Raquel Prates E João Murillo
“Há vinhos que marcam momentos românticos”

Famosos

Casados há cinco anos, mostraram-se muito cúmplices num fim de semana onde participaram nas vindimas
São um casal divertido, que se conhece bem e que se complementa. Num fim de semana romântico em Melgaço, onde percorreram a rota do vinho Alvarinho, Raquel Prates e João Murillo confirmaram isso mesmo.

Qui, 29/09/2011 - 23:00

 São um casal divertido, que se conhece bem e que se complementa. Num fim de semana romântico em Melgaço, onde percorreram a rota do vinho Alvarinho, Raquel Prates e João Murillo confirmaram isso mesmo. Casados há cinco anos, a apresentadora de televisão e o artista plástico fazem um balanço positivo da relação à qual só falta um filho para a felicidade ser completa. Situação que ponderam alterar proximamente.
VIP – Foi um fim de semana diferente.
Raquel Prates – Sem dúvida. Nunca tinha estado nesta zona do País. Muitas vezes estivemos para cá vir, porque de facto, temos o privilégio de viver num País muito diversificado, não só em paisagens como em temperaturas.
João Murillo – Eu diria acima de tudo que foi um fim de semana que elogia algo em que eu e a Raquel acreditamos, que é a paixão pelo nosso país. Na generalidade os portugueses têm um amor doente pelo nosso país, temos falta de autoestima. Neste sentido, acho que as pessoas com alguma visibilidade pública têm o dever e a obrigação de transmitir uma mensagem para que as pessoas cada vez mais gostem de ser portugueses.
RP – Sim. Com a ajuda de todos nós devíamos conseguir vender a marca Portugal.
O que é que mais destacam de Melgaço?
JM – Este é um destino de eleição com uma rota de vinhos profundamente particular pela qualidade.
RP – E não só. São nossos, são portugueses, com reconhecimento internacional.
Vocês tinham noção que há vinhos em Portugal com tanto sucesso internacional?
JM – Sim. É um registo de qualidade que de ano para ano tem vindo a crescer e isso reflete-se em termos de exportação e de consumo interno. Se cada um de nós tiver esta perceção podemos contribuir para um país melhor, para que exista menos desemprego, para criar mais postos de trabalho e para sermos um povo mais feliz.
Conheciam o vinho Alvarinho?
JM – Sim e sou um apreciador. Sobretudo dentro de alguns registos gastronómicos é de facto uma das melhores opções que podemos ter.
RP – Foi um privilégio poder acompanhar toda a rota e todo o processo que envolve a produção de um vinho.
Participar nas vindimas também foi uma novidade para vocês…
RP – Nunca tinha conhecido o processo que envolve fazer um espumante ou um vinho. Achei profundamente curioso. Gostaria de realçar a generosidade das senhoras que nos acompanharam que, com muita paciência e amor, conseguiram transmitir-nos o prazer que têm na profissão e todos os truques das vindimas. Foi o que mais gostei no fim de semana.
JM – Fazer vinho é um ato de amor. Eu já fiz várias rotas de vinhos nos mais distintos países, mas nesta rota do Alvarinho há uma característica que não existe em mais nenhuma, que é a generosidade das pessoas, a entrega e o amor com que as pessoas fazem este trabalho. É fantástico!
RP – Agora quando olharmos para uma garrafa de vinho não vamos ver apenas o vinho.
Dizem que fazer este vinho é um ato de amor. Se calhar é por isso que o vinho tem um papel tão importante num jantar romântico. Vocês também têm esse cuidado? O vinho também está presente nos vossos momentos íntimos?
JM – Sim e curiosamente temos vinhos que marcam momentos da nossa vida, porque eles remetem-nos para emoções passadas. Por outro lado, também é um catalisador para momentos futuros.
RP – Eu acho que o mais importante é o simbolismo. De certeza que já alguém recebeu um vinho que só abre numa data importante porque o vinho tem um simbolismo.
Quem é que escolhe o vinho lá em casa, normalmente?
JM – Ambos.
Conseguem arranjar momentos para beber um bom vinho?
JM – Sim e esses momentos acontecem de forma natural, sem esforço. Eu sempre tive uma certa liberdade a nível de tempo que a Raquel não tinha, mas que agora já consegue ter. Fomo-nos equilibrando.
Também já estão casados há cinco anos. Qual é o balanço?
JM – Honestamente não temos um balanço anual, temos um balanço diário. Aprendemos um com o outro todos os dias. Desde o início, sempre tivemos a preocupação de fazermos esse balanço quando nos deitamos. E independentemente de todas as adversidades, o balanço do dia é sempre positivo porque estamos os dois deitados na iminência de ir descansar e se tudo correr bem vamos acordar juntos outra vez. E vamos poder viver outras experiências juntos.
Como é que se mantém a “chama acesa“ ao fim de cinco anos? Com muito romantismo?
JM – Acho que tem a ver com conseguir ter as doses certas em todas as ocasiões. Por exemplo, se estiver chuva é a altura ideal para abrir uma garrafa de vinho tinto, comermos um queijinho e ficarmos abraçados a ver a chuva. Se tiver sol é um dia fantástico para irmos com a nossa cadela até à praia.
Ao fim de cinco anos ainda se conseguem surpreender?
RP – Todos os dias. Mas o João tem essa característica. Ele é o que se pode chamar de um bom provocador. É profundamente intenso e criativo e faz com que as coisas tenham sabores diferentes e perspetivas diferentes daquelas a que estamos habituados.
JM – Aliás, a Raquel chama-me de “parque de diversões pessoal”, porque isto oscila entre a montanha-russa, o carrossel…
RM – (Risos) Mas eu acho que todos os que conhecem o João sentem isso. É a intensidade com que ele vive e saboreia as coisas, sobretudo porque as noções de tempo dele são diferentes das minhas.
Essa é a maior diferença entre vocês?
RP – Sim. O meu tempo é muito diferente do tempo do João. Mas nós conseguimos chegar a um consenso.
JM – Mas às vezes é problemático (risos)! Mas os problemas são fundamentais e a relação só avança quando as pessoas têm a noção que conseguem ultrapassar as dificuldades. Eu acho que não existem fórmulas para o sucesso de uma relação, mas acho que existem algumas coisas que a favorecem, se tivermos alguma atenção.
Nestes cinco anos qual foi o período mais difícil da vossa relação? Qual o problema que vos custou mais a ultrapassar?
RP – As partes mais difíceis de ultrapassar são aquelas em que a hostilidade vem de pessoas nossas amigas.
JM – Tudo aquilo que não depende de nós e que mexe com a nossa relação. Eu adoro os meus inimigos, porque árvore que não dá frutos não é cobiçada por ninguém. E se eles existem é porque faço coisas com sucesso. Isso alegra-me. As pessoas só nos conseguem agredir quando nós deixamos, porque quando a nossa consciência está tranquila podem fazer o que quiserem que nós continuamos a estar em paz.
Isso é um sinal de que a vossa relação é tão forte que nada a abala?
RP – Sim, porque no final somos só nós os dois.
São só os dois por enquanto. Não querem ter filhos?
JM – Nós temos muita vontade. É curioso porque nós temos muita vontade de ter filhos desde a primeira vez que olhámos um para o outro. Depois percebemos que há responsabilidades que as pessoas só devem assumir quando estão verdadeiramente preparadas para isso. Nós quisemos consagrar, até agora, o tempo todo que temos um para o outro. Até para nos conhecermos e experienciarmos o que é ultrapassar os problemas só os dois e acho que isso nos está a dar uma maior maturidade para a altura em que chegarem os filhos. Depois, eu digo sempre isto por brincadeira: com o feitio que nós temos, é ele que vai decidir quando vem, porque vai ser tão teimoso que nós podemos fazer tudo, que é ele quem vai decidir. Mas eu diria que cada vez estamos mais próximos do momento em que vamos dar-lhe uma ajudinha para ele aparecer mais depressa.
Já estamos a chegar a essa fase? Raquel, já sente o relógio biológico a dar horas?
RP – Eu não sei o que é o relógio biológico, não consigo perceber esse conceito (risos).
A Raquel sempre disse que se realiza a trabalhar. Agora vai regressar à televisão.
RP – Sim, será na House TV, um canal por cabo novo, onde vou ter um programa de entrevistas, em que as pessoas que irei entrevistar têm um ponto em comum: vivem sozinhas. Acho que poderá ser muito interessante porque vou entrar na intimidade destas pessoas, ou seja, nas suas casas, e tentar perceber como se relacionam com o tempo e com o espaço.
Já tem nome? Data de estreia?
RP – Não, ainda não tem nome, ainda não comecei a gravar, mas tudo indica que dentro de duas, três semanas, começarei a filmar.
Está entusiasmada? Já tinha saudades de televisão?
RP – A última coisa que fiz foi o Instinto Moda, para a SIC Mulher. Não sei se o termo é ter saudades, mas quando temos um projeto que nos seduz e quando temos o privilégio de optar se o queremos fazer ou não, é bom.
Qual foi o programa que mais gostou de fazer?
RP – Foi o Portugal Radical e a SIC no País do Natal, porque era um programa de solidariedade.
Essa é outra vertente da Raquel, que até já foi homenageada pelo seu trabalho solidário, certo?
JM – A Raquel é madrinha de 40 idosos no Convento de Santos-o-Novo e eu aí também me envolvo e nós vamos visitá-los, conversamos com eles. Este projeto surgiu depois de nos terem desafiado a lá irmos – há cerca de cinco meses – fazer uma visita e adorámos. Na sequência das nossas visitas eles resolveram fazer uma homenagem à Raquel, sem estarmos à espera, e nomearam-na como madrinha, oferecendo-lhe uma série de coisas feitas pela comunidade residente. Foi muito agradável.
Entretanto, a Raquel também lançou um blogue?
RP – Chama-se Up Blog e surgiu precisamente por causa da insistência das pessoas com as quais me cruzava na rua e que me pediam opiniões. Então achei que era muito mais fácil criar uma plataforma que ajudasse neste sentido. Então surge o Up Blog que acima de tudo é sobre coisas no geral, sobre coisas que eu gosto, sobre as minhas experiências, sobre aquilo que eu acredito e que gostaria de transmitir. E falo sobre as mais diversas áreas: moda, design, arquitetura, escrevo sobre as minhas visitas e viagens.
Texto: Sónia Salgueiro Silva; Fotos: Carlos A. Tavares

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