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Júlio Isidro mostra indignação
“Vivemos um tempo em que para que os novos progridam, tem que se sacrificar os velhos”

Comunicador escreve texto sobre a morte da atriz Anna Paula

Depois de Noémia Costa mostrar a sua indignação, Júlio Isidro seguiu o exemplo e também mostrou a sua revolta pela falta de oportunidades dada aos mais velhos. O comunicador recordou a atriz Anna Paula, que estava cansada de “estar à espera que o telefone tocasse” e criticou a “desumana originalidade de deitar fora o talento enriquecido pela experiência”. 

“RETALHOS DA VIDA DE UMA ACTRIZ.
Cumpre-se mais uma vez a mítica crença. Quando morre um artista, morrem três de seguida. Há uma semana partiu Madalena Sotto, dois dias depois Maria Eugénia e hoje Anna Paula.
Todas com idade avançada, duas retiradas, mas Anna Paula relutantemente parada apenas porque vivemos um tempo em que para que os novos progridam, tem que se sacrificar os velhos.
Ao contrário de quase todo o mundo, Portugal pratica esta desumana originalidade de deitar fora o talento enriquecido pela experiência.
Anna Paula tinha declarado recentemente que não queria ficar mais tempo à espera que o telefone tocasse para que a convidassem a fazer um papel de bisavó só por caridade. Exigia que lhe reconhecessem o talento e, de tanto esperar, estava cansada. Por isso tinha terminado.
A sempre linda, nos vinte ou nos oitenta Anna Paula, grande atriz de teatro, cinema e televisão, professora do Conservatório onde afirmou que aprendia mais ensinando, terminou.
Pressinto que com uma grande amargura.

Que país é este que neste momento tem 20% de pessoas com mais de 65 anos e apenas 15% com menos de 14 anos, que vai perder mais de um milhão de habitantes nos próximos cinco anos e se dá ao luxo de não querer preservar o talento e a memória.

Anna Paula ao dizer há dias "Por isso terminei", anunciou a própria morte.
Recordo a série "Nunca digas Adeus" para reafirmar que a atrizes como as que agora se perderam, nunca direi adeus. Apenas , até Deus.” 

Fotos: Impala 

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