáculos” – estranho, então têm a sala ocupada todos os dias para quem? Shows-fantasma?
“Não temos dinheiro para pagar hotéis nem alimentação nem cachet dos técnicos” – informámos que não precisávamos de absolutamente nada, apenas de uma sala que nos desse 100% da bilheteira, para darmos o dinheiro às pessoas.
“Damos uma resposta amanhã” – Nem amanhã, nem depois, nem na semana seguinte.
Disseram-me que se publicasse isto, provavelmente nunca mais actuava na Madeira. 
O problema é que se não publicasse, nunca mais dormia em condições.
Neste momento, passou um mês e meio. Um mês e meio de entusiasmo que provavelmente de nada vai valer. Um mês e meio de mensagens de madeirenses a oferecer ajuda no que precisássemos, orgulhosos por poder ajudar quem mais necessita. Infelizmente, quem pode ajudar não está para se chatear. A solidariedade real não passa na Televisão e calculo que assim, para eles, não tenha interesse.
Resta-me esperar que quando chegarem os incêndios graves de 2017 – vão chegar, recordo que estamos em Portugal – que atinjam cidades com agentes culturais competentes, para eu e o Hugo podermos ajudar que precise.
Por agora, o orgulho que sentimos em Agosto por poder fazer isto e a alegria dos madeirense que reagiram nas redes sociais foram colocados no mesmo local onde está a esperança de ver Portugal tornar-se num país decente em tempo útil: no lixo”, escreveu o humorista.

Fotos: Impala